Ibovespa volta aos 54 mil pontos com avanço de 2,63%; EUA mantêm juros e dólar sobe para R$ 3,52

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No aguardo da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sobre a trajetória da Selic, o Índice Bovespa fechou o dia com ganhos 2,63%, aos 54.477 pontos, perto da máxima do dia, puxado pelo forte desempenho das ações dos bancos. O volume financeiro do pregão somou R$ 8,3 bilhões, mais que a média diária de R$ 7,2 bilhões registrada no ano. Trata-se do maior nível do indicador desde 25 de maio de 2015.

O mercado espera que os juros locais sejam mantidos em 14,25% ao ano. Para os economistas do Banco Fator, também devem ser eliminadas nessa reunião as desavenças entre as votações dos diretores do Copom, o que representará os primeiros passos para uma redução futura das taxas.

Os papéis preferenciais (PN, sem voto) do Itaú Unibanco PN registrou alta de 3,42%, seguido por Bradesco PN, 3,52%, pelas ações ordinárias (ON, com voto) do Banco do Brasil, 2,53%, e pelos recibos de ações (units) do Santander, 2,36%. A matriz brasileira do banco espanhol informou pela manhã lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, 77,4% superior ao do mesmo período do ano passado. O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, negou mais cedo que as iniciativas de renegociações com devedores mascarem a situação da inadimplência do setor, como havia sido sugerido pela agência de classificação de risco Moody’s.

Com a ajuda do petróleo em alta no exterior, Petrobras ON ganhou 4,85%, como suas ações PN, 6%. Apesar do recuo do minério de ferro no mercado internacional, Vale ON e PNA também avançaram 4,07% e 3,11%, respectivamente.

Do quadro político, o início da formação de uma eventual gestão do vice-presidente Michel Temer animou o mercado durante o período da tarde, com indicações de que o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, tem grandes chances de assumir o comando da economia em um governo provisório. À tarde, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros escreveu em sua página no Facebook que Temer já teria fechado Meirelles para a Fazenda e com Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, para o BC.

Usiminas atinge 7% e Estácio perde quase 3%

As maiores altas do Ibovespa, sem contar Petrobras ON, foram lideradas por Usiminas PNA (BOV:USIM5), 7,50%, Cosan ON (BOV:CSAN3), 6,47%, Gerdau PN (BOV:GGBR3), 5,48%, e Gerdau Metalúrgica PN (BOV:GOAU4), 5,40%. Hoje, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) eleja membros dos conselhos de Administração e Fiscal da Usiminas. Na ponta negativa, os piores perdas do índice ficaram com Estácio ON (BOV:ESTC3), 2,88%, JBS ON (BOV:JBSS3), 2,13%, Fibria ON (BOV:FIBR3), 1,72%, e Oi ON (BOV:OIBR3), 1,16%.

Com Fed, EUA têm trajetórias mistas; Europa ganha e petróleo bate 3%

Refletindo a preocupação do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) com a economia americana e o anúncio de manutenção dos juros do país, o Dow Jones teve avanço de 0,28%, como o S&P 500, 0,16%. Já o índice da Nasdaq perdeu 0,51%, ainda sob o impacto dos resultados ruins da Apple anunciados ontem. Por lá, as vendas pendentes de casas cresceram 1,4% em março, depois de avançar 3,4% em fevereiro. Além disso, os pedidos de hipotecas diminuíram 4,1% na semana até 22 de abril, após aumento de 1,3% na semana anterior. Amanhã o mercado acompanha a prévia do PIB americano do primeiro trimestre.

Na zona do euro, os investidores repercutiram a primeira estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) britânico do primeiro trimestre deste ano, de melhora de 2,1% em bases anuais. O Stoxx 50, dos 50 papéis mais líquidos do bloco, subiu 0,29%, com o britânico Financial Times, 0,56%, o alemão DAX, 0,39%, e o francês CAC, 0,58%.

Com o relatório de produção de petróleo dos EUA mais fraco do que o esperado pelos analistas, o petróleo WTI, negociado em Nova York, ganhou 2,93%, para US$ 45,33, acompanhado pelo barril do tipo Brent, de Londres, que teve valorização de 3,28%, para US$ 47,24. Os estoques do país cresceram em dois milhões de barris na semana até 22 de abril, ante estimados 2,4 milhões.

Juros caem; dólar sobe para R$ 3,52

As taxas de juros futuros válidos até 2017 ficaram estáveis em 13,44% ao ano, enquanto os negócios com vencimento em janeiro de 2018 tiveram projeções de 12,68%, contra 12,81% ontem. Por fim, os juros para 2021 passaram de 12,78% para 12,55%. Sem a participação do BC no mercado cambial, o dólar comercial subiu 0,02%, para R$ 3,52, ao passo que o dólar turismo permaneceu estável em R$ 3,63.

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