Ibovespa cai quase 2% com exterior; Vale perde 3% com ação do MP sobre Mariana e dólar bate R$ 3,55

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Em dia de forte instabilidade lastreada pelos mercados estrangeiros, o Índice Bovespa perdeu 1,68%, para 51.671 pontos. O volume financeiro do pregão totalizou R$ 5,8 bilhões, bem abaixo da média diária deste ano, de R$ 7,2 bilhões.

Refletindo as bolsas internacionais, as ações preferencias (PN, sem voto) do Itaú Unibanco caíram 1,49%, seguidas por Bradesco PN, 2,51%, pelos papéis ordinários (ON, com voto) do Banco do Brasil, 1,72%, e pelas units (recibos de ações) do Santander, 1,41%. O segundo maior peso do indicador brasileiro, Ambev ON também ajudou a derrubar a bolsa, com perdas de 2,35%. Os bancos estrangeiros foram destaque na venda, segundo um operador de uma corretora que pediu para não ter seu nome citado.

Vale ON e PNA perderam 4,25% e 4,05%, respectivamente, prejudicadas pela desvalorização do minério de ferro no exterior, por dados fracos na China e pela multa bilionária pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) por conta da tragédia em Mariana (MG). Com o petróleo um pouco mais fraco no mercado internacional no fim do dia, Petrobras ON também caiu 2,47%, acompanhada por seus papéis PN, 1,11%.

Do noticiário político, os investidores brasileiros repercutiram hoje a suspensão do mandato do deputado federal Eduardo Cunha e o afastamento dele da Presidência da Câmara dos Deputados. Acusado de impedir o andamento de processo a que responde no Conselho de Ética da Câmara, a saída de Cunha reforça a expectativa de restauração da credibilidade política no Brasil e amenta as chances de aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Diante dessa tendência de mudança no comando político e na linha econômica do governo, o BNP Paribas revisou suas projeções de crescimento do país para 2% em 2017, contra projeção anterior de crescimento zero.

Para o Itaú Unibanco, esse “novo ambiente” deverá impulsionar um crescimento moderado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano que vem. Em relatório, o economista-chefe da instituição e ex-diretor do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, revisou de 0,3% para 1% de alta suas projeções para o PIB no período.

Ainda assim, após o fechamento do mercado, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito do Brasil para dívidas de longo prazo em moeda local de BB+ para BB, mantendo a perspectiva negativa para a avaliação. O teto da nota de crédito (country ceiling), foi reduzido de BBB- para BB+. A agência apontou a forte deterioração das perspectivas para a economia e as incertezas políticas e para o ajuste fiscal como motivos do rebaixamento. A Fitch estima que o PIB vai cair 3,8% este ano, ante uma estimativa de 2,5% em dezembro, e que a dívida pública vai atingir 80% do PIB em 2017.

Estácio cai 6% e Suzano sobe 1%

As piores baixas do índice ficaram com Estácio ON, 6,55%, CSN ON, 6,37%, Kroton ON, 5,01%, e Gerdau PN, 4,63%. A educacional Estácio perdeu diante das expectativas negativas com seu balanço trimestral a ser divulgado esta noite. Do lado positivo, as maiores altas do Ibovespa foram de Suzano Papel PNA, 1,18%, Natura ON, 1,04%, Klabin unit, 0,69%, e Weg ON, 0,53%. As exportadoras Suzano e Klabin ganharam com a valorização da divisa americana.

EUA e Europa recuam com petróleo mais fraco 

Puxadas pela valorização de mais de 3% do petróleo mais cedo, as principais bolsas internacionais caíram no fim do dia com o recuo do preço da commodity. O barril do tipo WTI, negociado em Nova York, fechou com alta de 1,28%, para US$ 44,34, seguido pelo Brent, de Londres, que avançou 1,03%, para US$ 45,08.

Nos Estados Unidos, os investidores refletiram também as falas dos presidentes do Federal Reserve (Fed, o banco central do país) de St. Louis e de São Francisco. O chefe de St. Louis, James Bullard, que possui voto no Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), afirmou que ainda não decidiu sua posição sobre um aumento dos juros na reunião de 15 de junho e que está à espera de alguns indicadores econômicos.

De São Francisco, John Williams não vota este ano, mas disse que duas ou três altas em 2016 seriam razoáveis. Por lá, os pedidos de auxílio desemprego aumentaram de 257 mil para 274 mil na semana até 30 de abril, contra estimativa de 260 mil. O Dow Jones teve leve ganho de 0,05%, enquanto o S&P 500 caiu 0,02%, assim como o índice da Nasdaq, 0,18%.

Na zona do euro, o Stoxx 50, dos 50 papéis mais líquidos do bloco, avançou 0,05%, acompanhado pelo britânico Financial Times, 0,09%, e pelo alemão DAX, 0,24%. Já o francês CAC perdeu 0,11%. Finalmente, na China, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços passou de 52,2 pontos em março para 51,8 pontos em abril. Pressionado, o minério de ferro teve recuo de 2,5%.

Juros longos caem e dólar bate R$ 3,55

As taxas de juros futuros para 2017 fecharam o dia em alta, de 13,45% ao ano para 13,47%. Para 2018, as projeções caíram de 12,83% para 12,77%, seguidas pelos juros válidos até 2021, que recuaram de 12,64% para 12,52%. Já no mercado de câmbio, sem nova intervenção do Banco Central (BC), o dólar comercial subiu 0,11%, para R$ 3,55, como o dólar turismo, que ganhou 0,27%, para R$ 3,69.

Na avaliação do economista-chefe da Gradual Investimentos André Perfeito, consideradas as inflações brasileira e americana acumuladas de 2003 até agora, o preço justo da moeda americana deveria ser de R$ 6,70, muito acima da média atual de R$ 3,50.

O mercado também refletiu hoje a divulgação da última ata do Comitê de Mercado Aberto (Copom) que reforçou que o BC pode manter os juros por mais tempo, ao afirmar que adotará as medidas necessárias para que a inflação fique dentro do teto da meta este ano.

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