Café na Arena: com piora da Previdência Social, consultor diz como preparar a aposentadoria

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A Previdência Social passa por um aumento drástico do déficit que pode comprometer as contas públicas e colocar em risco os benefícios dos aposentados, alerta José Raymundo de Faria Junior, sócio diretor da Wagner Investimentos. Em 1988, lembra ele, o déficit somente do regime do INSS era de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Agora, está indo para 8% em 2016, ou seja, o rombo está mais que triplicando em proporção ao tamanho da economia brasileira. Em entrevista ao Café na Arena, ele lembra que parte desse aumento é atribuído à Constituição de 1988 que aumento a rede de proteção social, e parte ao aumento do salário mínimo, que passou de R$ 70 em 1994 para R$ 788 em 2015, um aumento de 1.120%, enquanto o  INPC subiu 350%. Se corrigido pela inflação, isso daria um mínimo de R$ 315.

Há ainda a mudança demográfica pela qual o Brasil passa. Em 2010, tínhamos 50 milhões de jovens até 15 anos e 20 milhoes de adultos acima de 60 ou seja, um casal de adultos para cinco jovens. Para 2050, projeção é 67 milhões de adultos acima de 60 anos para 32 milhões de jovens. Ou seja, um casal de adulto para cada jovem, que terá de sustentar a Previdência.

Além disso, pessoas acima de 80 anos, que hoje são 2,7 milhões, vão pular para 15 milhões, enquanto a população total passará de 200 milhões em 2010 para 220 milhões em 2050. Isso sem falar da previdência dos servidores públicos federais, que cria 1% do PIB de déficit e mais 1% do PIB de déficit da previdência de Estados municípios. Somando os três regimes, em 2014, o déficit atingiu R$ 170 bi, em 2016 R$ 250 bilhões, devendo chegar a em 2050 a R$ 400 bilhões de reais.

Acidentes disparam e aumentam aposentadorias

Faria Junior chama a atenção também para o aumento dos acidentes de trânsito. Os dados do seguro obrigatório, ou DPVAT mostram que o número de acidentes subiu 20% no ano passado sobre 2013, atingindo 763 mil, a maioria de motos. Apenas como comparação, há 10 anos, os acidentes não chegavam a 100 mil acidentes. E a grande tragédia é que são 51 mil mortos por ano, 30% deles pedestres. Só com motos, são 1.300 indenizações médias por dia de invalidez permanente, o que representa, por ano, quase meio milhão de indenizações por invalidez permanente, total e parcial.

Quando guardar para ter R$ 1 mil por mês

Em meio a todas essas pressões sobre o orçamento da Previdência Social, Faria Junior sugere que cada um comece o mais depressa possível a fazer sua própria poupança para a aposentadoria. Ele faz algumas contas. Para receber uns R$ 1 mil por mês, com uma taxa de 4% reais ao ano, já descontado o imposto de renda e custos, durante 35 anos, seria preciso depositar R$ 210 por mês.

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