Ibovespa sobe 3,6% e BB 11% com aposta no impeachment; dólar recua para R$ 3,60

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Puxado pela volta da aposta no impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Índice Bovespa fechou com alta de 3,67%, aos 50.292 pontos. Os papéis dos bancos impulsionaram o indicador brasileiro, assim como as ações da Petrobras e da Vale. Em meio ao início dos debates na Comissão de Impeachment, o mercado se animou ainda com o parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre a indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil.

Ele condenou a decisão de Dilma e considerou que o objetivo era obstruir as investigações da Lava Jato, aumentando a pressão sobre Lula e sobre a presidente, e reforçando a possibilidade de impeachment. Novas denúncias de contribuições ao PT com recursos desviados de contratos públicos feitas pela Andrade Gutierrez também complicam a situação do governo. Além disso, os investidores repercutiram positivamente a forte valorização do petróleo no exterior, beneficiado pelas perspectivas de aquecimento da economia americana e de controle da produção.

O volume financeiro do pregão somou R$ 8 bilhões, superior à média diária de R$ 6,9 bilhões de 2016. Na semana, o Ibovespa teve queda de 0,53%. No ano, o avanço do índice é de 16,02%.

As apostas no impeachment beneficiaram as estatais, como Petrobras e Banco do Brasil. Mas os bancos, que têm maior peso no Ibovespa, também subiram com força. Entre as instituições financeiras, as ações preferenciais (PN, sem voto) do Itaú Unibanco ganharam 6,30%, como os papéis ordinários (ON, com voto) do Banco do Brasil, 11,53%, as units (recibo de ações) do Santander, 0,72%, e Bradesco PN, 4,94%. Com o petróleo subindo 6% lá fora, Petrobras ON ganhou 5,53%, seguidas por seus papéis PN, 7,27%. Finalmente, Vale ON e PNA subiram 8,19% e 8%, respectivamente.

A presidente Dilma continuou com sua estratégia de obter apoio de movimentos populares e atacar os que defendem o impeachment. Hoje, em evento no Rio de Janeiro, ela afirmou que as pessoas que querem interromper o seu mandato são as mesmas que consideram “erro” colocar recursos em programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida. Ela defendeu que os opositores querem “pescar em águas turvas” e comparou-os a um “vizinho invejoso”.

Para o professor titular do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Brasilio Sallum Jr., porém,  não há golpe contra o governo, mas um processo semelhante ao que ocorreu na deposição de Fernando Collor de Mello, por motivos diferentes. Na visão de Sallum, a principal questão do atual embate político está relacionada ao entendimento de como gerir o Estado.

Rumo sobe 20% e Fibria cai 6%

As maiores altas do índice foram lideradas por Rumo Logística ON, 20,37%, Usiminas PNA, 14,29%, BB ON, e Gerdau Metalúrgica PN, 11,31%. A Rumo recuperou as perdas dos últimos dias causadas pela notícia de que a empresa teria de pagar até R$ 300 milhões por conta de uma disputa com a Agrovia, além disso, ontem o Conselho de Administração da companhia aprovou um aumento da capital de R$ 2,6 bilhões para melhorias operacionais.

Já as piores quedas ficaram com Fibria ON, 6,55%, Klabin unit, 5,71%, JBS ON, 5,69%, e Marfrig ON, 3,16%. As companhias que recuaram são todas exportadoras e foram afetadas pela desvalorização da divisa americana.

Na semana, CSN ganha 13% e Klabin perde 14% 

De 1º a 8 de abril, os maiores avanços do Ibovespa foram de CSN ON, 13,79%, Localiza ON, 6,77%, BB ON, 5,72%, e Cielo ON, 5,22%. Na contramão, as piores baixas do indicador no período ficaram com Klabin unit, 14,95%, Suzano Papel PNA, 11,51%, JBS ON, 10,51%, e Cemig PN, 10,47%.

EUA e Europa sobem; petróleo bate 6%

Após cair ontem com as declarações do presidente J.P. Morgan, Jamie Dimon, de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode estar errado e que teria de elevar bruscamente os juros locais, as bolsas americanas voltaram a subir hoje, repercutindo as afirmações da presidente do Fed, Janet Yellen. Ontem, no início da noite, ela reafirmou que está confiante na recuperação da economia americana e que os juros devem subir devagar. Com isso, as bolsas e as commodities, especialmente o petróleo, ganharam força hoje. O Índice Dow Jones ganhou 0,20%, seguido pelo S&P 500, 0,28%, e pelo índice da Nasdaq, 0,05%. Também em alta, o europeu Stoxx 50 avançou 1,41%, acompanhado pelo britânico Financial Times, 1,10%, pelo alemão DAX, 0,96%, e o pelo francês CAC, 1,35%.

Nove dias antes da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) que discutirá uma redução da produção da commodity, o barril do WTI, negociado em Nova York, subiu 6,12%, para US$ 39,54, como o Brent, de Londres, que ganhou 5,96%, para US$ 41,78.

Juros caem e dólar recua para R$ 3,60

As projeções de juros futuros para 2017 caíram acentuadamente hoje, de 13,88% ao ano para 13,78%. Para 2018, as taxas passaram de 13,77% para 13,53%, enquanto 2021 teve juros de 13,75%, ante 14,18% ontem, com a possibilidade maior de uma mudança de governo que retome a disciplina fiscal e o controle da inflação. Hoje também o IPCA, índice usado pelo Banco Central em suas metas de inflação, mostrou desaceleração forte, fechando em 0,43% em março e menos de 10% em 12 meses.

A possibilidade de impeachment pressionou hoje também o dólar, apesar da continuidade dos leilões de swap cambial reverso por parte do Banco Central (BC). A divisa americana no segmento comercial brasileiro caiu 2,40%, para R$ 3,60 na venda, assim como o dólar turismo, que recuou 0,78%, vendido a R$ 3,81.

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