Itau revê cenários e espera dólar e juros mais baixos e déficit fiscal maior

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O Banco Itaú Unibanco (BOV:ITUB4) reviu seu cenário para a economia brasileira, diante das chances maiores de impeachment da presidente Dilma Rousseff e de um ambiente externo mais favorável para os países emergentes. O banco espera um déficit fiscal maior neste ano, mas ao mesmo tempo vê espaço para que o dólar não suba tanto, o que reduziria a inflação e permitiria ao Banco Central (BC) começar antes a baixar os juros.

Segundo relatório enviado hoje aos clientes, o país vive hoje um cenário binário, de continuidade do governo e ausência de ajustes e reformas, que levaria a uma piora fiscal e baixa confiança e dificuldade de retomar o crescimento ou outro de mudança política e reformas, com perspectivas de melhora fiscal recuperando a confiança e a economia. Enquanto esses cenários não se definem, o banco aumentou a projeção de déficit primário do governo, de 1,6% do PIB para 1,7% este ano e manteve 2,1% para 2017.

Dólar mais fraco

Já o cenário externo mais favorável pela incerteza menor com a economia e a expectativa de juros baixos nos EUA e dólar mais fraco e, internamente, as maiores chances de troca política e de reformas, levaram a uma melhora dos ativos brasileiros, com queda do risco-Brasil, juros longos mais baixos e apreciação do real. A partir disso, o Itaú reviu a estimativa para o dólar, de R$ 4,35 para R$ 4,00 no fim deste ano e de R$ 4,50 para R$ 4,25 no fim do ano que vem.

Juros caem antes e mais

Com o dólar menos pressionado, haveria espaço para queda mais rápida da inflação, que pode fechar o ano em 6,9%, ante a previsão anterior de 7%. Já os juros, diante da menor pressão inflacionária e do quadro recessivo, poderiam ser cortados um pouco mais cedo, já em julho. A expectativa anterior era de corte em agosto. A redução também seria maior, e a Selic, hoje em 14,25%, terminaria este ano em 12,25%, ante 12,75% na projeção anterior. Seriam quatro cortes de 0,5 ponto percentual.

Para o ano que vem, o Itaú trabalha agora com uma Selic de 10% em dezembro, ante 10,50% antes.

Yellen, Europa e Japão ajudam emergentes

O Itaú observa que não apenas o real, mas todas as moedas dos emergentes se valorizaram em março, pelas medidas mais amplas de expansão monetária na Europa e no Japão, os sinais de juros mais baixos nos Estados Unidos pela presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, nesta semana e a melhora dos preços das commodities em meio à queda do dólar e o fim do receio de uma crise mais séria na China.

Além disso, a alta do dólar segue ajudando balança comercial e reduzindo o déficit de contas correntes externas, o que pressiona menos o real. Apesar disso, a previsão do Itaú é de um déficit de conta corrente de US$ 13 bilhões, acima dos US$ 10 bilhões da previsão anterior, e de US$ 5 bilhões em 2017, ante uma expectativa de equilíbrio antes. O motivo será a alta menor do dólar, que não favorecerá tanto as exportações.

O banco manteve a expectativa de queda forte no PIB deste ano, de 4%, e uma leve alta, de 0,3% em 2017. O desemprego deve atingir 13% no fim deste ano e 13,4% em dezembro de 2017.

O Itaú espera também que da dívida bruta do governo alcance 73% do PIB no fim deste ano, ante 67,6% em fevereiro. No fim do ano que vem, ela deve atingir 78% do PIB.

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