Semanário Bovespa: Ibovespa termina primeira semana de julho com perda de quase 5%

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Na primeira semana de julho de 2013, o Ibovespa acumulou queda de 4,73%. No ano, a perda do índice já chega a 25,83%. O Ibovespa é o principal índice de referência do mercado de ações da BM&FBovespa.

Comportamento do Ibovespa entre 01 de julho de 2013 e 05 de julho de 2013

Ibovespa

FEC

ABE

MÍN

MÁX

01/07/2013

47.229,6

47.457,9

46.676,0

47.674,0

02/07/2013

45.229,0

47.221,6

44.818,6

47.221,6

03/07/2013

45.044,0

45.227,2

44.552,0

45.826,8

04/07/2013

45.763,2

45.046,2

45.046,2

46.097,0

05/07/2013

45.210,5

45.756,9

44.107,1

45.756,9

 

A semana do Mercado Bovespa não começou com dados muito animadores. Logo nas primeiras horas da segunda-feira (01 de julho de 2013), o IBGE divulgou os dados referentes à produção industrial de maio: redução de 2,0% em comparação ao mês anterior. A queda generalizada da atividade industrial no país, devolvendo a melhora de desempenho do setor nos últimos dois meses, tirou o humor dos investidores logo cedo. Pra completar, as notícias que chegavam da Europa também não eram nada boas: o Ministro das Finanças de Portugal, artífice das medidas de rigor econômico impostas ao país nos últimos anos, renunciou ao seu cargo. Era o início de mais um capítulo da inacabável crise financeira européia. Os mais recentes indicadores econômicos da zona do euro também não foram muito favoráveis. Em um sinal de fraqueza da economia, o desemprego na zona do euro atingiu um nível recorde em maio de 2013: 12,2% da população economicamente ativa encontra-se sem emprego formal – um crescimento de 0,2% em relação a abril. Os índices de preços ao consumidor também aceleraram em junho, indicando uma nova alta da inflação na zona do euro. De positivo mesmo, só os dados referentes à produção industrial de junho, demonstrando que a economia européia vem emitindo sinais de aquecimento.

Mas o que realmente pesou no pregão da última segunda-feira foi a notícia de que a OGX, empresa do bilionário Eike Batista, pretendia suspender o desenvolvimento de três campos de petróleo, além de interromper a construção de cinco plataformas. Além disso, a companhia também informou que decidiu cancelar algumas compras da OSX, empresa de construção naval que também pertence ao grupo EBX, de Eike Batista. A notícia caiu como uma bomba no mercado, que já vinha depreciando fortemente as ações das seis companhias do grupo EBX (OGXP3MMXM3MPXE3OSXB3LLXL3 e CCXC3) negociadas na BM&FBovespa.

Outro dado negativo desta segunda-feira negra foi o recorde negativo histórico da balança comercial brasileira, que mesmo fechando junho com superávit de R$ 2,394 bilhões, registrou o pior déficit em um primeiro semestre desde 1995: – R$ 3 bilhões. Analistas do mercado consideraram que a forte desvalorização do real frente ao dólar e o persistente reflexo da crise nas grandes economias, principais compradores das matérias-primas brasileiras, incidiram no resultado negativo do semestre.

Nem os dados positivos que indicam recuperação da atividade industrial americana em junho serviram para animar o mercado, mesmo porque o FED, Banco Central dos Estados Unidos, anda sedento por bons indicadores, a fim de iniciar a retirada dos incentivos monetários introduzidos para recuperar a economia do país. Tal medida, fatalmente gerará uma queda generalizada em todas as bolsas de valores mundiais.

Sem motivos para sorrisos, o Ibovespa fechou segunda-feira (01 de julho de 2013) cotado a 47.229,6 – 227,5 pontos abaixo do fechamento anterior (47.457,1).

Se o primeiro dia do semestre tinha sido ruim, o segundo dia conseguiu ser pior ainda. O Ibovespa abriu o pregão de terça-feira com um pequeno gap de baixa e amrgou uma forte desvalorização ao longo de todo o dia, fechando o dia 02 de julho de 2013 cotado em 45.229,0 pontos. Os capítulos seguintes dos acontecimentos do pregão anterior mostraram que a tempestade seria muito maior do que todos imaginavam.

Em Portugal, mais um ministro da base de sustentação do atual governo pediu demissão: o Ministro de Relações Exteriores de Portugal e líder do Partido Popular, Paulo Portas, renunciou ao cargo de Chanceler. A renúncia de dois dos principais nomes do governo gera forte instabilidade política no país que, por sua vez, pode afetar sua credibilidade econômica e dificultar sua recuperação econômica. Ações e rendimentos de títulos portugueses vêm despencando no mercado desde o início da crise.

Já no Brasil, todas as atenções se voltaram para o terrível pesadelo no qual se transformaram as ações das empresas X. Eike Batista passou a procurar compradores para a OGX que, diante dos últimos resultados, teve seu rating rebaixado pela agência de risco Standard & Poor’s, atingindo o nível pré-calote de recomendação de investimento.

