O FED não surpreende e mantem as taxas de juros

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Tal como planejavam Janet Yellen e os diretores do FED em junho, as taxas de juros básicas dos EUA, os FED Funds, foram mantidos entre 0,25% e 0,5%, até a próxima reunião no começo de novembro.

O Comitê de Política Monetária continua vendo a economia dos EUA em ritmo sólido no mercado de trabalho, com preços caminhando para a meta de longo prazo de 2% e possibilidades reais de um cenário no qual seja possível iniciar a normalização da política monetária. Isso significa juros neutros (que não afetem nem o nível de atividade e nem os preços) e uma oferta monetária menor (hoje ela está em estonteantes R$ 4,5 trilhões).

O mercado se assusta com a possibilidade dessa normalização, já que fazem seus anos que estamos com juros zero e muita liquidez. O medo é que a elevação dos juros e a redução da liquidez faça com que os preços dos ativos, títulos e moedas derretam, causando um novo colapso da economia global.

Atentos à essa possibilidade, os diretores do FED estão afirmando, reunião após reunião, que a elevação dos juros será lenta e não afetará a os preços. Veja o total de ativos que o FED mantem em sua carteira, o que define a expansão monetária dos EUA:

Após o alívio causado pelo discurso da presidente Janet Yellen, os mercados engataram uma nova alta e estão buscando seus patamares mais elevados. É possível que tenhamos nessas últimas semanas de setembro e ao longo de outubro, um forte ciclo de alta nas bolsas globais, sobretudo nos países emergentes. Além das bolsas, os títulos de renda fixa devem continuar a se valorizar, já que os juros continuarão muito baixos, perto de zero para a maioria dos países. Veja os gráficos abaixo:

O gráfico mostra como as dívidas dos EUA, da Zona do Euro e do Japão tiveram seus juros extremamente deprimidos nos últimos anos. Em 2010, um título dos EUA de 30 anos pagava quase 4%, hoje paga um pouco mais que 2%. Os da Zona do Euro pagam menos ainda, abaixo de 2%. E o Japão: Não pagava 2% e hoje não paga quase nada, pouco mais que 0%.

Ainda assim as economias apresentam uma incrível resistência a crescer. A OECD traça um cenário pouco animador para a economia global: ela deve crescer 2,9% nesse ano e 3,2% no ano que vem. Os EUA, maior economia do planeta, crescerá 1,4% agora e 2,1% em 2017. Mas segundo os diretores do FED, em suas projeções de crescimento, as taxas não devem passar de 2% no longo prazo, ficando abaixo disso por muito tempo. Parta o comércio global, que é fonte do crescimento da maioria dos países o quadro é desolador:

Depois de crescer, na média, a 2,1% entre 1986/2007, o comércio global cresceu 1,5% em média entre 2011/2015 e deve crescer pífios 0,8% nesse ano.

Em seu relatório de projeções, os diretores do FED entreviram uma alta dos juros básicos em novembro e outra em dezembro. Olhando os dados que eles projetam para o crescimento da economia e da inflação e os juntando com as projeções da OECD, do FMI e do Banco Mundial, a pergunta que fica é: por que a pressa?

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