Com impeachment e cenário externo, Ibovespa sobe e dólar cai para R$ 3,52

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O mercado brasileiro segue acompanhando atentamente os desdobramentos do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara e o cenário externo. O Índice Bovespa iniciou o dia em alta de mais de 1%, atingindo os 51.088 pontos, mas perdeu força diante das incertezas locais e do cenário externo, menos favorável para o risco. Já o dólar atingiu sua mínima do ano, sendo vendido no segmento comercial a R$ 3,52, em queda de  2,14%. A volatilidade do mercado deve aumentar com a aproximação da votação do impeachment, provavelmente no domingo, dia 17.

Às 13h40, o Índice Bovespa tinha alta de 0,65%, aos 50.617 pontos. Os bancos, com forte peso no indicador, subiam, com destaque para as ações PN (preferenciais, sem voto) do Itaú Unibanco (BOV:ITUB4), com 2,05% de ganho, seguidas das PN do Bradesco (BOV:BBDC4), 3,50% e das ordinárias, (BOV:BBDC3) com 2,5%. As ON do Banco do Brasil (BOV:BBAS3) subiam 2,50 também enquanto as units (recibos de ações) do Santander (BOV:SANB11) caíam 0,65%.

Os papéis da Petrobras subiam, 2,91% o PN (BOV:PETR4) e 0,29% o ON (BOV:PETR3), beneficiados pelo impeachment, que pode melhorar a gestão da empresa, e pela alta do petróleo no exterior. Vale ON (BOV:VALE3) subia 5% e o papel PNA (BOV:VALE5), 4,8%.

Comissão de impeachment

No cenário local, o destaque vai para a votação do relatório da Comissão do Impeachment na Câmara. Em meio a muito bate-boca, a expectativa é de aprovação do texto pedindo a saída da presidente Dilma. Mas não há garantia de que o texto será aprovado pelo Plenário da Câmara na votação esperada para o próximo domingo, dia 17.

Segundo Flavio Conde, da What’s Call, levantamento do Estadão indicava 291 votos a favor do impeachment, 61 indecisos, 46 que não quiseram responder e 115 contra. Como são necessários 342 votos a favor, o analista considera pequena a chance de o impeachment passar, por mais que torça pela decisão.

Dólar para proteção da carteira

O governo, diz Conde, tem a caneta na  mão para distribuir cargos e dinheiro. “Supondo que os 46 que não responderam não irão votar, seria necessário que 75% dos indecisos, ou 51 de 61, votem a favor, um percentual muito alto e difício de atingir, a não ser que algo relevante na semana ocorra”, diz. Ele recomenda ao investidor vender no exagero do começo do pregão e comprar mais tarde. Já para o dólar, a recomendação é comprar naquela parcela de proteção da carteira.

Inflação na China e commodities em alta

No exterior, os dados da inflação na China mostraram uma alta de 2,3% em março em 12 meses, abaixo da meta de 3% e um dos maiores níveis desde 2003. O minério de ferro acompanhou o otimismo com a China e subiu 4,8%, para US$ 56,62 a tonelada, a maior alta em um mês. O petróleo também segue em alta, com o barril negociado em Nova York cotado a US$ 40,16, em alta de 1,1%. O ouro também está em alta, de 0,7%, com a onça-troy (31,104 gramas) cotada a US$ 1.249,05, o maior preço em três semanas, segundo a Bloomberg.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

As maiores quedas do Ibovespa são de Lojas Americanas PN (BOV:LAME4), com 5,42%, seguidas das unit de Klabin (BOV:KLBN11), com 4,06%, Embraer ON (BOV:EMBR3), 3,9%, Kroton ON (BOV:KROT3), 3,69% e JBS ON (BOV:JBSS3), 3,3%. As empresas exportadoras sofrem com a queda do dólar.

As maiores altas do índice são de  CSN ON (BOV:CSNA3), 8%, Usiminas PNA (BOV:USIM5), 5,9%, Bradespar PN (BOV:BRAP4), 5,7% e as ações da Vale. As siderúrgicas e a mineradora acompanham a melhora das perspectivas para a China.

Europa fecha sem tendência

Os índices de ações na Europa encerraram os negócios de hoje sem uma tendência definida, apesar da maioria estar em alta. O Stoxx 50, que reúne os 50 papéis mais negociados da região, subiu 0,42%, assim como o DAX, da Alemanha, com 0,63%, e CAC, de Paris, com 0,22% e o Ibex, da Espanha, com 0,83%. Já o Financial Times caiu 0,7%. Os mercados foram beneficiados pela melhora dos papéis de empresas ligadas às commodities, como petróleo.

EUA, ligeira alta à espera dos resultados

Nos Estados Unidos, o Índice Dow Jones subia 0,55%, em meio à expectativa com os resultados das empresas no primeiro trimestre deste ano, que começam hoje com os números da fabricante de alumínio Alcoa.  A expectativa dos analistas é de uma queda nos lucros de 9,8% em relação ao ano passado. Já o Standard & Poor’s 500 subia 0,25% e o Nasdaq, 0,50%.

Dólar em baixa aqui e no exterior

O dólar segue em baixa no exterior, com a expectativa dos investidores de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) não vai subir seus juros tão cedo. Com isso, o iene se fortaleceu, para 108,23 por dólar, o menor nível em 17 meses.

No Brasil, a moeda americana segue com tendência de baixa no médio prazo e alta no longo, segundo análise de José Raimundo Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos. Hoje, o BC vendeu US$ 385 milhões do US$ 1 bilhão de swap cambial reverso ofertado, que serve como compra de dólar. Ele observa que o relatório Focus mostra queda nas projeções de inflação para este ano, o que pode favorecer uma queda nos juros ainda no segundo semestre.

Região de compra

Para Faria Júnior, como o impeachment, o mercado de dólar entra novamente na “região de compra”. “A dúvida é ate onde o dólar pode cair”, diz. Há ainda o motor externo, com o dólar fraco no exterior diante de outras moedas e a expectativa de manutenção dos juros na reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Fed no fim deste mês.

Ele lembra que o dólar pode cair mais, o que levaria o BC a cortar os juros e seguir nas intervenções diárias para segurar a moeda. Mas o real pode se valorizar ainda mais pela melhora da percepção do país pelos estrangeiros e pela repatriação de ativos, que entrou em vigor na segunda-feira e vai até outubro.

Fatores negativos para o real

Ele aponta, porém, que há pontos importantes que podem influenciar a moeda brasileira que são a situação gravíssima dos Estados e municípios, e a possibilidade de o governo aprovar uma renegociação de dívidas sem contrapartida. Há ainda a decisão do Supremo Tribunal Federal de não permitir que o Tesouro cobre juros compostos sobre a dívida de Santa Catarina e que deve ser alvo de pedido do Rio Grande do Sul. E ainda as dificuldades que um novo governo de Michel Temer teria pela frente.

Juros em baixa

No mercado futuro de juros, as projeções dos contratos para janeiro de 2017 caíram de 13,77% na sexta-feira para 13,76% hoje. Para janeiro de 2018, a projeção recuou de 13,51% para 13,41%, para 2019, de 13,61% para 13,50% e, para 2021, de 13,70% para 13,58%.

No mercado de câmbio, o dólar comercial era negociado a R$ 3,52 para venda, em baixa de 2,14%, enquanto o dólar turismo era vendido a R$ 3,69, em queda de 3,14%.

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