Mercado de ações aguarda próximos passos de Temer para definir tendência

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Passadas as discussões no ambiente político sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o mercado acionário espera agora definições mais claras sobre quais serão os próximos passos do presidente Michel Temer para definir uma tendência.

Segundo o diretor de operações da Mirae Asset Wealth Management, Pablo Stipanicic Spyer, parte dos analistas acredita que, com a definição do impeachment, mais dinheiro entrará no país, apesar de uma possível tendência de queda forte na Bovespa no curto prazo, com os investidores colocando no bolso seus recentes ganhos.

O executivo diz que alguns analistas apontam que o evento já foi muito bem precificado e que os estrangeiros poderão estender suas apostas nas empresas locais. No entanto, Spyer observa que o foco do momento está nas medidas fiscais efetivas que devem ser promovidas pelo governo. “Trata-se de um ‘mix’ de sentimentos, mas a expectativa é de que teremos notícias boas em breve, com o novo governo tentando mostrar credibilidade para o mercado”, disse.

A queda de Dilma já estava nos preços, mas, em um primeiro momento, a saída da petista provocou uma leve melhora do mercado, mas que foi logo revertida pela notícia de que ela manteria seus direitos políticos, afirma o estrategista e economista-chefe Paulo Gomes, da Azimut Brasil Wealth Management. “Não que ela (Dilma) tenha chances de se reeleger, mas permanecerá no radar de cargos públicos em governos do partido. Com o apego que ela demonstrou pelo poder, acho difícil que abra mão”, afirma.

De acordo com Gomes, o mercado deverá cobrar imediatamente as propostas do governo peemedebista, principalmente as decisões em relação ao teto dos gastos públicos e à reforma da Previdência. A partir desse quadro, ele acredita que a bolsa brasileira deverá andar de lado até o fim do ano, pressionada por dados econômicos ainda ruins, como Produto Interno Bruto (PIB) e desemprego.

Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital, acrescenta que a votação pelo impedimento da ex-presidente foi bastante expressiva, 61 por 20 votos dos senadores. Na visão dele, a expectativa é de retomada da confiança por parte dos estrangeiros, de modo que o Brasil se firme como destino para investimentos. Nesse sentido, ele destaca como setores com possibilidade de ganhos, o segmento de energia e de consumo. “Sem o impeachment travando o Congresso, os esforços deverão estar concentrados nas reformas, mas de forma geral, o mercado deverá manter o mesmo ritmo de espera até dezembro”, completou.

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