Os mercados estão realizando e devem voltar a subir

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Hoje a empresa ADP Systems, que processa folhas de pagamentos, anunciou que foram criadas, em suas estatísticas, 179 mil vagas no setor privado dos EUA em julho. Eram esperadas 165 mil vagas e essa surpresa para cima deixou o mercado em dúvida: será que agora, com mais uma melhora do mercado de trabalho, o Banco Central irá iniciar o ciclo de alta dos juros? E quando ele começar esse ciclo de alta dos juros, ele vai pressionar as bolsas e moedas para baixo, criando uma nova confusão[i]? Muito provavelmente não, veja o gráfico da Bloomberg:

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Ainda que a criação de vagas tenha vindo melhor do que o mercado esperava, ela não foi um evento tão excepcional a ponto de fazer os FED mudar seus planos. Note que as vagas criadas caíram fortemente em maio (mês em que há quedas), abaixo de maio do ano passado. Mas a recuperação em junho e julho foi mais lenta que nos anos anteriores.

O fato é que o mercado entrou em um ciclo de realização que já dura três pregões e todas as dúvidas acerca do futuro da economia global vieram à tona. Ainda há gente preocupada com a necessidade de elevar os juros rapidamente, em um processo que pode fazer os mercados derreterem. Há os que pensam sinceramente que os enormes pacotes de estímulos (os Quatitative Easing), que injetaram trilhões de dólares na economia global, podem gerar um processo inflacionário doentio de descontrolado, que levará a décadas de baixo crescimento (deflação). E há aqueles que acreditam com os mercados estão supervalorizados, repetindo as bolhas do passado. Veja o gráfico do S&P500, índice com as 500 empresas mais negociadas nos EUA:

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Ele está em seu patamar mais elevado da história e, com certeza, os juros muito baixos[ii] colaboraram muito para que os preços subissem, sobretudo os das ações e os dos imóveis. E esse era um dos objetivos, já que se esses preços sobem há um estímulo ao investimento e, por consequência, a economia tem um forte incentivo a crescer.

Mas nem a economia está crescendo e nem os preços em geral (os preços da economia real, aos consumidores) estão subindo. Ao contrário, o crescimento dos EUA nesse ano tende a ser medíocre e os preços estão subindo à taxa de 0,9% ao ano. O que a presidente do FED tem alertado, é que a recuperação do mercado de trabalho não é tão espetacular como muitos acreditam. A taxa de desemprego caiu de 10%, em out/2009, para 4,9% em junho. Veja o gráfico feito pelo departamento do trabalho dos EUA:

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O número de pessoas trabalhando ou procurando emprego (força de trabalho) caiu 2% desde a crise de 2009 e, para piorar, a qualidade das vagas criadas é de baixa qualidade, o que reduz a produtividades, os salários e, por tabela, coloca pressões deflacionárias na economia.

Em função dessa percepção, que está longe de ser a consensual, é difícil acreditar que os bancos centrais permitam que os juros subam rapidamente e que os preços dos ativos reais despenquem fortemente. O mais provável é que os juros baixos compensem os maus resultados que foram divulgados nesse trimestre nos países avançados, e que as bolsas continuem em patamares muito elevados.

Apostar no fim do mundo, ou mesmo em um mundo pior do que já existe nas economias da OECD, é uma aposta de alto risco. Melhor é acreditar que essa queda é uma realização e, como tal, uma boa oportunidade de compra,

[i] Em 2013 o ex presidente do Federal Reserve Bank, o BC dos EUA, causou um chilique nos mercados, ao anunciar iria interromper o processo de expansão monetária. Os mercados desabaram e os juros começaram a subir rapidamente. Esse chilique, em inglês é chamado de taper tantrum.

[ii] Os fed funds, que são por um dia, estão entre 0,25% e 0,5% ao ano e os títulos do tesouro dos EUA, de dez anos, rendem 1,55% ao ano.

 

 

 

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