Picolé de chuchu saboroso

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Nesta terça-feira, o mercado financeiro brasileiro teve seu dia de picolé de chuchu – totalmente sem graça. E era exatamente tudo o que precisávamos: de um dia sem desgraças ou perspectivas ruins, perfeito para o investidor refletir e precificar com calma as ações de nossas empresas. No final, o picolé de chuchu acabou sendo muito gostoso. Exatamente 0,36% mais gostoso do que estava ontem – o suficiente para nos garantir uma boa noite de sono.

 

Sem sustos

 

Nesta terça-feira, os investidores asiáticos mantiveram o nervosismo do pregão anterior, prestando bastante atenção à variação dos preços das commodities industriais, que despencaram segunda-feira após a surpreendente divulgação da queda das exportações chinesas em fevereiro.

Os principais índices de ações asiáticos fecharam a sessão de negociação praticamente estáveis:

O índice Nikkei 225, principal referência da Bolsa de Valores de Tóquio, fechou em alta de 0,7%, cotado em 15.224,11 pontos.

O Banco Central do Japão (BOJ) decidiu manter seu estímulo monetário com a visão de que o crescimento da economia e dos preços ao consumidor continua nos trilhos. A instituição, no entanto, piorou sua avaliação das exportações em um sinal de alerta sobre a demanda externa. O BOJ lançou o estímulo em abril de 2013, com o intuito de elevar a inflação do país em um prazo máximo de dois anos através de agressivas compras de ativos. Há quinze anos a economia japonesa sofre com os efeitos da deflação.

O índice SSE Composite, principal referência da Bolsa de Valores de Xangai, fechou em leve alta de 0,1%, cotado em 2.001,16 pontos.

O índice Hang Seng, principal referência da Bolsa de Valores de Hong Kong, fechou sem variação, cotado em 22.290,55 pontos.

O presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, afirmou nesta terça-feira que as taxas de depósito do país devem ser liberadas em um a dois anos – uma importante medida antes de liberar os bancos do país para que determinem suas próprias taxas de juros. Analistas esperam que os controles sobre as taxas de depósitos sejam suspensos gradualmente. O teto atual sobre as taxas de depósito é de 110% do referencial determinado pelo banco central.

O índice Sensex (BSE 30), principal referência da Bolsa de Valores de Mumbai, fechou em baixa de -0,5%, cotado em 21.826,42 pontos.

O índice ASX 200, principal referência da Bolsa de Valores de Sidnei, fechou sem variação, cotado em 5.414,50 pontos.

Para o investidor brasileiro, no cenário atual, uma manhã sem notícias relevantes vindas da Ásia, é sempre uma boa manhã.

 

Impávido colosso

 

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta terça-feira que a produção industrial no país cresceu 2,9% em janeiro na comparação com dezembro do ano passado, mas caiu 2,4% na comparação com janeiro de 2013.

Entre as grandes categorias analisadas pelo IBGE, a de bens de capital foi a que mostrou maior expansão em janeiro na comparação com dezembro, subindo 10%.

No últimos 12 meses, a produção industrial do Brasil acumula uma alta de 0,5%. Em 2013, o indicador havia fechado o ano com alta de 1,2%, puxada pela produção de veículos.

Isso é o que podemos chamar de país de futuro.

 

É capaz de surpreender

 

Se mantiver esse ritmo alucinante de crescimento, a indústria brasileira tem tudo para surpreender (negativamente, é claro) os analistas financeiros consultados pelo Banco Central (Bacen) para elaboração do Boletim Focus.

No último relatório, os analistas diminuíram a projeção de crescimento da produção industrial em 2014, de 1,80% para 1,57%.

 

Meu tesouro tesourinho

 

A sessão desta terça-feira do Tesouro Direto foi marcada pela forte desvalorização nos preços unitários dos títulos públicos indexados pela inflação. Destaque para o NTN-B Principal 150535, de longo prazo, que perdeu 1,71% de seu valor de mercado.

