Ibovespa cai 3,3% e volta aos 59 mil pontos; perda com Trump é de 7,7%; Petrobras recua 10%

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O Índice Bovespa voltou a cair com força hoje, repetindo o movimento de ontem, reflexo da aversão ao risco que tomou conta dos mercados emergentes após a eleição do republicano Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos.

A perspectiva de uma política mais protecionista, com tarifas de importação e redução de impostos, pode levar a uma alta da inflação que forçaria o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a subir mais os juros, afetando os fluxos para os emergentes, especialmente os da América Latina, que Trump faz questão de atacar, especialmente o México. Já a bolsa americana bateu recorde de alta na semana, animada com os incentivos às empresas do novo governo.

O Ibovespa fechou em queda de 3,3%, aos 59.183 pontos, uma queda de 2 mil pontos em um só dia. O mercado voltou ao nível de outubro, antes das aprovações do teto dos gastos. O Efeito Trump fez o índice brasileiro perder 7,75%, ou quase 5 mil pontos, considerando os 65.157 pontos de quarta-feira. Na semana, o índice perdeu 3,92%, elevando a queda no mês para 8,84% e reduzindo o ganho no ano para 36,53%.

O volume negociado, de R$ 16,262 bilhões, mostra uma saída forte de investidores, provavelmente estrangeiros, do mercado local. A queda acentuada provoca um movimento que se realimenta, já que os gestores atingem seus limites de perdas e têm de vender, acentuando a baixa dos papéis. O movimento atinge tanto gestores locais quanto estrangeiros e, como o Brasil é o emergente mais líquido, de onde é mais fácil tirar dinheiro, sofre mais.

Petrobras perde 10% com balanço e petróleo

Entre os destaques do dia, as ações da Petrobras sofreram com a aversão ao risco e com seu prejuízo no terceiro trimestre. Apesar de corretoras avaliarem que a perda foi mais um ajuste contábil, e que o resultado operacional da estatal segue melhorando, o papel preferencial da petroleira (BOV:PETR4) (PN, sem voto), o mais negociado da bolsa no dia, perdeu 9,61%. Já o ordinário (BOV:PETR3) (ON, com voto), caiu 5,82%. A forte queda do petróleo no exterior, de 3%, ajudou a derrubar o papel, juntamente com Cosan ON (BOV:CSAN3), que caiu 9,09%.

Vale cai apesar de alta de 7% no minério de ferro

Vale foi outro destaque, pois apesar do aumento de 7% no preço do minério de ferro na China o papel fechou em forte queda. A ação PNA(BOV:VALE5) , a segunda mais negociada do dia, caiu 5,18% enquanto a ON (BOV:VALE3), 3,31%. Hoje, a Vale anunciou que a Justiça mandou que ela e a BHP Billiton depositem R$ 1,2 bilhão para cobrir riscos da Barragem do Fundão, da controlada Samarco, em Minas.

Os bancos tiveram movimentos distintos, com Itaú Unibanco PN (BOV:ITUB4), maior peso no índice, recuando 1,28% e Banco do Brasil ON (BOV:BBAS3), 6,63%, Já a ação PN (BOV:BBDC4) do Bradesco subiu 0,17%.

Exportadoras lideram altas; Marfrig sobe 9,9%

As maiores altas do Ibovespa foram novamente das exportadoras, que podem se beneficiar da forte alta do dólar. O frigorífico Marfrig ON (BOV:MRFG3) subiu 9,89%, as produtoras de celulose Fibria ON (BOV:FIBR3), 7,67%, Suzano Papel PNA (BOV:SUZB5), 4,98% e Klabin Unit (BOV:KLBN11) (recibos de ações), 4,29%. Estácio Participações (BOV:ESTC3) ganhou 3,86%.

As maiores quedas foram lideradas por Copel PNB (BOV:CPLE6), com 12,36% de queda, seguida de Sabesp ON (BOV:SBSP3), 10,38%, Rumo Logística ON (BOV:RUMO3), 9,67%, Petrobras PN (BOV:PETR4) e Cosan (BOV:CSAN3).

Copel lidera quedas na semana, com 17,9%

Na semana, as maiores quedas do Ibovespa foram de Copel PNB (BOV:CPLE6), 17,89%, Sabesp ON (BOV:SBSP3), 16,17%, Lojas Americanas PN (BOV:LAME4), 12,181%, Cemig PN (BOV:CMIG4), 12,39% e Petrobras PN (BOV:PETR4), 12,38%. As maiores altas da semana foram das exportadoras Fibria ON (BOV:FIBR3), 22,29%, Vale ON (BOV:VALE3), 20,22%, Suzano Papel PNA (BOV:SUZB5), 18,78%, Gerdau PN (BOV:GGBR4), 16,25%, Vale PNA (BOV:VALE5), 15,17% e Bradespar PN (BOV:BRAP4), 14,04%.

No exterior, as bolsas iniciaram o dia em alta na Europa e nos Estados Unidos, apostando na melhora da atividade econômica americana por conta dos incentivos de Trump. Na Europa, porém, o movimento reverteu, com o Índice Stoxx 50 perdendo 0,54%. O Financial Times, de Londres, caiu 1,43%, o CAC, de Paris, 0,92% e o Ibex, de Madri, 1,34%.

Dow Jones sobe 5,4% na semana, maior alta desde 2011

Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,2% depois de passar boa parte da tarde em queda, enquanto o Standard & Poor’s 500 perdia 0,14% e o Nasdaq ganhava 0,54%. Com a alta de hoje, o Dow Jones acumulou ganho de 5,4% na semana, o melhor desempenho semanal desde dezembro de 2011. Já o S&P 500 e o Nasdaq acumularam 3,8%.

México cai 0,54% no dia e 7,20% com Trump

No México, o índice IPC caiu 0,54%, acumulando perda de 6,39% na semana. Desde a eleição de Trump, porém, o índice cai 7,20%.

Chama a atenção que o Brasil, ao lado da Argentina, cujo índice Merval caiu 3,52%, tiveram perdas maiores que o próprio México hoje, alvo principal das promessas de Trump que, além de construir um muro na fronteira do Rio Grande, quer mudar o acordo Nafta e atrair de volta as empresas americanas instaladas no país vizinho. No Peru, o principal índice caiu 1,69%, no Chile, 1,51% e na Colômbia, 1,55%.

Petróleo cai 3%

O petróleo fechou em queda, com novas incertezas sobre a redução de produção pelos países da Opep. O petróleo tipo WTI, negociado em Nova York, fechou em baixa de 3,25%, a US$ 43,21 o barril. Já o Brent, referencial mundial negociado em Londres, caiu 2,57%, para US$ 44,66 o barril.
O ouro também caiu, 3,31%, diante da expectativa de alta dos juros americanos e fortalecimento do dólar. O metal caiu 3,28%, para US$ 1.224,90 a onça-troy (31,104 gramas).

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