Inflação: IPCA sobe 0,26% em junho e acumula alta de 6,70% nos últimos doze meses

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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,26% em junho, após alta de 0,37% em maio. A alta registrada no mês passado é a menor desde junho de 2012, quando o indicador avançou 0,08%.

A inflação de junho ficou abaixo da média de 0,33% apurada junto a quinze consultorias e instituições financeiras do mercado brasileiro. O intervalo das estimativas ficou entre 0,31% e 0,35%.

Com o resultado, o indicador acumulou alta de 3,15% no ano e de 6,70% nos últimos doze meses – ultrapassando o teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BACEN), de 6,50%. Essa é a taxa mais alta em doze meses desde outubro de 2011, quando o IPCA registrou alta de 6,97%. Nos 12 meses encerrados em maio, o indicador acumulava uma alta anual de 6,50%. No ano passado, no acumulado até junho, houve alta de 2,32% e, em 12 meses, elevação de 4,92%.

Para o acumulado em 12 meses, a expectativa do mercado para o IPCA era de 6,77%, segundo a mediana de 26 estimativas, variando de 6,70% a 6,80%.

Na análise dos grupos de gastos, alimentação e bebidas apresentaram uma forte desaceleração, de 0,31% em maio para 0,04% em junho – o menor resultado desde julho de 2011 (-0,34%). No entanto, esse grupo fechou o semestre com valorização acumulada de 6,02%, acima dos 3,26% do primeiro semestre de 2012.

Segundo o IBGE, em junho, as principais quedas dos alimentos foram em cenoura (baixa de 18,53%), tomate (queda de 7,21%), hortaliças e verduras (recuo de 6,35%) e cebola (deflação de 4,99%).

Além dos alimentos, também mostraram desaceleração as variações de remédios (de 1,61% para zero), que integram os cálculos do grupo saúde e cuidados pessoais (de 0,94% em maio para 0,36% em junho). Os remédios tiveram o maior destaque porque, em maio, seus preços havia aumentado 1,61%. No primeiro semestre do ano, o item acumula alta de 4,79%.

Habitação pressiona a inflação em junho

O grupo habitação respondeu por 30% da taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na passagem de maio para junho, quando o indicador saiu de alta de 0,37% para avanço de 0,26%.

O grupo habitação subiu 0,57% em junho, contribuindo com 0,08%l para a taxa do IPCA. Esse foi o maior impacto para o índice no mês entre os nove grupos observados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio, habitação teve alta de 0,75%.

Entre as altas no grupo habitação em junho, destacam-se telefone com internet – pacote (1,13%), condomínio (0,58%) e taxa de água e esgoto (1,03%).

Análise completa dos grupos de gastos do IPCA no mês de junho de 2013

Os nove grupos que compõem o IPCA apresentaram as seguintes variações entre maio e junho:

– alimentação e bebidas (de 0,31% para 0,04%);

– habitação (de 0,75% para 0,57%);

– artigos de residência (de 0,46% para 0,12%);

– vestuário (de 0,84% para 0,50%);

– transportes (de -0,25% para 0,14%);

– saúde e cuidados pessoais (de 0,94% para 0,36%);

– despesas pessoais (de 0,41% para 0,40%);

– educação (de 0,06% para 0,18%);

– comunicação (de 0,08% para 0,19%).

O IPCA mede a inflação para as famílias com renda de um a 40 salários mínimos em nove regiões metropolitanas do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, a lém do município de Goiânia e de Brasília.

Protestos e Copa das Confederações fazem inflação recuar

O recuo na inflação oficial do país em junho, que desacelerou de 0,37% em maio para 0,26%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve forte influência das manifestações que tomaram as ruas do país em junho e também da Copa das Confederações, realizada este mês.

Segundo o IBGE, as manifestações de rua fizeram o comércio fechar suas portas por muitos dias. Comerciantes tiveram de baixar preços para recuperar o prejuízo, de acordo com ela. Essa situação contribuiu para a queda acentuada na inflação dos alimentos, de 0,31% em maio para 0,04% em junho. Além disso, o clima de Copa, por si só, modifica hábitos de consumo, direcionando para determinados produtos como cervejas, alimentação fora de casa.

Definitivamente, junho foi um mês bastante atípico.

Por outro lado, os alimentos já vinham com tendência de queda pela redução do consumo, apontada em pesquisas sobre o desempenho do comércio e explicada pelo comprometimento da renda das famílias, e também pela entrada no mercado de uma safra prevista para ser 15% maior que a de 2012. Mesmo assim, houve altas importantes em alguns alimentos como leite e derivados. O leite longa subiu de 3,9% em maio para 4,6% em junho por causa da entressafra.

Há ainda outros fatores. A Nova Zelândia, que é um grande produtor de leite, teve sua produção prejudicada por problemas de clima e o leite valorizou muito no mercado internacional. E a China está importando muito leite por causa de episódios de contaminação de seu produto local.

Fora dos alimentos, também ajudaram no recuo do IPCA o grupo de saúde e cuidados pessoais, que passou de 0,94% em maio para 0,36% em junho. Esta queda ocorreu porque terminou a influência do reajuste de preços dos medicamentos em abril.

A queda expressiva na variação do etanol (-1,97% em maio e -5,33% em junho), resultado do fato de a cana-de-açúcar estar em plena colheita, teve efeito sobre a gasolina (-0,52% em maio e -0,93% em junho), uma vez que o combustível tem 25% de etanol em sua composição.

O aumento dos ônibus, que não chegou a vigorar o mês de junho todo, uma vez que muitas cidades revogaram o reajuste após protestos e manifestações, teve forte impacto no  recuo do IPCA, segundo Eulina. Se tivessem vigorado o mês todo, o IPCA seria mais alto. No Rio de Janeiro, o reajuste de 7,20% vigorou de 1 a 20 de junho; em São Paulo, o reajuste de 6,75% durou de 2 a 20 de junho; e em Goiânia, o aumento de 11% foi de 22 de maio a 13 de junho.

Com a suspensão do aumento dos ônibus, o IPCA de julho do segmento terá redução de 5% no Rio, 4,5% em São Paulo, 5% em Goiânia, e 3% em Recife e Curitiba, calculou a coordenadora do IBGE. O IPCA de julho das passagens de trem deverá ter recuo de 5% no Rio e de 4,5% em São Paulo; para o metrô, o cálculo é de  6,5% no Rio e de 4,5% em São Paulo.

“O setor de transportes vai ter pressão menor em julho por conta da revogação dos aumentos”, disse ela.

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