De olho nos EUA, Ibovespa volta aos 50 mil pontos; juros curtos caem e dólar recua

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Às 11h55, o Índice Bovespa tinha ganhos de 1%, para 50.384 pontos, em meio à divulgação de dados muito fracos do mercado de trabalho americano. Com maior peso no indicador brasileiro, as ações preferenciais (PN, sem voto) do Itaú Unibanco subia 0,67%, como Bradesco PN (BOV:BBDC4), 0,96%, os papéis ordinários (ON, com voto) do Banco do Brasil, 1,72%, e as units (recibos de ações) do Santander, 0,94%. Mesmo com o petróleo fraco lá fora, Petrobras ON (BOV:PETR3) e PN também avançavam 0,56% e 1,55%, respectivamente.

Do noticiário político, os investidores acompanharam a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes de retomada do inquérito que investiga o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a retirada do sigilo dos depoimentos de acordos de delação premiada do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. O ex-diretor citou a presidente afastada Dilma Rousseff no caso de Pasadena, um filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e outros políticos que já são investigados na Operação Lava Jato.

JBS sobe 3% e Fibria cai 4%

As maiores altas do Ibovespa estavam com JBS ON, 3,42%, Vale ON (BOV:VALE3), 3,34%, Vale PNA (BOV:VALE5), 2,99%, e Estácio ON, 2,63%. Para a corretora do Bradesco, com o anúncio de reestruturação da gigante brasileira de alimentos JBS, o preço-alvo da ação da fabricante ganha um potencial de valorização de 60% até o fim deste ano. A mineradora Vale, por sua vez, ganhava com a valorização de 3,90% do minério de ferro no mercado à vista chinês, para US$ 50,08 a tonelada. Ainda assim, a China, seu principal mercado, marcou sua menor taxa de crescimento dos serviços em três meses em maio, para 51,2, contra 51,8 em abril, apontou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

Na contramão, as piores baixas do índice ficavam com Fibria ON (BOV:FIBR3), 4,36%, Suzano Papel PNA (BOV:SUZB5), 3,07%, Embraer ON (BOV:EMBR3), 2,31%, e Klabin unit, 2,19%. Todas as companhias são exportadoras e recuavam com a desvalorização do dólar.

EUA perde com mercado de trabalho fraco

No mercado futuro americano, o Dow Jones tinha perdas de 0,77%. Já aberto, o índice da Nasdaq tinha baixa de 1,17%, assim como o S&P 500, 0,78%. Por lá, a economia americana em maio criou o menor número de empregos desde setembro de 2010. Foram apenas 38 mil novas vagas fora do setor agrícola, ante 164 mil esperadas. A taxa de desemprego, por sua vez, recuou 0,03 ponto percentual, para 4,7% em maio, o nível mais baixo desde novembro de 2007, contra uma expectativa de 4,9%. A queda no desemprego foi provocada pelo menor número de pessoas procurando vagas, segundo os dados do governo.

Os novos dados devem desencorajar um aumento imediato dos juros americanos, com a economia local ainda em recuperação, mas preocupam os investidores pelo risco de a retomada da economia estar perdendo força. Houve uma greve na empresa de telefonia Verizon que atrapalhou a criação de vagas no mês e teria reduzido o total em 34 mil postos, mas mesmo assim o número foi muito mais fraco que o estimado. O dólar perdeu espaço diante de outras moedas internacionais e os juros dos papéis de 10 anos do Tesouro dos EUA recuaram 0,09 ponto percentual, para 1,712% ao ano. O dólar cai 1,5% frente ao euro e 1,8% diante do iene.

Europa e petróleo em baixa

Os investidores europeus repercutiam ainda as vendas no varejo da região, que ficaram estáveis na margem em abril, segundo a agência de estatísticas da União Europeia (Eurostat). Os analistas aguardavam avanço de 0,3%. Na comparação anual, as vendas varejistas do bloco subiram 1,4% no período. Além disso, o PMI da zona do euro ficou em 53,1 em maio, após prévia de 52,9. Já o PMI de serviços passou do preliminar 53,1 para 53,3. O Stoxx 50, dos 50 papéis mais líquidos da Europa, tinha queda de 1,68%, o britânico Financial Times, 0,26%, o alemão DAX, 1,56%, e o francês CAC, 1,50%. 

Após registrar sentidos mistos ontem, o petróleo WTI, negociado em Nova York, caía 0,41%, para US$ 48,97, acompanhado pelo barril do tipo Brent, de Londres, que recuava 0,46%, para US$ 49,81.

Juros curtos caem e dólar recua para R$ 3,54

As projeções válidas até 2017 recuavam de 13,27% ao ano para 13,25%. Para 2018, os juros também caíam de 12,66% para 12,60%. Por fim, as taxas com vencimento em janeiro de 2021 permaneciam estáveis em 12,66%. O dólar comercial perdia 1,22% para R$ 3,54, enquanto o dólar turismo se mantinha estável, vendido a R$ 3,72, acompanhando a baixa da moeda americana no mercado mundial após a divulgação dos dados de emprego.

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