BCE reduz os juros para -0,4%

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A quantidade de informações econômicas importantes geradas hoje ao redor do mundo foi atípica: decisão de política monetária na Zona do Euro e Varejo, inflação e Ata do Copom no Brasil. Todos apontaram para o mesmo lado: atividade, preços e juros para baixo.

Primeiro o BCE: já tinha comentado ontem que era esperada uma nova queda dos juros por conta da deflação (http://pepasilveira.blogspot.com.br/2016/03/a-inflacao-despenca-e-alimenta-o.html ). Então hoje o Banco Central Europeu reduziu os juros básicos de -0,3% para -0,4%. É isso mesmo: juros negativos para os bancos que deixarem seus depósitos parados junto à autoridade monetária. Essa é uma forma de “obrigar” os bancos a emprestarem os depósitos que recebem de seus clientes. Além disso o BCE fará uma nova rodada de injeção de moeda no sistema bancário por meio de uma série de linhas especiais aos bancos. Veja as taxas de juros dos principais países:

E a única coisa que temos garantia, baseados no histórico recente dos QEs , é que as moedas, juros de títulos públicos e ações sofrerão mudanças. O euro pode se desvalorizar, os juros continuarão caindo (independentemente da posição fiscal dos países) e as aços tendem a subir (independentemente dos efeitos da fraqueza econômica sobre os balanços das empresas).

Já as vendas do varejo de janeiro no Brasil continuaram em queda forte, refletindo a continuidade do derretimento do emprego e da renda das famílias. A queda de janeiro foi de 1,5% e mostra que o Consumo, que representa 60% do PIB, vai cair no primeiro trimestre de 2016. A tabela abaixo sintetiza as principais informações sobre a queda do varejo:

Se as vendas para supermercados (-0,9%) expressam claramente a reação das famílias à queda de sua renda, por conta do desemprego e da inflação, as de móveis e eletrodomésticos (-4,3%), veículos (-0,4%) e materiais para construção (-6,6%), ainda são pressionadas pela forte contração da oferta de crédito. Ainda que as quedas mensais sejam menores que as anteriores, indicando que a velocidade da queda está diminuindo, os sinais são os de que a economia ainda está se contraindo. Ela deve parar de cair em algum momento desse ano, e o mais provável pé que seja no meio do ano. Mas o patamar das vendas ainda será baixo e o ritmo da retomada será lento. Com isso, mantenho a projeção para uma taxa de contração do PIB de 4,20% para esse ano.

O IBRE da FGV divulgou a primeira prévia do Índice Geral de Preços e ela caiu de 1,23% para 0,43%, confirmando a tendência de desaceleração já anunciada pelo IPC-S e pelo IPCA. Veja a tabela:

Houve uma queda substancial entre a primeira prévia de fevereiro e a primeira do mês atual, tanto no IPA (atacado), como no IPC (varejo). Isso ocorreu tanto nos industrializados, como nos agropecuários e resultado de um  dólar mais comportado, da redução dos efeitos negativos das chuvas sobre alimentos in natura e da queda dos preços de energia elétrica. Com isso vou confirmando minha estimativa de IPCA de 6,7% para esse ano. Depois da leitura da Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, também confirmo minhas estimativas para a taxa SELIC: ela deve começar a cair em agosto, fecha o ano em 13,25% e termina 2017 perto de 11%.


Quando as taxas de juros caem e a oferta de moeda sobe sem que o nível de atividade reaja, ocorre o que J.M.Keynes chamou de ARMADILHA DE LIQUIDEZ. Apesar dos juros serem muito baixos, os agentes adiam sua decisão de investir por acreditarem que os juros cairão ainda mais lá na frente (ou que os preços cairão, o que é muito pior).

Quantitative Easing, são esses planos de  estímulos do BCs, baseados em juros muito baixos e expansão monetária.

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