Com impeachment mais forte, Ibovespa mantém avanços; Rumo cai 16%, juros sobem e dólar bate R$ 3,69

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No dia em que o mercado voltou a acreditar nas chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff por conta das declarações do ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otavio Marques de Azevedo, que teria dito em delação premiada que a empreiteira pagou doações feitas à campanha de Dilma Rousseff com dinheiro de obras superfaturadas, o Índice Bovespa avançou 0,87%, para 48.513 pontos. O volume financeiro do pregão foi fraco, R$ 5 bilhões, ante uma média diária de R$ 6,9 bilhões em 2016.

Em discurso durante solenidade no Palácio do Planalto, Dilma criticou o vazamento de informações da Operação Lava Jato, afirmando que o “vazamento seletivo” tem o objetivo de “criam ambiente propício para o golpe”. Já o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, defendeu o sigilo das delações premiadas “enquanto as partes não abrirem mão do sigilo”.

Além disso, a apresentação do relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) na comissão especial acirrou ainda mais os ânimos entre os defensores e opositores do impeachment.

Mesmo sob pressão do impasse político, as ações preferenciais (PN, sem voto) do Itaú Unibanco (BOV:ITUB4) ganharam 1,08%, como os papéis ordinários (ON, com voto) do Banco do Brasil, 3,08% (BOV:BBAS3), e as units (recibo de ações) do Santander, 0,30% (BOV:SANB11). Na contramão, Bradesco PN (BOV:BRAP4), caiu 3,67%.

Os investidores em Petrobras, por sua vez, ignoraram as informações do jornal “Valor Econômico” de que a estatal “teria aprovado investimento de US$ 26 bilhões em uma refinaria e dois polos petroquímicos, mesmo sabendo que jamais dariam retorno”. Os papéis ON da petroleira subiram 2,16%, assim como os PN, 1,85%. Por fim, Vale ON e PNA caíram 0,40% e 1,32%, respectivamente, pressionadas pela notícia de que sua subsidiária Samarco “não poderá voltar a operar até que cesse vazamento de suas barragens”, também de acordo com o “Valor”.

RaiaDrogasil ganha 5% e Rumo perde 16%

Os maiores avanços do Ibovespa foram liderados por RaiaDrogasil ON (BOV:RADL3), 5,32%, BB Seguridade ON (BOV:BBSE3), 3,41%, JBS ON (BOV:JBSS3), 3,13%, e BB ON (BOV:BBAS3). Já as piores quedas ficaram com Rumo Logística ON (BOV:RUMO3), 16,92%, Gerdau Metalúrgica PN (BOV:GOAU4), 5,15%. Cia Hering ON (BOV:HGTX3), 3,46%, e Lojas Americanas PN (BOV:LAME3), 2,65%. A especializada em logística Rumo foi fortemente afetada pelas notícias de que sua briga com a cliente Agrovia poderá ter um desfecho desfavorável. Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”, a indenização a ser paga pela Rumo pode ser superior a R$ 300 milhões.

EUA e Europa caem forte; petróleo tem leve recuo

O mercado americano refletiu hoje os dados de pedidos de auxílio desemprego do país, que recuaram de 276 mil para 267 mil na semana até 2 de abril, abaixo das estimativas dos analistas, de 270 mil. Os investidores aguardam ainda um discurso da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, para às 18h30. O Dow Jones perdeu 0,98%, seguido pelo S&P 500, 1,20%, e pelo indicador da Nasdaq, 1,47%.

No mesmo sentido de baixa, na Europa, o Stoxx, dos 50 papéis mais líquidos da região, teve recuo de 1,30%, como alemão DAX, 0,98%, o britânico Financial Times, 0,40%, e o francês CAC, 0,90%. Entre as commodities, em baixa desde o período da manhã, o petróleo WTI, negociado em Nova York, caiu 0,82%, para US$ 37,44, acompanhado pelo Brent, de Londres, que recuou 0,63%, para US$ 39,59.

Juros sobem e dólar bate R$ 3,69

As projeções dos juros futuros fecharam em alta. Para 2017, as taxas avançaram para 13,84%, ante 13,80% ontem. Os contratos válidos até janeiro de 2017 tiveram juros de 13,77%, contra projeção anterior de 13,69%. Por fim, os juros para 2021 passaram de 14,13% para 14,17%. As taxas foram pressionadas pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de março, que desacelerou para 0,43%, inferior às observadas em fevereiro, de 0,79%. Em evento, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse acreditar numa queda de inflação no país durante os próximos meses.

No mercado cambial, o Banco Central (BC) vendeu 8,5 mil contratos de swap cambial reverso, dos 20 mil ofertados. O dólar comercial subiu 1,26%, para R$ 3,69 na venda, seguido pelo dólar turismo, que ganhou 0,78%, sendo vendido a R$ 3,84.

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