Bolsa tem pregão fraco em dia de protestos pró-Lula; dólar volta aos R$ 3,58

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Em meio ao atual caos político, com as liminares de suspensão da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro se sucedendo e sendo derrubadas e as manifestações pró-governo marcadas para hoje, o Índice Bovespa fechou o dia com queda de 0,19%, aos 50.814 pontos, depois de passar a maior parte do pregão instável. O volume financeiro negociado somou R$ 9,2 bilhões, acima da média diária do ano, de R$ 6,9 bilhões. Na semana, o índice ainda soma alta de 2,37%, com ganhos de 18,74% no mês. No ano, o Ibovespa registra avanços de 17,22%, boa parte graças à entrada de investidores estrangeiros, que só neste mês trouxeram R$ 6 bilhões para a bolsa, elevando o acumulado no ano para R$ 8,158 bilhões.

Do noticiário político, chamou a atenção o discurso da presidente Dilma durante entrega de casas do programa Minha Casa Minha Vida. Bastante irritada, Dilma criticou a interceptação pela Polícia Federal (PF) e a divulgação de suas conversas telefônicas com o ex-presidente. Na Fazenda, o ministro Nelson Barbosa disse que o país vive um momento de confluência política e econômica. “O momento existe para que sejamos realistas e pragmáticos, enfrentando os problemas mais imediatos. É o que estamos procurando fazer. Temos de discutir os problemas políticos, ao mesmo tempo em que devemos discutir os econômicos”, destacou o ministro, alheio aos boatos de que Lula, como novo superministro, pode mudar a política econômica.

Entre as instituições financeiras, as ações ordinárias (ON, com voto) do Banco do Brasil perderam 1,59%, assim como os papéis preferenciais (PN, sem voto) do Bradesco, 1,33%, e as units (recibos de ações) do Santander, 3,99%. Itaú Unibanco, por sua vez, teve ganhos de 0,27%.

Com o petróleo em queda no exterior, Petrobras ON perdeu 1,34%, ao passo que seus papéis ON ganharam 0,25%. De acordo com fontes da agência de notícias da Reuters, a estatal “considera vender o controle da sua subsidiária de combustíveis BR Distribuidora”, depois de tentar, sem sucesso, garantir uma participação minoritária na empresa.

Vale ON caiu 1,10% e seus papéis PNA subiram 3,02%. A mineradora fechou acordo com a chinesa Cosco Shipping Corporation para o transporte 16 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, com validade de 27 anos.

TIM perde 3% e Gerdau Metalúrgica avança 8%

As piores quedas do Ibovespa foram puxadas por Santander unit, TIM ON, 3,33%, Cetip ON, 3,27%, e BB ON. Hoje, a presidente do conselho e principal acionista do banco espanhol, Ana Botín, afirmou que não descarta a possibilidade de aquisições para crescer em seus principais mercados. Já os maiores ganhos do indicador ficaram com Gerdau Metalúrgica PN, 8,16%, Gerdau PN, 6,56%, RaiaDrogasil ON, 3,72%, e Localiza ON, 3,61%.

Na semana, BB perde 10% e Gerdau sobe 14%

De 14 a 18 de março, BB ON amargou queda de 10,51%, com Estácio ON, -8,27%, Kroton ON, -6,07%, e Usiminas PNA, -5,45%. No setor educacional, apesar do momento ruim, o BTG Pactual recomenda em relatório a compra dos papéis da Kroton, com preço-alvo de R$ 14, além da manutenção das ações da Anima e da Estácio, por R$ 13 e R$ 12, respectivamente. Sobre Usiminas, fontes ouvidas pela Reuters, disseram que a reunião de acionistas que decidirá sobre o aumento de capital na companhia de R$ 1 bilhão foi marcada para o próximo dia 18. Na contramão, os melhores avanços da semana ficaram com Gerdau PN, 14,04%, Bradespar PN, 13,93%, Suzano Papel PNA, 13,43%, e CSN ON, 12,18%.

EUA e Europa têm leves ganhos; petróleo perde 2%

Num dia de poucos indicadores nos principais mercados estrangeiros, nos Estados Unidos, o Dow Jones ganhou 0,69%, com o S&P 500, 0,44%, e o índice da Nasdaq, 0,43%. Na zona do euro, no mesmo sentido, o Stoxx 50 avançou 0,55%, seguido pelo francês CAC, 0,44%, e pelo alemão DAX, 0,59%. Já o britânico Financial Times teve queda de 0,19%. Entre as commodities, depois de registrar valorização pela manhã, o petróleo WTI, negociado em Nova York, virou e marcou perdas de 2,21%, para US$ 39,31, assim como o barril do tipo Brent, de Londres, que recuou 0,14%, para US$ 41,48.

Juros fecham em sentidos distintos; dólar cai para R$ 3,58

Enquanto a segunda prévia de março do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentou inflação de 0,43%, as projeções de juros futuros fecharam o dia em sentidos distintos. Para 2017, as taxas subiram de 13,72% ao ano para 13,76%. Os juros dos negócios com vencimento em janeiro de 2018 caíram de 13,51% para 13,45%. Finalmente, 2021 teve projeções estáveis em 13,98%. Na análise da Guide Investimentos, os juros precificaram a possibilidade de avanço de impeachment da presidente Dilma.

O dólar comercial caiu 1,97%, para R$ 3,58, com o dólar turismo, que perdeu 0,78%, vendido a R$ 3,77. A moeda americana segue se desvalorizando no exterior e diante das moedas dos emergentes, movimento ampliado no Brasil pelo cenário político local.

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