Poupança - Saiba a VERDADE por trás da poupança render tão pouco.

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Verdade por trás da Poupança

Poupança – Saiba a VERDADE por trás da poupança render tão pouco.

Você sabia que a poupança hoje conta com um saldo de mais de R$ 640 bilhões? Isso significa que milhões de investidores escolheram essa modalidade para aplicar suas economias. Veja abaixo o saldo da Poupança desde 2002.

Saldo Poupança

A razão para essa popularidade entre os brasileiros pode ser explicada por inúmeras hipóteses.

Desde alta liquidez, isenção de imposto de renda, facilidade de investimento, questões culturais que tem a ver com o perfil conservador do investidor, até o fato de que é o investimento acessível a pequenos poupadores mais antigo do Brasil.

No entanto, o que mais me intriga é o porquê de esse investimento ainda hoje ser tão mal remunerado. Aposto que se você está aqui, também já deve ter se perguntado sobre isso.

Teria alguma explicação para a poupança render tão mal a ponto de perder feio de outras aplicações de renda fixa e até mesmo da inflação?

Veja abaixo o gráfico que demonstra se você tivesse investido, em junho de 2012, R$ 100 mil na poupança e os mesmos R$ 100 mil na SELIC.

Poupança x SELIC

Poupança: R$ 130.474,80

SELIC: R$ 149.676.84 – Imposto de Renda (15%) = R$ 142.225,31

Diferença de quase 10%!

Teria a poupança um risco menor que outros investimentos? O governo direciona esses recursos para algum fim específico? Ou simplesmente ninguém nunca mexeu nisso e os bancos continuam ganhando dinheiro por inércia?

Esse post, portanto, é dedicado a você e àquelas pessoas curiosas que já ouviram por aí que a poupança é um investimento péssimo e que qualquer CDB, LCI ou LCA rende 40% acima da poupança, mas nunca – assim como eu – contentaram-se com o “porque é e ponto final”.

Fui atrás de descobrir a VERDADE de porque a poupança é um investimento tão ruim.

Nada como um pouco de História.

A poupança, também conhecida como caderneta de poupança, foi criada por Dom Pedro II por meio do Decreto-Lei 2.723 de 1861, que também criou a Caixa Econômica Federal. Na época a idéia era remunerar os depósitos a uma taxa de 6% ao ano e ainda com garantia da coroa.

Veja o Decreto de Sua Majestade com seus próprios olhos: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-2723-12-janeiro-1861-556013-publicacaooriginal-75580-pe.html

De lá para cá a Poupança sofreu inúmeras alterações.  A mais substancial e recente foi a Lei 12.703/2012 – que instituiu a Nova Poupança e que basicamente alterou a forma de remuneração.

Recursos depositados até 03/05/2012 Recursos depositados a partir de 04/05/2012
Recebem remuneração mensal fixa de 0,5% acrescidos da TR diária acumulada. Se a meta da SELIC for superior a 8,5%, continua igual ao regime anterior: 0,5% + TR acumulada
Se a meta da SELIC for igual ou inferior a 8,5%, o rendimento passa a ser de 70% da SELIC.

Isso quer dizer que a poupança deve acompanhar uma possível  SELIC abaixo de 8,5% ao ano.

Entendi que a remuneração da poupança é regulada em lei, mas por que?

A poupança possui essa rentabilidade porque os recursos aplicados nela são DIRECIONADOS para o sistema de financiamento imobiliário ou para financiamentos rurais. Nesses mercados, as taxas de juros praticadas aos tomadores de crédito são incentivadas, ou seja, são abaixo do mercado.

Nesse sentido o Brasil tomou uma decisão de política econômica de incentivar esses dois mercados com taxas de juros mais baratas.

O custo do dinheiro no Brasil é muito alto e isso naturalmente reflete em taxas de juros altas.

Portanto, o governo lá atrás concluiu que para incentivar financiamentos imobiliários (por exemplo), os quais possuem prazos longos, precisava incentivar fontes de financiamento mais baratas. Fontes de recursos que pagassem menos juros.

Você imagina que para um financiamento imobiliário de 20 ou 30 anos, simplesmente seria impossível para qualquer tomador arcar com taxas de juros normais de mercado de 40 a 50% por ano.

Quem já olhou as taxas de financiamento imobiliários sabe que nessa modalidade o tomador paga de 8 a 12% ao ano. Pode olhar aqui: Link site do Banco Central.

Nos financiamentos imobiliários (SFH), a Resolução CMN 3.932/2010 estabeleceu o regulamento da poupança, enumerou quais as operações de crédito que o banco pode utilizar os recursos da poupança e até limitou a 12% ao ano o custo efetivo máximo para os financiamentos nesse âmbito.

Algo ainda alto para patamares internacionais, mas bem mais baixo do que as taxas de juros encontradas em linhas de crédito com recursos livres.

Mas isso só é possível porque o governo criou um sistema de financiamento separado a partir de duas escolhas:

  1. De um lado, direcionou os recursos da poupança para certos tipos de financiamento (imobiliários e rurais) e estabeleceu taxa de juros máxima (12% ao ano), e
  2. Ao mesmo tempo, estipulou em lei qual seria seu rendimento para os investidores. Atualmente média de 6% ao ano.

Por que é diferente dos outros tipos de investimentos? Porque nos outros investimentos (CDB e RDB, por exemplo) de recursos LIVRES o banco possui a liberdade de emprestar o dinheiro a taxas de mercado.

Por que o pequeno investidor/poupador tem que levar a pior nesse jogo?

A verdade é que não tem e não precisa levar a pior.  Ninguém é obrigado a investir na poupança.

Embora cada vez mais muitos brasileiros tem se interessado e aprendido a tomar as rédeas da sua vida financeira e – principalmente – a não deixá-la na mão do seu gerente do banco, mas o conhecimento ainda não chega a grande maioria dos brasileiros.

Notas:

  1. O artigo utiliza como exemplo a poupança no âmbito do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), por ser maior e mais relevante, portanto, não fala da poupança rural que ficará para um outro post.
  2. Texto originalmente postado em http://desfixa.com.br/poupanca-saiba-verdade-por-tras-poupanca-render-tao-pouco/

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