Brasil: Aumento da taxa de desemprego surpreende e preocupa

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Brasília, 24 de Julho de 2013 – Será o princípio do fim de um sonho de verão? O inverno chegou pra valer esta semana no país, trazendo neve – vejam só – para mais de 100 cidades brasileiras, incluindo capitais que não viam o fenômeno há muitos e muitos anos, como Curitiba e Florianópolis. Junto com a neve, veio a divulgação do novo dado sobre o desemprego no país.

A taxa continua baixa quando comparada aos nossos padrões históricos, mas a piora do indicador – maior taxa desde abril de 2012 – liga o sinal de alerta na cabeça dos brasileiros.

A taxa de desemprego subiu para 6% em junho, de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa desde abril de 2012, quando também marcou 6%.

O indicador de desocupação ficou acima da média de 5,8% apurada pelo Valor Data junto a 15 consultorias e instituições financeiras.

O resultado mostrou alta em relação aos 5,8% apurados em maio e ficou ligeiramente acima do desemprego de 5,9% da população economicamente ativa (PEA) registrado em junho de 2012.

O rendimento médio real habitual dos ocupados ficou em R$ 1.869,20 em junho, o que representou recuo de 0,2% ante maio deste ano, mas alta de 0,8% na comparação com junho de 2012.

A massa de rendimento real habitual alcançou R$ 43,4 bilhões, estável em relação maio, e 1,5% maior que o verificado em junho do ano passado.

A pesquisa abrange as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Há 40 meses a variação do desemprego vinha marcando taxas negativas na comparação mês contra mesmo mês do ano anterior. Pela primeira vez nessa comparação a taxa aumenta, ainda que signifique estabilidade, de 6% em junho contra 5,9% em junho de 2012.

A população desocupada somou 1,5 milhão de pessoas, registrando estabilidade tanto em relação a maio quanto a junho de 2012. A população ocupada atingiu 23,0 milhões e também não teve variação significativa nas comparações mensal e anual.

De acordo com a pesquisa, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado somou 11,5 milhões e ficou estável sobre maio. Já na comparação com o mesmo período do ano anterior, foi verificada alta de 3,2%.

Análise regional da taxa de desemprego no Brasil

Na análise regional, a taxa de desocupação não registrou variação significativa em nenhuma das regiões metropolitanas pesquisadas nem comparação com o mês anterior nem na anual. A quantidade de desocupados, no confronto com junho de 2012, subiu apenas em Salvador (23,5%).

O salário médio real dos trabalhadores ocupados ficou em R$ 1.869,20, não variando sobre maio, e registrando alta de 0,8% frente a junho.

O valor dos rendimentos subiu, sobre maio, no Recife (3,3%), em Porto Alegre (3,2%) e em Salvador (0,9%). Ficou estável no Rio de Janeiro e caiu em Belo Horizonte (4,0%) e em São Paulo (0,6%). Já na comparação com junho, houve queda em Belo Horizonte (5,1%), Salvador (4,5%) e no Recife (3,2%). Altas foram verificadas em Porto Alegre (6,3%), no Rio de Janeiro (3,6%) e em São Paulo (1,3%).

Quanto ao tipo de atividade, o maior aumento no salário em relação a maio foi verificado no grupamento construção (1,6%) e a maior queda na indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (-1,7%). Na comparação anual, foi registrado aumento de 4,4% na construção e queda no grupamento de outros serviços (-2,7%).

Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em comparação com junho do ano anterior foi visto entre os empregados sem carteira no setor privado (4,2%).

Desemprego maior em junho preocupa o governo sobre futuro da economia

A surpreendente alta do desemprego no Brasil em junho fez soar ainda mais alto o alarme dentro do governo da presidente Dilma Rousseff, que já vem sofrendo com a baixa confiança da população e dos empresários, com preocupações sobre o futuro da economia neste segundo semestre.

Já há avaliações, tanto dentro da equipe econômica quanto no Palácio do Planalto, que a atividade pode perder força no terceiro trimestre – o oposto da visão que prevalecia há poucos meses.

O mercado de trabalho é considerado por assessores da presidente Dilma como o “fio de esperança do governo” num cenário de indicadores econômicos cada vez mais deteriorados, e o resultado de agora causou preocupação.

O aumento do desemprego já era esperado, mas preocupa à medida que pode se tornar uma tendência.

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