A questão é sobreviver

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A se confirmar a maioria das expectativas, pela primeira vez, desde a década de 30, a economia brasileira experimentará dois anos consecutivos de queda do PIB. A estimativa é de recuo de acima de 3% este ano e, em 2016, retração acima de 2%. Mas, frente ao cenário adverso, é preciso lembrar que a economia é feita de flutuações e ciclos.

Os ciclos podem ser “injustos” ou “justos”, neste último caso, são resultados de políticas econômicas equivocadas, como a nossa realidade atual. Quando há a virada econômica, as previsões caem por terra e, de repente, o país se depara com um conjunto inesperado de indicadores negativos. No entanto, também fica claro que o inverso também pode ocorrer. Assim, após fortes quedas da produção, há a retomada tão intensa ou até mais intensa do que as perdas. Alguns economistas já vislumbram esta visão mais otimista para o segundo semestre de 2016.

Apesar de as projeções serem de continuidade da retração do PIB em 2016, conforme o relatório Focus do Banco Central, há a tendência de, em meados do próximo ano, a economia brasileira dar sinais de fôlego. No entanto, tudo dependerá da questão política, ou seja, da aprovação das medidas de ajuste fiscal. De acordo com Roberto Troster, ex-economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), na atual situação, uma política “contracionista” (juros altos e aperto fiscal) teria um efeito expansionista em função da reação que provocaria nos investidores. Mais uma vez, fica claro que o problema brasileiro é mais político que econômico.

Se a retomada fica para daqui a seis meses, o que é uma notícia de alento, o problema maior é a sobrevivência nos dias atuais. O aumento do desemprego e a queda da demanda marcam a realidade de hoje, o que torna difícil a mudança de percepção entre empresários e consumidores de que algo irá melhorar. Tal situação fica clara nos índices de confiança dos dois lados (consumidores e empresários). Os indicadores medidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que os níveis de confiança se encontram nos patamares mais baixos das séries. Nem o comércio, com sua Black Friday mostra algum sinal de otimismo. Pelo contrário, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou 2,3% em outubro, atingindo 80,6 pontos, o menor nível da série iniciada em março de 2010 e sexto recorde mensal negativo do indicador. O resultado sucede quedas de 4,0%, em setembro, e 4,0%, em agosto.

O cenário para os próximos meses é de cautela para todos os lados. Empresários não investem, consumidores adquirem somente o básico e a produção se retrai. Ao mesmo tempo, investidores sabem que o Brasil está barato, porém não vislumbram o melhor momento de entrar. A sobrevivência parece impossível, mas é preciso lembrar que esta volatilidade do PIB marcou o Brasil por toda a década de 80. A diferença é que era um ano de perda contra um ou dois de alta. Ou seja, os prazos eram mais curtos. E agora há uma certa reticência da população em enxergar que a situação se reverterá.

Mas, se a visão dos economistas estiver correta, é possível se dar conta de que o prazo é de 6 a 12 meses. Sendo assim, o empresariado já tem que começar a traçar cenários menos negativos e se preparar para um futuro aumento da demanda. Claro que não estamos falando de aumento de investimentos, que consomem caixa e deixam a empresa mais vulnerável. A questão imposta aqui é não levantar a bandeira branca porque o Brasil vai acabar. Vale, neste momento, por exemplo, o reforço da marca, traçar planos de negócios e arregaçar as mangas.

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