PIB

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Com uma queda de 0,6% no trimestre e 3,8% em relação ao segundo trimestre do ano passado, o PIB deve ter se despedido da recessão. A crise fez o produto nacional encolher 7,3% em termos absolutos. Se levarmos em conta o potencial de crescimento, dado pelo crescimento médio dos últimos trinta anos, a queda foi de 16,62% ou cerca de R$ 1,2 trilhões. Veja o gráfico abaixo:

Dos componentes do PIB, o Consumo das famílias caiu -0,7%, o Consumo do Governo caiu -0,5% e os Investimentos subiram 0,4%. Para todos eles há uma explicação:

  • ·       Consumo das famílias: como mostramos ontem (https://www.newf.com.br/analises/posts/o-ibge-mostra-que-a-crise-custou-mais-de-cinco-milhoes-de-empregos ) a crise criou 5,5 milhões de desempregados em todo o país. Com essa gente sem trabalho e com a inflação corroendo a renda dos que trabalham ou recebem benefícios sociais (seguro desemprego, aposentadorias, pensões, etc), o Consumo despencou. Como ele representa mais de 60% do PIB, a sua queda é poderosa para ampliar a recessão. O quadro ficou ainda pior quando o sistema bancário reduziu a oferta de crédito em resposta à piora da saúde financeira das famílias.
  • ·       Consumo do governo: com a crise há queda na renda das pessoas e no faturamento das empresas o que faz, é claro, com que as receitas de arrecadação dos governos desabem. Como precisam conter o déficit público os governos reagem cortando os gastos que podem cortar (há gastos como aposentadorias e salários que não são possíveis de serem cortados). Do total de toda a despesa do governo, apenas 22% são discricionárias (podem ser remanejadas ou cortadas). Com isso, as despesas com Educação, Saúde e outras áreas são fortemente cortadas.
  • ·       Investimentos: depois de caírem fortemente ao longo de 8 trimestres, com uma queda total de 25%, os investimentos apresentaram uma leve alta. É provável que após esse forte declínio, os ajustes das empresas tenham chegado ao fim. Levando em conta seu peso, os cortes de investimentos da Petrobrás e a Vale tiveram um papel enorme de forma direta e indireta nessa queda livre. Para que essa reversão seja confirmada, é necessário mais um trimestre de alta, o que não é impossível, sobretudo se levarmos em conta as intenções sinalizadas pelas grandes corporações no último trimestre.

Vindo dentro do esperado (nossa estimativa era de 0,63% no sistema de expectativas do Bacen), o PIB do segundo trimestre sinaliza com uma queda de 3,20% no ano, conforma o gráfico abaixo:

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