Inflação: IPCA acelera em Outubro e registra maior variação para o mês desde 2002

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de outubro de 2015 apresentou oscilação mensal de 0,82%. Essa taxa de variação é 0,28% maior que a valorização registrada no mês anterior (0,54%) e 0,40% maior que a aferida em outubro de 2014 (0,42%). A inflação do décimo mês de 2015 também é a maior variação mensal registrada em meses de outubro desde 2002, quando o indicador subiu 1,31%.

Com o resultado apurado em outubro, o IPCA acumulado nos dez primeiros meses de 2015 foi de 8,52%, a maior alta para um período entre os primeiros dez meses do ano desde 1996, quando a taxa foi de 8,70%.

O grupo Transportes foi o grande destaque da variação do IPCA em outubro de 2015. O item combustíveis, que detêm parte significativa das despesas das famílias, participando com 4,89% de peso no IPCA, lideraram o ranking dos principais impactos. Mais caros em 6,09%, os combustíveis ficaram com 0,30%, sendo responsáveis por 37% do resultado do índice.

O consumidor passou a pagar, em média, 5,05% a mais pelo litro da gasolina, combustível de maior peso no índice, 3,83%, exercendo impacto de 0,19%. Os preços chegaram a aumentar 6,21% em São Paulo e 6,12% em Curitiba, enquanto as menores variações foram em Recife (1,70%) e Vitória (1,72%). Este foi o reflexo, nas bombas, do reajuste de 6,00% autorizado ao nível das refinarias em vigor desde o dia 30 de setembro. Em relação aos últimos doze meses, os preços da gasolina acumulam 17,93%. Em Recife a alta atinge 23,38%, ficando com Campo Grandea variação mais baixa, 8,99%.

No caso do etanol, o aumento foi ainda maior, chegando a 12,29%. Mas, como a participação no orçamento é de 0,80%, sua contribuição no índice foi de 0,10%, menor do que a da gasolina. São Paulo sobressaiu com 14,99%, e Recife mostrou a menor variação, 2,85%. Na ótica dos últimos doze meses, os preços do litro do etanol subiram 16,98%. Em Goiânia foi registrada a alta mais expressiva, 24,16%, enquanto a menor ficou com Recife, 5,52%.

No diesel, cujo peso é 0,15%, os preços aumentaram 3,26%, refletindo, nas bombas, o reajuste de 4,00% nas refinarias, também em 30 de setembro. Em relação aos doze meses, a alta está em 15,94%.

A respeito dos ônibus urbanos, a variação de 0,10% foi influenciada por Brasília, onde as tarifas aumentaram 23,08% no mês, refletindo parte do reajuste de 33,34% vigente desde o dia 20 de setembro. Já em Belo Horizonte, observa-se queda de 4,86% tendo em vista que o reajuste de 9,68%. Quanto aos ônibus intermunicipais, a variação de 0,84% se deve, principalmente, aos 9,04% registrados em Porto Alegre, que refletiu parte do reajuste de 10,00% em vigor desde 16 de setembro.

Assim, o reajuste nos preços dos combustíveis levou Transportes (1,72%) ao mais elevado resultado de grupo no mês. Outros destaques no grupo foram passagem aérea (4,01%), pneu (0,94%), ônibus intermunicipal (0,84%), conserto de automóvel (0,69%) e acessórios e peças (0,46%).

A segunda colocação na relação dos principais impactos gerados sobre a variação do IPCA no décimo mês do ano foi ocupada pelo grupo Alimentação e Bebidas, que havia subido 0,24% em setembro e registrou em outubro de 2015 uma variação de 0,77%.

Foi em Belém (1,61%) onde os preços mais subiram; já o Rio de Janeiro (0,28%) mostrou o menor ritmo de crescimento de preços. A alimentação fora de casa teve alta de 0,93%, mais intensa do que os alimentos consumidos em casa (0,68%). Com isto, o grupo Alimentação e Bebidas chegou a 10,39% nos últimos doze meses, tendo Goiânia à frente, com alta de 13,16%, e Belo Horizonte por último, com 7,89%.

As cinco principais altas do grupo alimentação e bebidas foram: frango inteiro (5,98%), açúcar cristal(4,43%), alho (4,12%), cerveja(4,06%), e arroz (3,77%). Quanto às quedas, foram registradas em poucos produtos, destacando-se a cebola, cujos preços caíram (32,64%), e a batata-inglesa, (10,69%) mais barata de um mês para o outro.

Nos itens de despesas com Habitação (0,75%), sobressai o botijão de gás, 3,27% mais caro após ter subido 12,98% em setembro. Com isto, nestes dois meses, o GLP para uso residencial apresenta aumento de 16,67% nos pontos de distribuição ao consumidor, consequência do reajuste de 15% autorizado pela Petrobrás nas refinarias, com vigência a partir do dia primeiro de setembro.

Em Habitação, outros itens fizeram aumentar a despesa do consumido: energia elétrica (0,87%), mão de obra para pequenos reparos (0,58%), aluguel (0,57%) e artigos de limpeza (0,41%).

Sobre a energia elétrica, tanto em São Paulo quanto em Goiânia, além de movimentos nas alíquotas dos impostos, foram incorporadas partes de reajustes concedidos. Em São Paulo, a variação de 1,06% no valor das contas considera o reajuste de 15,50% em vigor a partir de 23 de outubro sobre as tarifas de uma das concessionárias. Em Goiânia, a variação de 4,37% leva em conta o reajuste de 6,71% que passou a vigorar desde 12 de setembro.

Os grupos Despesas pessoais (0,57%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,55%) apresentaram resultados próximos. As variações dos outros grupos que compuseram o IPCA de outubro de 2015 foram: Vestuário (0,67%), Artigos de residência (0,39%); Educação (0,10%); e Comunicação (0,39%). Considerando os demais grupos de produtos e serviços pesquisados, os destaques ficaram com os seguintes itens: excursão (2,70%), plano de saúde (1,06%), empregado doméstico (1,03%), telefone fixo (0,86%) e celular (0,50%).

Dentre as treze regiões metropolitanas pesquisadas para elaboração do indicador, onze registraram aceleração da variação mensal: São Paulo, Goiânia, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Campo Grande, Belém, Recife e Salvador. As demais regiões apresentaram uma valorização menor em outubro do que em setembro.

Dentre os índices regionais, o maior ficou com Brasília (1,24%) em razão da alta de 23,08% no item ônibus urbano, cujas tarifas foram reajustadas em 33,34% a partir de 20 de setembro. O menor índice foi registrado no Rio de Janeiro (0,59%), onde os alimentos consumidos em casa variaram 0,02%, bem abaixo da média nacional (0,68%). .

O IPCA é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 1980 e se refere às famílias com rendimento monetário mensal de 01 (um) a 40 (quarenta) salários mínimos.

A coleta de preços é realizada em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, domicílios e concessionárias de serviços públicos, abrangendo as 13 (treze) principais regiões metropolitanas do país: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Vitória e Porto Alegre, Brasília, Goiânia e Campo Grande.

Para cálculo do IPCA em outubro de 2015 foram comparados os preços coletados no período de 30 de setembro a 27 de outubro de 2015.

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