Pacotes de medidas e agentes digerindo efeito da elevação dos juros

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Mercados Globais

As moedas, juros e ações ganharam um dia de folga após uma semana turbulenta. Os agentes estão digerindo os efeitos da elevação dos juros nos EUA e da promessa de mais altas no ano que vem. O dólar encontra-se em seu patamar mais elevado em quatorze anos e isso impulsiona algum otimismo acerca da capacidade de países da Ásia e Europa em aumentarem suas exportações e, com isso, melhorarem suas performances econômicas. É uma conjectura popular entre as instituições financeiras mas encontra muitas condicionantes no médio prazo. Ainda são incertos os passos que Donald Trump dará em sua política fiscal e, portanto, ainda são incertos os efeitos sobre essa política fiscal sobre os juros mais longos e, por esse canal, sobre a economia real e os preços dos ativos.

A grande notícia do dia foi dada pelo PBOC, banco central chinês, de que manterá uma política monetária prudente e cautelosa ao longo de 2017. Essa é uma resposta para as crescentes dúvidas sobre o comportamento das dívidas privadas que cresceram na mesma proporção que as reservas chinesas. O receio de que a China repita o desastre dos EUA em 2009 é grande. Todos os meses assistimos a um fluxo contínuo de saída de capitais desse país em direção ao resto do mundo.

Na União Europeia serão divulgados índices de inflação ao consumidor e eles devem continuar a mostrar uma região dentro de um processo deflacionário ou quase deflacionário. A inflação ainda está abaixo do 1% e reflete a dinâmica lenta dos mercados de trabalho da região.

As bolsas da Ásia fecharam alternando pequenas altas e pequenas baixas, ao passo que as bolsas europeias operam todas em com pequenas quedas. Os mercados de moedas e dívidas soberanas estão mais distendidos, após uma semana tensa. As treasuries de dez anos dos EUA voltaram aos 2,55% a.a. ao passo que o euro é negociado a 1,0462.

Os EUA só terão indicadores do mercado imobiliário, que afetam pouco os preços.

Brasil

Ontem, Michel Temer e Henrique Meirelles anunciaram um pacote de medidas para tentar estimular a economia que, com certeza, apresentará um quarto trimestre de queda. Uma das medidas foi o de o endividamento privado, tanto das famílias como das empresas. Isso será feito através de uma renegociação dos débitos tributários, que têm impacto nulo sobre as contas públicas e pode, na esperança governamental, dar mais força para que empresas e famílias tomem decisões de gastos no final do ano e início de 2017. Além disso, o governo está reabrindo o leque de captação do setor imobiliário por meio das Letras Imobiliárias, que os bancos poderão emitir para financiar o setor. Difícil imaginar que o setor bancário tenha apetite para financiar empresas do segmento imobiliário que estão com projetos engavetados e milhares de imóveis devolvidos por famílias e empresas que foram à ruína nessa crise de sete trimestres de contração. A alteração no limite de empréstimo do BNDES, para R$ 300 milhões, também deve apresentar problemas, já que o caixa do banco foi diminuído, pela devolução de R$ 100 bilhões ao tesouro, e a situação de crédito das empresas é bastante ruim no momento, o que as incapacita de solicitar dinheiro ao banco. Mais de 50% das empresas dos país estão negativadas junto à SERASA. As outras medidas não atrapalham, mas tampouco servem de impulso para a demanda do país, que precisa se expandir para interromper o ciclo de queda.

A única coisa que é certa, é que a redução do prazo para repasse dos pagamentos aos comerciantes, por parte das empresas de cartões, como a CIELO e Multiplus, irá afetar seus valores de mercado.  Apesar de corretas, elas não afetam os consumidores, apenas transferem a renda que as empresas de cartões obtinham do Tesouro Nacional, por ficarem com os pagamentos por duas semanas, para as empresas que venderam bens e serviços.

O mercado pode até gostar, mas o pacote foi de baixo impacto e ficará soterrado pela falta de confiança oriunda dos infinitos problemas gerados pela crise politica.

 

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