Mercado Diário: Ibovespa emplaca sexta alta seguida, ignorando queda das bolsas de valores externas

LinkedIn

Ásia vai com as outras

 

Os principais índices de ações das bolsas de valores asiáticas avançaram moderadamente nesta segunda-feira, ainda mantendo a cautela quanto a crise política na Ucrânia e a crise econômica na China, mas mantendo o firme viés de alta apresentado pela maioria dos mercados acionários mundiais na semana passada.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 fechou em alta de +1,77%, cotado a 14,475 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu +1,82%, para 21.858 pontos. Em Xangai, o índice SSE Composite ganhou +0,91%, para 2.066 pontos. Já em Mumbai, o índice Sensex teve valorização de +1,39%, fechando cotado em 22.055 pontos.

 

Quanto pior melhor

 

Apesar do PMI industrial da China ter vindo mais fraco, a expectativa de que o governo chinês anuncie medidas para impulsionar a economia levou as moedas de países atrelados a commodities a fecharem em alta frente ao dólar hoje.

A leitura preliminar do índice dos gerentes de compras (PMI) do HSBC para o setor manufatureiro da China caiu para 48,1 em fevereiro, de uma leitura de 48,5 registrada em janeiro, atingindo o menor nível em oito meses.

A perspectiva de que o governo chinês adote medidas de estímulos foi reforçada após declarações de oficiais do governo da China. Na última semana, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, disse que os planos de investimento e construção poderiam ser acelerados para garantir que a demanda doméstica se expanda a uma taxa estável. Hoje o vice-ministro das Finanças da China, Zhu Guangyao, disse que o potencial de depreciação do yuan não é tão grande, sinalizando que o governo pode agir para conter a queda da moeda.

 

Inflação real

 

O valor dos contratos de aluguel residencial fechados em fevereiro na cidade de São Paulo registrou um aumento médio de 8,5% nos últimos doze meses. O percentual é superior à variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), de 5,76%, e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, de 5,68%, do período de março de 2013 a fevereiro de 2014. Na comparação com o mês anterior, o valor dos contratos de locação residencial na capital paulistana não sofreu variação.

 

Inflação em Focus

 

De acordo com a última edição do Boletim Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central (Bacen), a perspectiva de crescimento da  inflação (IPCA, IGP-DI e IGP-M) e da taxa básica de juros (SELIC) até o final de 2014 aumentou nesta semana em relação à semana anterior.

A projeção para alta dos preços ao consumidor subiu de 6,11% para 6,28%. Já sobre a taxa SELIC, que encontra-se atualmente em 10,75% ao ano, o mercado estima que a mesma atinja 11,25% ao ano até o final deste ano.

Os economistas consultados pelo Bacen ainda mantiveram suas apostas para o crescimento da economia medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) em 1,70%. A expectativa para a cotação do dólar também ficou inalterada em relação à semana anterior, em R$ 2,49.

 

Dólar pressiona

 

O déficit em conta corrente brasileiro, no acumulado de 12 meses, subiu de 3,67% do PIB em janeiro para 3,69% do PIB em fevereiro. O Banco Central (BC) também revisou a projeção para o déficit em conta corrente no ano, que passou de US$ 78 bilhões para US$ 80 bilhões.

A ampliação do déficit em conta corrente aumenta a vulnerabilidade da economia brasileira. Por enquanto, o fluxo de investimento para portfólio tem garantido o financiamento desse déficit, mas uma mudança no cenário internacional pode levar a uma reversão desse fluxo.

A piora do desempenho da balança comercial é o principal fator que levou o BC a ampliar a projeção para o déficit em conta corrente. O BC reduziu a projeção de superávit da balança comercial de US$ 10 bilhões para US$ 8 bilhões no fim do ano. O mercado financeiro, no entanto, espera uma queda ainda maior, prevendo um superávit de US$ 4,71 bilhões para o fim de 2014.

Em fevereiro foram registradas entradas de US$ 4,132 bilhões para Investimento Estrangeiro Direto (IED) e de US$ 2,166 bilhões para aplicações em carteira, que foram suficientes para cobrir o déficit de US$ 7,445 bilhões em conta corrente.

 

Mas não neste mês

 

As expectativas positivas sobre o cenário de ingresso de divisas no Brasil ainda neste mês mantiveram o dólar em queda em relação ao real. A forte entrada de recursos para renda fixa e de captações externas tem garantido a boa performance do real no mês, que acumula ganho de 0,99%.

