Crédito renegociado do Itaú cresceu 17,3% em 12 meses, para R$ 22 bi

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A carteira de créditos vencidos e renegociados com grandes empresas do Itaú Unibanco (BOV:ITUB4 e BOV:ITUB3) cresceu 17,3% em 12 meses, de R$ 19,4 bilhões em março do ano passado para R$ 22,17 bilhões. Em relação a dezembro, quando o valor renegociado era de R$ 24 bilhões, houve queda de 1,1%. Segundo Márcio Kopel, diretor de Relações com Investidores do banco, o crescimento das renegociações é normal num ambiente de baixa atividade. “A renegociação é importante pois permite ao cliente adequar sua dívida e seu fluxo de caixa ao momento econômico”, afirma. Segundo ele, essas renegociações são feitas com muito cuidado e com a exigência de garantias, o que permite alongar o perfil dos débitos e ajustar os pagamentos para as empresas trabalharem com as condições do momento. “E isso faz bem para a economia como um todo também”, diz.

Kopel destaca ainda que os atrasos nessa carteira renegociada subiu para 20,4% em março deste ano, acima dos 18,8% de março do ano passado e dos 18,2% de dezembro. Mas o executivo diz que o banco reforçou as provisões para esses créditos. “O índice de cobertura está em 184% do valor de atraso”, diz. No total, o valor dos débitos renegociados em atraso é de R$ 4,6 bilhões.

Segundo o executivo, houve uma concentração nas provisões para créditos feitos para grandes empresas, no atacado, e com um caráter antecipatório. Ele evitou também vincular o aumento das provisões aos problemas enfrentados pela Sete Brasil, que anunciou no fim da semana passada que pediu na Justiça recuperação judicial. “A provisão não se relaciona a um grupo apenas, mas vários, de vários setores, entre eles o de petróleo e gás”, disse. Na semana passada, o Bradesco anunciou uma provisão de R$ 836 milhões atribuída pelo mercado a empréstimos feitos para a empresa de sondas.

Segundo Kopel, as provisões feitas para grandes empresas pelo Itaú correspondem a 238% dos atrasos com mais de 90 dias.

O diretor do Itaú disse também que espera uma estabilidade na inadimplência para grandes empresas, com uma melhora no fim do ano caso haja uma recuperação da economia e as empresas voltem a investir.

Inadimplência das pessoas físicas crescerá com desemprego

Já para pessoas físicas, a inadimplência pode continuar subindo de acordo com o crescimento do desemprego, que o Itaú estima que possa chegar a 11,4% na média deste ano e em 13,2% na média do ao que vem. “O ciclo de crédito para pessoas físicas, caso se confirmem os nossos dados de desemprego, deve levar a um aumento discreto da inadimplência ao longo do ano, mas nada abrupto, com um pico no primeiro trimestre do ano que vem”, diz Kopel. ”Mas se houver uma mudança de cenário de emprego, podemos ter uma melhora”, diz.

O aumento da inadimplência neste ano, de 0,4 pontos percentuais neste ano, para 3,9% da carteira acima de 90 dias também tem uma distorção provocada pela queda dos empréstimos, de 5,6% no período. “Desse aumento, metade, ou seja, 0,2 ponto percentual é devido à redução dos empréstimos”, diz.

Diante do cenário de menor procura por crédito e mais inadimplência, Kopel diz que o Itaú vai buscar aumentar seu retorno em outras áreas, com a oferta de produtos e serviços. “Pensamos em criar ofertas e serviços que usem mais o banco e aumentar a venda cruzada nas diversas áreas do banco”, diz. O banco está também reduzindo suas despesas, como mostra o crescimento de 3,4% nos 12 meses encerrados em março, comparado a uma inflação de 9,45%.

Nesse controle de despesas, há a redução da estrutura do banco, com a migração de clientes das agências físicas para digitais. “Não é relevante o corte de custo de mão de obra, mas os clientes demandam hoje mais serviços digitais, o que traz um custo operacional melhor”, afirma.

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