Impeachment, PIB e outros

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A possibilidade de impeachment da presidente Dilma Roussef trouxe alento momentâneo ao mercado financeiro, com a alta do Ibovespa e a queda do dólar. Mas dois dias após o pedido, investidores pararam para fazerem as contas. Sem entrar em méritos políticos, são claras as contradições que a saída de Dilma pode provocar na economia brasileira. No caso do Collor foi bom para que o Brasil fizesse algumas reformas necessárias e retomasse o crescimento. No caso atual, não há consenso.

De um lado, economistas defendem que o impeachment melhora as expectativas quanto à retomada do crescimento econômico. Do outro, a instabilidade política pode levar ao rebaixamento do rating brasileiro mais rapidamente, provocando a fuga de investidores. Para traçar qualquer perspectiva futura, são dois os principais questionamentos: Qual a probabilidade de a presidente realmente cair? É melhor com Dilma ou sem Dilma? Não há resposta para nenhum deles.

Quanto à primeira questão, basta verificar o posicionamento de famosos juristas na mídia. De um lado, a defesa é de que não existem fundamentos legais para o impeachment. De outro, as pedaladas fiscais, por si só, seriam argumento perfeito para isso. No final das contas, a decisão será política e nem a melhor cartomante sabe o que está na cabeça dos políticos neste momento. O fato é que o processo, por si só trava a economia, pois a falta de clareza no cenário futuro leva ao adiamento do consumo, investimento e aplicações.

Em relação ao segundo questionamento. É preciso lembrar que os problemas econômicos atuais, estão calcados no mandato anterior, momento em que reinou a irresponsabilidade fiscal e gerou a perda da credibilidade da política econômica brasileira. Os indicadores ruins estão aí para comprovar e levam a crer que as projeções de queda do PIB neste ano ainda são conservadoras: o produto deve despencar mais de 4%. De acordo com os dados do IBGE, divulgados esta semana, pela primeira vez desde 1996, o PIB recua por três trimestres consecutivos. Nos nove primeiros meses do ano, a queda acumulada é de 4,5% ante o mesmo período do ano passado. Em entrevista coletiva, a gerente de Contas Trimestrais da Coordenação de Contas Nacionais do Instituto, Claudia Dionísio, mencionou que o indicador reflete a turbulência política.

Como consequência são geradas duas outras questões. A crise foi criada pelo próprio governo, mas a instabilidade provocada pela possibilidade de saída da presidente gerará nova retração econômica, ao menos até que haja uma definição. O processo de impeachment deve durar cerca de sete meses. Até lá, reina a especulação e dúvidas. Portanto, o brasileiro continuará segurando as contas com redução do consumo. Ainda por falta de confiança, o empresariado não tem se comportado de forma diferente. Ao mesmo tempo, a névoa que paira sobre o cenário atual faz o investidor ficar reticente em tomar qualquer decisão. Como avançar se não sabemos onde pisamos?

De uma semana para outra, o cenário tem se modificado, adiando o processo de retomada. Tal fato é um entrave para o empresariado, já que esta época do ano é marcada pelo planejamento. Neste sentido, não é possível traçar planos para os próximos sete meses, a não ser de cortar custos, preservar caixa e estar calcado em investimentos de baixo risco. Ao longo de 2016, após o recesso parlamentar, o cenário começa a clarear.

Para o segundo semestre do próximo ano já é possível verificar um horizonte. Caso Dilma caia, somente as expectativas de reforma econômica e mudanças já gerarão certo otimismo para a retomada do Brasil. Caso a presidente fique, o governo pode sair fortalecido, o que demonstraria o erro da oposição. Neste sentido, também é possível acreditar que haverá melhora econômica. Do lado pessimista, há o enfraquecimento ainda maior do governo e o adiamento das reformas necessárias, o que leva à economia brasileira a continuar patinando por um período maior. As variáveis são inúmeras, mas a realidade é uma só: estar hedgeado para diferentes cenários.

Comentários

  1. Bruno Ricardo diz:

    Parabéns pelo artigo, resta agora espera para vermos o desfecho final dessa situação!!!

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