Fed sinaliza para 2017 e Bacen divulgará atividade econômica

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Mercados Globais

Ontem o Comitê de Política Monetária do Federal Reserve dos EUA fez sua primeira alta da taxa básica de juros, os fed funds, desde o início do ano passado. Apesar de ser um movimento previamente avisado, ele não deixou de causar turbulências nos mercados. A maioria das bolsas fechou em queda forte, as moedas se desvalorizaram e os juros das dívidas soberanas subiram forte. O índice S&P500, dos EUA, encerrou o pregão em queda de 0,8% e os juros dos títulos de dez anos do governo dos EUA estavam sendo negociados a 2,60% ao ano. Os diretores do FED sinalizaram que em 2017 ocorrerão, em sua visão de ontem, mais três alta de juros de juros. Com isso os juros básicos encerrariam o ano que vem entre 1,5% e 2% Janet Yellen, a presidente da autoridade monetária fez um discurso claramente dirigido a Donald Trump, evidenciando que a autoridade monetária acredita que a economia caminha para o pleno emprego, a um ritmo satisfatório e sólido. Esse, talvez, seja um recado para o futuro presidente dos EUA, que pretende utilizar-se de uma política fiscal agressiva para criar empregos e animar a economia.
Ao redor dos mundo as bolsas estão em alta, animadas com a valorização do dólar que pode fazer com que o resto do mundo tenha mais estímulos pra exportar e, portanto, para crescer mais. O yen estava sendo negociado a 118,5 yen/dólar, rumo aos 120. Com dólar em alta, as commodities devem ter seus preços, cotados nessa moeda, elevados, o que pode animar as bolsas de emergentes.
Por ora, as bolsa na Ásia, exceto a de Tóquio, caíram forte, refletindo os ecos do pregão de ontem. A Europa tem as principais bolsas em alta hoje, refletindo dados positivos para a pesquisa PMI e o euro desvalorizado
Mais tarde saem dados de inflação e atividade industrial nos EUA, mas devem influenciar apenas marginalmente os mercados, que ainda estarão digerindo a postura mais altista do que esperado do FED.

Brasil

Hoje o BC divulgará sua pesquisa de atividade econômica e a expectativa média do mercado é de retração de 0,5% para outubro. Se confirmada, ela se junta à Indústria e ao Varejo para sinalizar que teremos, com alta probabilidade, um trimestre de contração, o oitavo seguido.

Pioram as chances de recuperação da nocauteada economia brasileira, que afunda em ritmo acelerado em meio ao contínuo envolvimento do governo e sua base nas delações da lava a jato. A credibilidade do governo continua em derretimento e isso vai fazendo com que as decisões de gastos dos agentes – empresas, famílias e governos – recuem diante das enormes incertezas. As discussões, disseminadas repetidamente na imprensa, acerca da descontinuidade do  governo Temer mostram que o horizonte de planejamento não é claro. As medidas que o governo pretende tomar para tentar estimular a economia são pouco eficazes. A mais falada é a liberação de R$ 30 bilhões do FGTS. Ela tem a capacidade de salvar os credores em situação difícil e pouca chance de estimular a economia de maneira efetiva. A ideia é liberar até R$ 1 mil para quem tem FGTS, para que quitação de dívidas. Com o enorme desemprego que temos hoje, as famílias podem até utilizar essa operação para quitar algumas dívidas (mais de 55 milhões de pessoas estão com seu nome negativado no SERASA), mas é pouquíssimo provável que venham a gastar essa mesma quantidade por meio da aquisição de novos crediários. É mais uma medida que ajuda muito os credores mas tem baixo impacto na atividade econômica.

Do lado otimista das notícias, ficam os ecos da aprovação da PEC 55 e da Reforma da Previdência na CCJ  da Câmara. Ela deve ir à votação, segundo as lideranças, em fevereiro.

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