Itaú vê dólar mais baixo em “novo ambiente” e melhora projeção do PIB de 2017 para +1%

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Um “novo ambiente” deve impulsionar o crescimento moderado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano que vem, segundo estimativa do Itaú Unibanco (BOV:ITUB3) e (BOV:ITUB4). Em relatório, o economista-chefe da instituição e ex-diretor do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, revisou de 0,3% para 1% de alta suas projeções para o PIB no período.

Goldfajn, um dos nomes cotados para assumir o BC em um governo de Michel Temer, evita falar diretamente em impeachment ao mencionar esse “novo ambiente”, mas suas análises consideram as mudanças política e econômicas indicadas pela saída da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, ”as chances de um novo esforço de ajustes e reformas também aumentaram ao longo do último mês”, justamente quando foi aprovado o impeachment da presidente Dilma na Câmara. Ele cita também as melhoras das condições externas para o Brasil e outros emergentes exportadores de commodities.

Real mais forte e mais crescimento

Como principais motivos para essa mudança nas projeções, o economista aponta a volta da valorização do real, a tendência cada vez mais nítida de baixa da inflação e, consequentemente, o mercado mirando preços e juros menores no futuro, além da possibilidade da melhora das condições financeiras terem um impacto positivo na atividade local.

De acordo com o texto, já neste próximo semestre, os indicadores mostrarão quedas mais leves do PIB, com relativa estabilidade. O banco cita melhoras na confiança do empresário e consumidores, vendas no varejo e demanda por crédito. Ainda assim, a indústria segue sob pressão com as empresas reportando estoques excessivos em abril, o que deve persistir nos próximos meses.

Uma vez normalizados os estoques, o Itaú aguarda alguma retomada da utilização da capacidade instalada na indústria, mas ainda em meio à uma confiança menos favorável nos demais setores da atividade econômica, principalmente aqueles ligados às famílias e ao varejo. Para 2016, os analistas mantiveram suas projeções de recuo de 4% do crescimento do país.

No mercado de trabalho, o economista também alterou suas expectativas. Para ele, o desemprego deve bater os 12,5% até dezembro deste ano, ante projeção de 13%. O aumento desse nível deve ser visto apenas no próximo ano, para 13%, contra estimativa anterior de 13,4%.

Preços e juros menores no 2º semestre

As projeções sobre a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por sua vez, foram mantidas em 6,9% para este ano. Já os preços livres devem subir de 7% para 7,1% no período, enquanto os preços administrados deverão cair de 6,7% para 6,5%. Para 2017, foi mantida a projeção para a inflação em 5%.

Na avaliação de Goldfajn, os riscos de avanço dos preços seguirão melhorando, de modo que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) dará início a um ciclo de corte de juros neste segundo semestre, a partir de julho.

Esperança num esforço de ajuste

A questão fiscal no Brasil segue em deterioração, na visão do Itaú. Para o economista-chefe, a ”tendência desfavorável reforça a necessidade de reformas estruturais que alterem a dinâmica de elevação contínua nas despesas obrigatórias e que ampliem o espaço para redução nas despesas discricionárias”.

Mesmo assim, a instituição ainda acredita num novo ajuste de reformas apoiadas por maiores sinais de consenso político. Essa reestruturação ajudaria na correção do desequilíbrio fiscal, principalmente na Previdência, no limite do crescimento de gastos e na desvinculação das receitas e gastos no orçamento da União. De olho nessa reversão da deterioração da dívida brasileira, o banco elevou sua projeção de resultado primário para 2017 de -2,1% para -1,0% do PIB.

Finalmente, as projeções da equipe para dívida bruta alcançaram 72% este ano, e 76% em 2017; e a dívida líquida, 44% em 2016, e 49% em 2017. O déficit nominal esperado é de 8,6% do PIB este ano, refletindo despesa de juros de 6,9% do PIB, sendo 0,9% do PIB, por conta dos ganhos com os swaps cambiais.

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