IBC-Br volta a cair, fechando Julho de 2015 com variação mensal de 0,02%

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São Paulo, 21 de Setembro de 2015 – O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um parâmetro preliminar da evolução do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, caiu 0,02% em julho de 2015 na comparação com o mês anterior. Essa taxa mensal de variação foi obtida após ajustes sazonais dos componentes do indicador. Os dados dos meses anteriores, na margem com ajuste sazonal, também foram revisados pelo Banco Central (BC): retração mensal de -0,73% em junho, avanço mensal de 0,06% em maio, queda mensal -1,02% em abril, recuo mensal de-1,49 em março, alta mensal de 0,74% em fevereiro e queda mensal de 0,14% em janeiro.

De acordo com a série histórica do Banco Central para o indicador, o IBC passou de 141,41 pontos em junho (dado já revisado) para 141,38 pontos em julho. Esse é o nível mais baixo do IBC-Br na série com ajustes sazonais.

Por outro lado, na série observada, houve avanço de 3,55% entre junho e julho deste ano – passando de 140,87 pontos (dado revisado) para 145,87 pontos no período. Mesmo assim, já havia sido verificado um patamar mais baixo nessa série mais recentemente. Em fevereiro deste ano, o IBC estava em 138,02 pontos, também de acordo com dados do BC.

Na comparação entre os meses de julho de 2015 e 2014, houve retração tanto na séria dessazonalizada quanto na série observada. Na série com ajustes sazonais, o IBC-Br de julho de 2015 registrou retração de 3,67% na comparação com julho de 2014. Já na série observada, sem ajustes sazonais, a contração foi de 4,25% do IBC-Br de julho de 2015 com relação ao mesmo mês do ano anterior.

No acumulado de janeiro a julho deste ano, ainda segundo informações do BC, o nível de atividade da economia brasileira, observado por meio do IBC-Br, teve queda de 2,74%. Neste caso, o índice foi calculado antes de ajuste sazonal, uma vez que considera períodos iguais.

Já no acumulado dos últimos doze meses até junho, o indicador (dessazonalizado) registrou contração de 1,89%. Na série observada, a retração acumulada no período é de 1,93%.

Revisão do IBC-Br

Mensalmente, o BC realiza revisões do IBC-Br. Desde que passou a incorporar novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , no entanto, a partir do dado referente a março de 2015, as mudanças têm sido mais drásticas.

No Relatório Trimestral de Inflação de março, o BC já havia destacado que, em função da migração das contas nacionais brasileiras para o Sistema de Contas Nacionais 2010 (SCN 2010), o IBC-Br deveria experimentar revisões na série histórica ao longo dos próximos meses. Isso porque o BC passou a refletir a incorporação das mudanças metodológicas e as novas informações disponibilizadas pelo Instituto. O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses.

Cálculo do IBC-Br

O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos. Esse indicador serve como parâmetro para avaliar o ritmo de crescimento da economia brasileira ao longo dos meses.

Em julho, segundo o IBGE, a produção industrial nacional registrou queda de 1,5% ante junho. Esse foi o quinto resultado negativo da indústria brasileira no ano, período em que já acumula uma perda 6,6%. Já o comércio varejista brasileiro fechou o sétimo mês de 2015 com variação de -1,0% no volume de vendas. A receita nominal voltou a ser positiva, com a variação mensal de 0,1%. Ambas as taxas referem-se à comparação entre as vendas no varejo de junho e julho, após ajuste sazonal dos índices. O setor de serviços, por sua vez, cresceu 2,1% em julho, em relação ao mesmo mês de 2014.

IBC-Br x PIB

O IBC-Br foi criado para tentar ser um antecedente do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, não têm mostrado proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

As projeções de analistas para o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2015 pioraram, de acordo com levantamento divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central.

A expectativa é de que o PIB registre resultado de -2,70%. Na semana anterior, a projeção era de -2,55%.

IBC-Br x Taxa Selic

O IBC-Br também é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, entretanto, os juros básicos estão em 14,25% ao ano – o maior patamar em quase nove anos – e a expectativa do mercado, até o momento, é de manutenção deste patamar.

Pelo sistema de metas de inflação que vigora no Brasil, o BC precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas. Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Desse modo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.

A expectativa do mercado financeiro é que os jurasse mantenham elevados. Segundo analistas, a política de gastos públicos, com dificuldade de ser controlada, e a valorização do dólar, entre outros fatores, tendem a continuar pressionando a inflação este ano.

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