Banco central dos EUA age preventivamente em horizonte incerto

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Na última quarta-feira, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou a meta para a taxa referencial de juros do país em 0,25 ponto porcentual, para a faixa de 0,50% a 0,75% ao ano, conforme era amplamente esperado pelo mercado, mas surpreendeu levemente os investidores ao anunciar que a previsão da instituição para os juros no ano que vem aumentou, passando de 1,1% para cerca de 1,4%.
Sob a estimativa atual, e considerando que todos os aumentos de juros nos Estados Unidos seguirão sendo de 0,25 pp, as autoridades passaram a prever três aumentos nas taxas no ano que vem, ante apenas dois anteriormente.
O mercado estava se posicionando para juros mais altos em 2017 desde a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, visto que durante a campanha o então candidato do Partido Republicano prometeu adotar políticas de potencial inflacionário – redução de impostos, aumento nos gastos públicos com infraestrutura, deportação de imigrantes ilegais e aumento em tarifas de importação, entre outros.
Analistas, no entanto, previam que o Federal Reserve faria o ajuste das estimativas apenas depois de confirmada a intenção de Trump em adotar tudo o que fora prometido durante o período eleitoral. O risco, portanto, é de que a trajetória de aperto monetário fique ainda mais intensa se o novo presidente norte-americano efetivamente adotar as mudanças nas primeiras semanas de governo.
O Fed, porém, pode ter agido preventivamente, contando que ao menos parte das iniciativas defendidas por Trump será adotada. Durante a entrevista coletiva em que comenta a decisão de política monetária, a presidente do banco central, Janet Yellen, ressaltou que a mudança na perspectiva do Fed para os juros foi “muito pequena”, mas apontou também que os membros da instituição “reconhecem que há incerteza considerável” em relação a quais políticas econômicas serão adotadas pela nova administração.
A perspectiva de juros maiores nos Estados Unidos importa para o cenário do mercado brasileiro em 2017. Segundo análise do Morgan Stanley, o Brasil corre um risco médio de fuga de capital para o mercado norte-americano se os juros por lá subirem mais rapidamente do que se prevê.
No mercado doméstico a expectativa é de queda da taxa básica de juros, a Selic, e de potenciais obstáculos no Congresso à reforma da Previdência – um dos pilares do ajuste fiscal proposto pela equipe econômica do governo atual. O retorno menor dos títulos do Tesouro e a falta de garantias de que o endividamento público começará a diminuir devem diminuir o apelo desses ativos.
Além disso, o argumento cada vez mais consolidado de que a recuperação do Brasil levará mais tempo do que se previa em meados deste ano também pode contribuir para que o Ibovespa devolva o ganho de quase 35% acumulado ao longo de 2016, construído essencialmente sob a tese de que a troca de comando no governo federal encerraria a crise política e restauraria a confiança nos setores produtivo e de consumo, trazendo de volta o crescimento econômico. “Incerteza” continuará sendo o nome do jogo nos próximos meses.
Este boletim encerra nossa newsletter neste ano. Voltaremos a divulgar a retrospectiva semanal da Agência CMA em 9 de janeiro de 2017. Até lá, boas festas e bons negócios.

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