O IBGE mostra que a crise custou mais de cinco milhões de empregos

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A pesquisa PNAD, do IBGE[1], relativa ao trimestre encerrado em julho passado apontou um total de 90,487 milhões de pessoas trabalhando nesses três meses, de um total de 166,392 milhões em idade de trabalhar (14 anos). O total de desempregados foi de 11,847 milhões, refletindo a enorme onda de demissões que atingiu todas as regiões e todos os segmentos econômicos.

Essas pessoas saíram da construção civil, da indústria e dos serviços em geral, paralisados pela falta de crédito imobiliário, pela queda dos gastos em investimentos do setor público (paralisado pela queda da arrecadação pela lava a jato), pela queda dos investimentos privados (inclua aí a Petrobrás, a Vale e todas as grandes corporações) e pela inevitável contração do crédito. Com o aumento do desemprego, o consumo das famílias, que representa mais de 60% do PIB, despencou e disparou uma nova onda de desemprego e contração da atividade econômica, em um círculo vicioso de queda da renda, da atividade econômica e do emprego. A taxa de desemprego que estava abaixo dos 7% em nov/2014 (6,5%), explodiu, quase dobrando em seis trimestres. Veja o gráfico:

Esse processo vicioso de queda da renda-atividade-emprego teve aceleradores poderosos, como:

  • O corte dos investimentos da Petrobrás e da Vale, por conta da queda dos preços internacionais do petróleo e do minério de ferro;
  • Os cortes de gastos de investimentos ocorridos por conta da lava a jato, que afetaram a Petrobrás e todas as suas prestadoras de serviços (desde a fabricação de peças e equipamentos para refinarias, até a construções de navios) e as obras públicas nas três esferas de governo;
  • O corte dos gastos públicos decorrentes da queda da arrecadação;
  • A contração dos empréstimos efetuados pelo BNDES, BB e CEF;
  • A contração dos empréstimos efetuados pelos bancos privados;
  • A forte queda da renda das famílias, por conta do desemprego e da renda.

Com essa intensa contração dos mercados reais, é natural que a renda média real das pessoas que estão trabalhando tenha despencado. De seu máximo, em 2014, a julho passado, ela caiu cerca de 4,5%, veja o gráfico do IBGE:

A pergunta que fica é se a situação chegou ao fundo do poço e passará a melhorar. A resposta é claramente negativa. Apesar da forte possibilidade de a atividade econômica ter chegado a um ponto próximo ao seu mínimo, o mercado de trabalho deverá ter alguns meses de contração, como consequência dos ajustes que ainda estão em andamento. Depois ele poderá se estabilizar e, como respostas de uma recuperação lenta da atividade, poderá apresentar números mais positivos. Gerar postos de trabalho é bem mais difícil do que apresentar números positivos de atividade (PIB, produção industrial, varejo, etc). A decisão de demitir ou contratar pessoas depende da consolidação das expectativas, sobretudo das otimistas, após todos esses trimestres de queda.

[1] Definições importantes sobre a PNAD: destina-se a produzir informações contínuas sobre a inserção da população no mercado de trabalho associada a características demográficas e de educação, e, também, para o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País, agregando a produção de resultados anuais sobre temas permanentes da pesquisa (como trabalho infantil e outras formas de trabalho, migração, fecundidade etc.) e outros aspectos relevantes selecionados de acordo com as necessidades de informação.

A pesquisa é realizada por meio de uma amostra de domicílios, extraída de uma amostra mestra, de forma a garantir a representatividade dos resultados para os diversos níveis geográficos definidos para sua divulgação. A cada trimestre, são investigados 211.344 domicílios particulares permanentes, em aproximadamente 16.000 setores censitários, distribuídos em cerca de 3.500 municípios.

Periodicidade: Mensal, para um conjunto restrito de indicadores relacionados à força de trabalho e somente para o nível geográfico de Brasil; trimestral, para indicadores relacionados à força de trabalho; anual, para os demais temas permanentes da pesquisa e indicadores complementares relacionados à força de trabalho; e variável, para outros temas ou tópicos dos temas permanentes a serem pesquisados com maior periodicidade ou ocasionalmente.

Abrangência geográfica: Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, 20 Regiões Metropolitanas que contêm Municípios das Capitais (Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá, e Goiânia), Municípios das Capitais e Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina.

 

Comentários

  1. cristiane diz:

    30/08 15,00 hras mercado em geral

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