Ibovespa cai 2,3% e volta aos 50 mil pontos; dólar fecha a R$ 3,60; Usiminas sobe 100% no mês

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Pressionado pela queda dos papéis dos bancos no fim do pregão, o Índice Bovespa fechou com perdas de 2,33%, aos 50.055 pontos. Entre as instituições financeiras, que concentram o maior peso do indicador, as ações preferenciais (PN, sem voto) do Itaú Unibanco recuaram 2,58%, Bradesco PN, 3,24%, os papéis ordinários (ON, com voto) do Banco do Brasil, 2,86%, e as units (recibos de ações) do Santander, 4,41%. O volume financeiro negociado somou R$ 7,9 bilhões, ante uma média diária mensal de R$ 10 bilhões. Na semana, o Ibovespa subiu 0,80% e 16,97% no mês. No ano, os avanços chegam a 15,47%, enquanto o índice marca baixa de 2,14% em 12 meses.

Aposta na troca de governo

A forte recuperação do Ibovespa reflete a mudança de perspectiva para o pais depois do aumento das chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A leitura do mercado é que um novo presidente teria uma visão mais liberal e menos intervencionista, e conseguiria aprovar reformas que permitiriam a retomada da confiança no país e, com isso, dos investimentos e do crescimento. Hoje, o J.P. Morgan e o Credit Suisse divulgaram relatórios melhorando a recomendação para ações brasileiras. A mesma leitura derrubou os juros e, principalmente, o dólar comercial, que fechou o mês em queda de 10%.

Com o petróleo em trajetórias mistas lá fora, Petrobras ON e PN caíram 0,93% e 1,42%, respectivamente. A estatal decidiu pela redução de 43% dos 5,3 mil cargos gerenciais de áreas não operacionais, mais do que a previsão de corte inicial de 30%. O Credit Suisse considerou a iniciativa positiva, mas insuficiente para sustentar os recentes preços das ações.

Diante do corte da agência de classificação de risco Standard & Poor’s da perspectiva dos ratings da China de estável para negativa, Vale ON caiu 2,83% e suas ações PNA recuaram 3,16%. Além disso, a mineradora negou reportagem do jornal Valor Econômico, que dizia que a japonesa Mitsui avalia a revisão de um acordo com a mineradora de 2014 para tornar-se sócia em um projeto de carvão na África. Segundo a Vale, a Mitsui continua no projeto.

Klabin perde quase 6% e JBS avança 3%

As piores quedas do índice foram puxadas por Klabin unit (BOV:KLBN11), 5,93%, Lojas Renner ON (BOV:LREN3), 5,03%, Cesp PNB (CESP6), 4,46%, e CSN ON (BOV:CSNA3), 4,03%. As exportadoras Klabin e CSN perderam com a queda da divisa americana. Na contramão, as maiores altas do indicador ficaram apenas com três companhias: JBS ON (BOV:JBSS3), 3,11%, Qualicorp ON (BOV:QUAL3), 1,99%, e Rumo Logística ON (BOV:RUMO3), 1,21%.

Usiminas sobe 104 no mês; Petrobras ganha 62%

As ações da Usiminas lideraram a alta deste mês, marcado pela expectativa de mudança no comando do país e da economia. O papel PNA da siderúrgica, que passa por um processo complicado de reestruturação de dívida em meio a uma disputa entre os sócios, subiu 104,54% no mês, mas ainda cai 62,75% em 12 meses. Já Gerdau Metalúrgica PN (BOV:GOAU4) subiu 100,83% em março, mas ainda em queda de 77,29% em 12 meses. Gerdau PN subiu 84,70% no mês, reduzindo a queda em 12 meses para 34,26%. Já Petrobras PN subiu 62,45% no mês, reduzindo o prejuízo em 12 meses para 14,18%. Bradespar PN subiu 51,86% no mês (-36,04% em 12 meses) e Banco do Brasil ON ganhou 47,54% (-5,53% em 12 meses).

BB e Petrobras são destaques da recuperação da bolsa, dentro da visão de que as estatais serão mais beneficiadas pela troca de governo.

Exportadoras são destaque na queda

As maiores quedas de março dentro do Ibovespa foram das ações de exportadoras. Fibria ON caiu 31,05%, Suzano Papel PNA, 23,27%, Embraer ON, 20,89%, Oi ON, 16,67% e as units (recibos de ações) da Klabin, 9,91%. Com exceção da Oi, todas sofreram pela queda do dólar, que reduz os ganhos das vendas ao exterior. A Oi sofre com o alto endividamento. Já Braskem PNA, que perdeu 8,20% no mês, foi atingida pelo escândalo da Lava Jato, que envolveu sua controladora, a empreiteira Odebrecht.

Vale sobe 33% e bancos ganham mais de 20% no mês

Entre os principais papéis do Ibovespa, merecem destaque os papéis da Vale. A ação ON da mineradora ganhou 28,28% no mês e a PNA, 32,94%, reduzindo as perdas em 12 meses para 11% e 21,54%, respectivamente. Os bancos também foram destaque em março, com Itaú Unibanco PN acumulando alta de 22,95% e Bradesco PN, 26,96%.

Europa devolve ganhos; EUA e petróleo tem direções mistas

O mercado acionário europeu reagiu hoje à prévia do Índice de Inflação ao Consumidor em março, que passou de -0,2% para -0,1% na comparação anual, ainda longe da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE). Na Alemanha, as vendas no varejo em fevereiro caíram 0,4% na base mensal, pior que a alta esperada de 0,4%. O Stoxx, dos 50 papéis mais líquidos do bloco, teve recuo de 1,29%, acompanhado pelo britânico Financial Times, 0,46%, pelo francês CAC, 1,34%, e pelo alemão DAX, 0,81%.

Já nos Estados Unidos, os investidores repercutiram o aumento dos pedidos de auxílio desemprego, de 265 mil para 276 mil na semana até 26 de março, contra uma estimativa de mercado de 265 mil. O Dow Jones recuou 0,18%, assim como o S&P 500, 0,20%, enquanto o índice da Nasdaq ficou praticamente estável.

Depois de bater avanços de 1% no período da tarde, petróleo WTI, negociado em Nova York, teve desvalorização de 0,39%, para US$ 38,17, ao passo que o Brent, de Londres, ganhou 0,87%, para US$ 39,60.

Juros sobem com Relatório de Inflação e dólar fecha a R$ 3,60

Os juros futuros mantiveram sua tendência de alta, com as taxas para 2017, que subiram de 13,76% ao ano para 13,86%. Para 2018, as projeções passaram de 13,46% para 13,71%, assim como as taxas dos contratos válidos até 2021, que avançaram de 13,64% para 13,88%. Com a perspectiva de a inflação estourar a meta este ano (6,6%), o Banco Central (BC) informou que não trabalha com a hipótese de reduzir a taxa básica de juros (Selic), segundo o Relatório de Inflação da autoridade monetária.

Em dia de leilão de até 17 mil contratos de swap reverso com vencimento em 1º de julho e 3 de outubro deste ano, por parte do BC, o dólar comercial caiu 0,69%, sendo vendido a R$ 3,60, seguido pelo dólar turismo, que perdeu 0,79%, para R$ 3,75 na venda. No total, 2,9 mil contratos foram vendidos, cerca de US$ 143,5 milhões ou 17% do ofertado.

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