Petrobras tem 2º maior prejuízo da história da Bovespa; analistas evitam recomendar o papel

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No ano passado, o prejuízo da Petrobras bateu R$ 34,8 bilhões, o segundo maior em base anual da história entre companhias do mercado aberto brasileiro, segundo levantamento da Economatica. A petroleira (BOV:PETR3 e BOV:PETR4) perdeu apenas para a mineradora Vale, que no mesmo período registrou perdas de R$ 44,2 bilhões por conta da queda do minério de ferro.

Ainda assim, no fim de 2015, a dívida da estatal totalizou R$ 492,8 bilhões, um recuo de R$ 13,7 bilhões na comparação com setembro do mesmo ano.

Já a dívida de curto prazo da empresa atingiu seu maior nível em dezembro, aos R$ 57,4 bilhões. Enquanto isso, o caixa da companhia em dezembro somou R$ 100,8 bilhões, uma baixa de R$ 3,4 bilhões, também comparado a setembro.

Quando analisado o valor de mercado da Petrobras versus seu patrimônio líquido no ano, ele cai de 47,7% do que a empresa valia em março de 2015 para 36% no terceiro trimestre do ano anterior, diante da rápida deterioração das contas da estatal.

Em reais, em 21 de março do ano passado, a Petrobras estava avaliada em R$ 121,4 bilhões na bolsa, ante R$ 101,3 bilhões em 31 de dezembro de 2015 e R$ 121,4 bilhões em março deste ano. O maior valor de mercado registrado pela petroleira ocorreu em 21 de maio de 2008, aos R$ 510,4 bilhões. Desde então, até 21 de março deste ano, a empresa perdeu R$ 389 bilhões.

Avaliações de ações

Diante do recente balanço da Petrobras, a Ativa Investimentos classificou o resultado como negativo, mas manteve recomendação “neutra” ou seja, manter, para o papel. Para a corretora, a estatal “segue sofrendo a tempestade perfeita”, com a queda do preço do petróleo jogando as receitas para baixo e provisões de pelo menos R$ 47,7 bilhões.

O relatório da casa ainda ponta que “o aumento na cotação do dólar eleva o montante e o custo da dívida, agravando uma situação financeira que já complicada por emissão de dívida em excesso”. Apesar do cenário complexo, os analistas da Ativa evitam mandar vender os papéis por conta do “contexto de desatamento do nó político”, em que a companhia seria amplamente beneficiada.

No mesmo sentido, os analistas Antonio Junqueira, Julia Ozenda e Andres Cardona do BTG Pactual deram classificação “neutra”, ou manter, para os papéis da estatal, com preço-alvo de R$ 10,86 ou US$ 3 o ADR (American Depositary Receipts, recibos de ações estrangeiras negociadas nos Estados Unidos). Como cada ADR compreende duas ações, os papéis da estatal estão sendo negociados por R$ 5,43 ou US$ 1,50, já considerando que a empresa depende de uma reversão nos preços do petróleo e mudanças internas agressivas.

No BB Investimentos, a aposta também foi de neutralidade, em meio ao andamento do programa de desinvestimento da Petrobras, aos impactos da dinâmica dos preços do petróleo mais baixos e um resultado incerto das ações coletivas contra a empresa nos EUA. No banco de investimentos, o preço-alvo sugerido para as ações foi de R$ 12,10 para os próximos 12 meses.

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Fonte: Economatica

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