O Banco Central informou nesta segunda que a entrada de dólares superou a retirada de moeda estrangeira no país em US$ 5,09 bilhões na parcial de março, até a última quinta-feira, 20 de março. Se confirmada para todo o mês, será a maior entrada de recursos no país desde maio do ano passado, quando US$ 10,75 bilhões ingressaram na economia brasileira.

 

Crise na Ucrânia

 

A Ucrânia anunciou a retirada de suas tropas da Crimeia, depois que militares russos ocuparam uma base naval na região. O medo de que o impasse se intensifique tem mantido a cautela dos operadores.

 

Cautela

 

As ações europeias fecharam em queda nesta segunda-feira, anulando parte dos ganhos da semana passada, diante da preocupação com os eventos na Ucrânia e a fraqueza na atividade industrial da China.

Ações de companhias com grande exposição à Rússia sofreram pressão. O setor industrial também foi pressionado, após o índice PMI da China recuar à mínima em oito meses (48,1 pontos em março). Ele tem estado abaixo do nível de 50 desde janeiro, indicando contração no setor neste ano.

Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em baixa de -0,56%, a 6.520 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX 30 caiu -1,65%, para 9.188 pontos. Em Paris, o índice CAC 40 perdeu -0,36%, para 4.276 pontos. Já em Milão, o índice FTSE MIB teve desvalorização de -1,65%, para 20.626 pontos.

 

Tri

 

O dólar encerrou em leve queda nesta segunda-feira, com investidores acreditando que se mantenha, no curto prazo, a entrada de moeda estrangeira no país, o que faria o real se valorizar sobre a divisa norte-americana. A moeda recuou -0,17%, cotado a R$ 2,3225 na venda e a R$ 2,3215 na compra, registrando a 3ª queda consecutiva. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1 bilhão.

O mercado operou com cautela também por causa das tensões geopolíticas em torno da Crimeia. A moeda norte-americana chegou a registrar leves altas no início da tarde após investidores aproveitarem a baixa para comprar dólares.

 

Hexa

 

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em alta pelo sexto dia seguido nesta segunda-feira, com valorização de 1,29%, cotado a 47.993,42 pontos. É o maior nível de fechamento desde 14 de fevereiro, quando o índice encerrou o dia cotado em 48.201,11 pontos.

Na semana passada, o índice acumulou alta de 5,37%, na maior valorização semanal desde setembro. Na semana anterior, porém, tinha fechado no menor nível em quase cinco anos.

A alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta segunda-feira foi puxada, principalmente, pelo bom desempenho das ações da Petrobras, Vale, Itaú Unibanco e Bradesco, que estiveram entre as mais negociadas do Ibovespa.

Segundo operadores, investidores estrangeiros estão buscando pechinchas no mercado acionário brasileiro.

 

Prudência no bolso

 

As ações dos Estados Unidos fecharam em queda nesta segunda-feira (24), com alguns dos  melhores desempenhos recentes do mercado, como os setores de tecnologia e biotecnologia liderando as perdas.

O índice Dow Jones caiu -0,16 por cento, para 16.276 pontos. O índice Standard & Poor’s 500  perdeu -0,49 por cento, a 1.857 pontos. O índice Nasdaq Composite recuou -1,18 por cento, para 4.226 pontos.

A preocupação com o aumento da crise na Ucrânia deu aos investidores razão para abandonar ações mais líquidas. O Nasdaq caiu abaixo da média móvel de 50 dias durante a sessão, em um sinal de enfraquecimento da dinâmica de curto prazo.

Mais cedo, a leitura preliminar do índice dos gerentes de compras (PMI) do HSBC para o setor manufatureiro dos Estados Unidos mostrou que a atividade industrial no país vem desacelerando em março.

 

No calar da noite

 

A agência de risco Standard & Poor’s aguardou o fim do pregão da BM&FBovespa para divulgar que a nota de crédito soberano do Brasil foi rebaixada de BBB para BBB-, deixando o país no último degrau das nações com grau de investimento.

O rebaixamento reflete a combinação de deterioração fiscal, a possibilidade que a política fiscal se mantenha débil em meio ao crescimento moderado nos próximos anos, uma capacidade limitada para ajustar essa política antes das eleições presidenciais de outubro e o enfraquecimento das contas externas do Brasil.

Além de reduzir a nota de crédito para a dívida externa do Brasil de longo prazo, a agência também rebaixou a qualificação da dívida brasileira de longo prazo em moeda local de A- para BBB+.

Deixe um comentário