Selic: Copom decide aumentar taxa básica de juros para 10,75%

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O Banco Central do Brasil estava entre a cruz e a espada na reunião de discussão sobre a política monetária do país. De um lado, a inflação galopante que teima em não ceder mesmo após sete altas consecutivas da taxa de juros. Do outro, um Produto Interno Bruto (PIB) em queda, que nos últimos trimestres registrou recessão técnica. Para piorar, um cenário internacional que pressionará a saída de dólares do país nos próximos meses.

Rio de Janeiro, 26 de Fevereiro de 2014 – Diante de uma possível recessão técnica da economia brasileira no fim do ano passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central optou por reduzir o ritmo de alta da taxa básica da economia brasileira  – que subiu 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano, nesta quarta-feira.

Nos seis últimos encontros do Copom, os juros haviam avançado mais fortemente: 0,5 ponto percentual por reunião. Com a decisão de hoje, que representou a oitava alta seguida na taxa Selic.

A nova elevação também levou a taxa básica da economia brasileira ao maior patamar desde o fim de 2011 – quando estava em 11% ao ano. O nível de 10,75% ao ano também é o mesmo valor do início do mandato da presidente Dilma Rousseff, em 2011.

Com a oitava alta seguida nos juros básicos da economia brasileira promovida pelo Banco Central, as aplicações em renda fixa, como os fundos de investimento, ganham mais atratividade e ganham da poupança na maioria das situações.  Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% (o que acontece desde agosto do ano passado), é fixo em 6,17% ao ano mais a variação da TR.

A expectativa dos economistas dos bancos é de que a elevação dos juros de hoje não seja a última deste ano. A previsão é de que aconteçam dois novos aumentos em 2014, sendo que o primeiro aconteceria em abril, para 11% ao ano, e outro em dezembro, para 11,25% ao ano.

 

Metas de inflação

 

Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Nos quatro últimos anos, o IPCA oscilou ao redor de 6% – distante da meta central de 4,5% e mais próximo do teto do sistema de metas de 6,5%. Em 2010, a inflação somou 5,91%, passando para 6,5% em 2011, para 5,84% em 2012 e para 5,91% no ano passado. Para 2014, a expectativa dos analistas do mercado financeiro é de que o IPCA some 6%.

 

Cenário econômico

 

O cenário econômico é considerado complicado por economistas. Dados do próprio BC apontam para desaceleração da atividade econômica no fim do ano passado – o que poderia atuar para conter as pressões inflacionárias. Mesmo assim, as estimativas dos analistas são de que a inflação continuará pressionada neste ano, rondando o patamar de 6%.

A recessão bate à porta, ocasionada pelo impacto da produção em baixa e da previsão de crescimento do PIB (de 2014) em torno de 1,8%. A situação só não é pior porque ainda temos um bom índice de empregos. Se o BC esmorecer agora, corre um grande risco de passar algum calafrio para cumprir essa meta de inflação de até 6,5% em 2014: os preços administrados (como energia elétrica), além de alimentos e dos serviços, tendem a continuar pressionando os índices de inflação neste ano.

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