Feliz foi o investidor que surfou o rally de alta deste tipo de título ao longo de fevereiro e teve a percepção de vendê-lo antes do Carnaval. No caso do NTN-B Principal de longo prazo, a rentabilidade acumulada no segundo mês do ano ficou próxima de nove por cento.

Nesta sessão, tanto os títulos pré-fixados (LTN e NTN-F) quanto os indexados à taxa selic (LFT) operaram praticamente estáveis.

 

Dia de chucrute

 

Os mercados europeus fecharam sem direção definida nesta terça-feira, com os investidores ainda demonstrando muita preocupação com o desenrolar dos eventos na Ucrânia.

Em Londres, o índice Financial Times (FTSE 100) fechou em baixa de -0,06%, cotado a 6.685 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX (DAX 30) subiu 0,46%, para 9.307 pontos. Em Paris, o índice CAC (CAC 40) perdeu -0,48%, para 4.349 pontos. Já em Milão, o índice Ftse Mib (FTSE MIB) teve valorização de 0,39%, fechando cotado em 20.833 pontos.

A boa notícia do dia ficou por conta da Bolsa de Valores de Frankfurt que, depois de recuar 2,9% nas duas sessões anteriores, voltou a fechar em alta, reagindo aos últimos dados relativos ao desempenho da balança comercial do país em janeiro. A Alemanha registrou exportações e importações mais fortes do que o esperado no primeiro mês do ano, indicando continuidade da recuperação e aceleração do crescimento da economia do país em 2014.

Quem também teve muito o que comemorar foram os investidores portugueses, uma vez que o país registrou crescimento econômico acima do esperado no último trimestre de 2013. O índice PSI 20, principal indicador de ações da Bolsa de Valores de Lisboa, registrou alta de 0,98%, fechando cotado em 20.833 pontos.

O Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal subiu 0,6% entre outubro e dezembro – 0,1% acima do projetado pelo mercado financeiro. A economia portuguesa foi puxada por uma tímida, porém decisiva, recuperação do consumo interno. No acumulado de 2013, o PIB português caiu -1,4% %, menos que o previsto pelo governo e pela Troika (União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu).

 

É tetra

 

Pelo quarto pregão consecutivo, o dólar registrou valorização ante o real, acompanhando o movimento de alta da divisa norte-americana em relação a outras moedas de países emergentes. O dólar encerrou a sessão de terça-feira com valorização de 0,62%, cotado a R$ 2,3666 para compra e R$ 2,3675 para venda.

Nesta terça-feira, o Banco Central (BC) deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio, vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais com vencimento em 1º de outubro e em 1º de dezembro deste ano. Além disso, deu continuidade à rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril, também vendendo a oferta total de até 10 mil contratos.

 

Quase nada a declarar

 

Depois de amargar uma forte queda de suas principais ações na véspera, o Ibovespa deu sinal de vida, registrando uma leve variação positiva de 0,36% nesta terça-feira, fechando cotado em 45.697 pontos. Foi um típico movimento de ajuste de preços, puxado principalmente pelas ações do Itaú Unibanco e da Petrobras.

A mineradora Vale ficou na contramão do mercado e sua ação preferencial (VALE5) fechou com queda de 1,02%, maior pressão negativa do dia.

 

Down Jones

 

O índice Ibovespa chegou a subir um por cento nos primeiros minutos de negociação nesta terça-feira, mas perdeu força durante a tarde, acompanhando a queda das ações norte-americanas, onde investidores embolsaram lucros recentes após o índice Standard & Poor’s 500 atingir máxima recorde na semana passada.

O índice Dow Jones caiu -0,41%, cotado a 16.351 pontos.

O índice Standard & Poor’s 500 perdeu -0,51%, cotado a 1.867 pontos.

O índice Nasdaq Composite fechou em queda de -0,63%, cotado a 4.307 pontos.

Os índices oscilaram entre ganhos e perdas na primeira parte do pregão por conta de falta de resultados corporativos ou dados econômicos relevantes que pudessem dar uma direção ao mercado. Apesar disso, fecharam próximos das mínimas diárias.

 

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