Semana tem agenda movimentada com clima quente na política, IPCA, ata do Copom e medidas do BCE

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A semana promete ser agitada tanto no campo político quanto no econômico. Os desdobramentos da suposta delação premiada do senador e ex-líder do PT Delcídio do Amaral (foto) sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff serão acompanhados de perto pelo mercado, que voltou a apostar na saída antecipada da presidente. Essa perspectiva de mudança fez o Índice Bovespa subir 7 mil pontos na semana passada, ou 18%, a melhor performance da bolsa em sete anos. O mercado vê na saída de Dilma uma chance de o país retomar a confiança dos empresários e investidores locais e estrangeiros, permitindo uma melhora da economia, que hoje caminha para outra recessão e queda de mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Se as declarações forem confirmadas – Delcídio não negou nem confirmou as informações da revista IstoÉ oficialmente, mas dois de seus advogados abandonaram o processo contra ele no Supremo Tribunal Federal alegando terem sido pegos de surpresa pela delação – e, mais importante, comprovadas, haveria razões para iniciar um processo de afastamento. Delcídio teria dito que Dilma tentou interferir nas investigações da Lava Jato, que apura desvio de recursos na Petrobras por grupos políticos.

Radicalização e protestos no domingo

A polêmica do depoimento forçado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato, por sua vez, levantará a questão da reação das chances dele e do PT continuarem no poder em 2018. Lula deve começar a usar sua marca de maior líder popular do país e sair em campanha antecipada, acusando seus acusadores de perseguição. O PT e seus partidários veem uma conspiração das elites e do Judiciário para prejudicar o projeto de governo popular da presidente e de Lula, o que pode radicalizar ainda mais os ânimos na sociedade brasileira.

Todos esses fatores aumentam a importância do protesto contra o governo marcado pelos grupos que pedem a saída de Dilma no próximo domingo, dia 13, e que, se for maior que os anteriores, pode reduzir ainda mais o apoio político da presidente.

Solidariedade de Dilma a Lula

No fim de semana, Dilma veio a São Paulo prestar solidariedade a Lula, o que foi visto como uma forma de reaproximar o PT da presidente depois da ação da Polícia Federal. Parte do PT acusa o governo de não segurar o que considera abusos do Ministério Público e da Polícia Federal contra o partido e Lula. A pressão levou à saída do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Seu substituto teve a posse suspensa por uma liminar da Justiça obtida pelo DEM, que alega que ele ainda trabalha no Ministério Público da Bahia e não pode assumir o cargo, criando um novo problema político para a presidente Dilma.

No campo econômico, a atração principal será a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e a divulgação dos dados de inflação do IGP-DI e IPCA de fevereiro são os principais eventos da próxima semana. No cenário internacional, tem repercussão das prévias para presidente nos Estados Unidos e o BCE deve divulgar novas medidas de estímulo.

Segunda-feira, 7 de março:

Entre segunda e terça da próxima semana, será conhecida a balança comercial chinesa de fevereiro. A expectativa é de uma queda em 14,5% anual nas exportações. Do conselho do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, o banco central americano, Fischer e Brainard falarão na próxima segunda.

Terça-feira, 8:

Na terça-feira será conhecido o IGP-DI de fevereiro. A expectativa do Banco Fator é de alta de 1,03% no mês, o que levaria a variação do índice em 12 meses de 11,65% para 12,20%.

 Quarta-feira, 9:

Na noite de quarta-feira, serão conhecidos os índices de inflação ao consumidor e produtor na China. No primeiro, espera-se leve aceleração de 1,8% para 1,9% em 12 meses Já a deflação no PPI pode passar de -5,3% para -4,9% em 12 meses.

 Quinta-feira, 10:

O Copom divulga a ata da sua última reunião na quinta-feira. O comitê decidiu manter a Selic em 14,25% ao ano, em decisão com dissenso pela terceira vez consecutiva. A novidade no comunicado foi retirar a referência sobre a “elevação” das incertezas domésticas e externas. O dissenso indica que os próximos passos dependerão criticamente da evolução da inflação e sua expectativa para os próximos dois meses, pelo menos, avalia do Banco Fator. Outro evento importante deve ser o anúncio de novas medidas de estímulo econômico pelo Banco Central Europeu (BCE).

Sexta-feira, 11:

O IBGE divulga na sexta-feira o IPCA de fevereiro, indicador usado pelo Banco Central (BC) em suas metas de inflação. A sua prévia, o IPCA-15, surpreendeu vindo acima da mais pessimista das projeções. Os reajustes das matrículas e transportes públicos pesaram, enquanto alimentação continuou subindo em patamar alto. Para o IPCA da próxima semana, o Fator espera alta de 0,98% no mês e 10,44% em 12 meses. 

Sábado, 12:

Para fechar a semana, a China divulga no sábado os dados para indústria e comércio no primeiro bimestre do ano. Com o feriado do Ano Novo Lunar, a China divulgará os dados acumulados entre janeiro e fevereiro nessas atividades.

Domingo, 13:

Grupos que pedem a saída da presidente Dilma marcaram protestos em todo o país. O movimento deve ganhar força após as denúncias de Delcídio e da ação da PF contra Lula na Operação Lava Jato. Além do tamanho dos protestos, é preciso acompanhar eventuais radicalizações e confrontos entre grupos pró e contra o PT.

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