Já a quarta-feira foi marcada por uma forte instabilidade no preço das ações que compõem o Ibovespa e por grande apreensão por parte dos investidores, fazendo com que o índice variasse bastante até fechar próximo ao preço de abertura, cotado em 45.044,0 pontos.

Mais uma vez, notícias negativas sobre as empresas de Eike Batista deram o tom para o mercado performar: agências de avaliação de risco Moody’s e Fitch’s também rebaixam a nota de investimento da OGX, CVM declara que OGX está sob investigação e BNDES declara ter emprestado R$ 10, 4 bilhões ao Grupo EBX.

No cenário externo, as notícias também não foram nada animadoras. Na Europa, o Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, externou toda sua preocupação com os desdobramentos da crise política em Portugal. Já nos Estados Unidos, dados sobre a balança comercial demonstram que o déficit aumentou em junho. Tal resultado demonstra que o mercado interno está aquecido, pois o grande vilão para o déficit foi o forte aumento das importações. Com um mercado interno ativo, aumentam as chances do Federal Reserve anunciar o fim das medidas de estímulo econômico em vigência atualmente.

Se a quarta-feira foi de indecisões e suposições, a quinta-feira foi recheada de certezas. E certezas positivas que fizeram o índice Ibovespa esboçar uma recuperação, fechando cotado em 45.763,2 – alta de 1,60% em relação ao fechamento anterior.

O dia 04 de julho de 2013 ficou marcado como o dia em que finalmente Eike Batista “jogou a toalha”. A MPX Energia anunciou que o bilionário não fazia mais parte de seu conselho de administração, tendo Eike renunciado “espontaneamente” do cargo de Presidente. A empresa também decidiu abandonar a idéia de mais uma vez captar recursos no mercado, considerando a forte depreciação de suas ações na Bovespa. O anúncio do cancelamento da oferta pública de ações da MPX só foi possível por que um de seus acionistas decidiu injetar mais capital na companhia: a alemã E.ON é a nova sócia majoritária da MPX.

Com esses novos desdobramentos apontando para o início da ruína do Grupo EBX, está cada vez mais distante o sonho de Eike Batista em se tornar o homem mais rico do planeta.

Também na quinta-feira, o BCE – Banco Central Europeu decidiu manter estável a taxa básica de juros da zona do euro. A decisão de manter a taxa de juros a 0,50% era esperada pelos analistas, considerando o nervosismo atual do mercado com a instabilidade política em Portugal e com a perspectiva de o banco central americano começar a reduzir suas medidas de estímulo ao crescimento econômico.

Uma aceleração da inflação na zona do euro em junho e gastos do consumidor mais fortes do que o esperado na França e na Alemanha também reforçam a projeção do BCE de uma lenta recuperação da economia da zona do euro ainda este ano, deixando pouco espaço para justificar uma alteração na taxa de juros agora.

Já a sexta-feira (05 de julho de 2013) foi marcada pela volta do pessimismo ao mercado.

Após a divulgação dos dados sobre a taxa de desemprego nos Estados Unidos em junho, a Bolsa de Valores de São Paulo voltou a operar em queda. O crescimento do nível de emprego nos Estados Unidos mais forte do que o ritmo esperado pelo mercado reacenderem as preocupações de que o Federal Reserve (FED), banco central do país, pode começar em breve a reduzir seu programa de estímulo monetário. O FED vem comprando US$ 85 bilhões mensais em títulos, em um esforço para manter os custos de empréstimos baixos e promover um crescimento mais forte.

Os investidores também não gostaram nada dos dados sobre a inflação brasileira:

Desanimado, o Ibovespa fechou o pregão de sexta-feira (05 de julho de 2013) cotado a 45.210,5 – 2.246,6 pontos abaixo do valor de fechamento da última sexta-feira (28 de junho de 2013).

Petrobras

Na primeira semana de julho, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram mais de 5%. Já as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) fecharam nesta sexta-feira (05 de julho de 2013) no menor valor em quase oito anos, desde novembro de 2005. Os papéis da estatal caíram 6,11%, para R$ 13,68. Este é o menor valor das ações da empresa desde 14 de novembro de 2005, quando fecharam valendo R$ 13,46.

01/07/2013 – 05/07/2013

FEC

ABE

MÍN

MÁX

PETR3

13,68

14,85

13,05

15,02

PETR4

15,50

16,20

14,94

16,32

 

A queda das ações ocorreram por temores de que o governo reduza o imposto de importação para uma série de produtos.

Vale

Na semana, as ações preferenciais da Vale (VALE5) caíram 2,22%, fechando cotadas em R$ 26,45. Já as ações ordinárias da empresa, VALE3, fecharam a primeira semana de julho cotadas a R$ 28,70 – desvalorização de 1,37% em relação ao preço de fechamento da semana anterior (R$ 29,10).

01/07/2013 – 05/07/2013

FEC

ABE

MÍN

MÁX

VALE3

28,70

28,91

27,89

29,75

VALE5

26,45

27,10

25,52

27,60

 

 

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