O desemprego do Brasil é maior que o da Zona do Euro

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O IBGE divulgou hoje o desemprego medido por sua pesquisa PNAD[i] e, com ela, o desemprego nacional. Para período de junho a agosto, o total de desempregados atingiu 11,8%, com um total de desocupados de doze milhões de pessoas. Ao longo desses três meses 583 mil pessoas aumentaram o desemprego e 712 mil deixaram a população ocupada. Na Zona do Euro, que tem países problemáticos como Grécia, Espanha, Chipre e outros, a taxa de desemprego ficou em 10,1% e na União Europeia em 8,6%, com dezesseis milhões de desempregados. Levando-se em conta que a renda da Zona do Euro é de USD 37.500 e no Brasil de US$ 11.100 e que nossa população é de 206,5 milhões e a de lá é de 338,5 milhões, dá para se ter uma ideia do flagelo que esse desemprego representa para os brasileiros. Temos muito menos renda para suportar os desempregados pela crise e com isso o nível de pobreza aumenta muito mais rápido. Adicionalmente, os mecanismos de disseminação da queda da atividade econômica ficam mais intensos quando há menos “proteção social”, como é o caso brasileiro em relação ao caso da zona do euro.

A crise vai produzindo desempregados, eles reduzem o consumo total e isso, uma vez mais, faz com que as empresas desempreguem mais gente. Como não há um componente da demanda agregada que compense esse efeito depressor do desemprego, a economia continua afundando. Vale lembrar que as despesas do governo estão despencando – em uma tentativa de conter o déficit gerado pela queda da arrecadação – os investimentos privados e públicos também estão em queda e a expansão das exportações é modesta demais para compensar esses efeitos somados.

Com isso o desemprego saiu de 6,5% em outubro/2014 para os atuais 11,8%. Veja o gráfico:

 

Até quando esse cenário deve perdurar? O mais provável é que a economia pare de cair agora, mas o desemprego demora mais tempo para parar de subir. Ele piora depois e melhora depois. Essa é uma tendência do mercado de trabalho já que os empresários têm custos para demitir/admitir empregados e isso faz com que a defasagem de tempo entre a queda das vendas/produção e o desemprego seja mais alta ou mais baixa. Levando em conta a nossa história recente, o desemprego só deve começar a dar refresco no primeiro ou segundo trimestres do ano que vem.


[i] Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Mensal. “A pesquisa é realizada por meio de uma amostra de domicílios, extraída de uma amostra mestra, de forma a garantir a representatividade dos resultados para os diversos níveis geográficos definidos para sua divulgação. A cada trimestre, são investigados 211.344 domicílios particulares permanentes, em aproximadamente 16.000 setores censitários, distribuídos em cerca de 3.500 municípios. Periodicidade:Mensal, para um conjunto restrito de indicadores relacionados à força de trabalho e somente para o nível geográfico de Brasil; trimestral, para indicadores relacionados à força de trabalho; anual, para os demais temas permanentes da pesquisa e indicadores complementares relacionados à força de trabalho; e variável, para outros temas ou tópicos dos temas permanentes a serem pesquisados com maior periodicidade ou ocasionalmente.

Abrangência geográfica:Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, 20 Regiões Metropolitanas que contêm Municípios das Capitais (Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá, e Goiânia), Municípios das Capitais e Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina.”

 

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