Sondagem de serviços negativa e BC divulgará relação dívida/PIB

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Mercados Globais

 Mesmo com a divulgação de dados econômicos importantes, os mercados asiáticos tiveram um pregão morno, de baixa volatilidade e liquidez. A China anunciou o crescimento de 14,5% nos lucros de empresas industriais e o Japão uma deflação, a nona seguida, nos preços ao consumidor. Eles caíram 0,4% em doze meses medidos pelo núcleo do IPC. Apesar de confirmar a tendência dos últimos vinte e cinco anos, de baixa atividade e queda nos preços, o dado de inflação do Japão não desanimou os analistas do mercado, que veem na política de Abe-Kuroda uma saída realista para esse desafio decenal. O índice Nikkei fechou com valorização de 0,03% e o da bolsa de Xangai com -0,23%. As bolsas europeias não estão em ritmo diferente. Lá, a notícia de destaque é o anúncio do BCE de que o buraco no Banco Monte dei Paschi é de 8,5 bilhões de euros.

Com Londres ainda em feriado de Natal, os mercados esperarão a abertura de Nova York para definir os preços dos principais ativos. A agenda econômica tem dados de confiança do consumidor, preços de imóveis e pesquisas de atividade dos FEDs regionais. Em relação aos preços dos imóveis, vale notar que os preços pesquisados nas vinte maiores cidades dos EUA, e refletidos do índice S&P/Case-Schiller, já recuperaram os níveis pré crise de 2009, veja o gráfico:

Retirando-se os efeitos sazonais, que fazem com que o gráfico se comporte com grandes altas e baixas, a média dos preços retomou o patamar de 2005, ano que precedeu ao derretimento do setor imobiliário.

Brasil

Hoje o BC divulga as contas públicas consolidadas de novembro. Ontem o governo divulgou suas contas e elas vieram com déficit de R$ 38 bilhões, após o superávit extraordinário de outubro. A expectativa é de que a relação dívida/PIB tenha subido para 44,5%.

As manchetes de dois dos principais jornais pontuam o fechamento de lojas em Shoppings do país e a queda das vendas do natal desse ano em relação ao ano anterior. Esse dados configuram as condições para definirmos como elevada a probabilidade de um quarto trimestre de queda no PIB trimestral. Vem confirmar esse cenário a Sondagem do Comércio, divulgada pela FGV hoje. Ela apresentou a quarta queda consecutiva, de 1,8 ponto,  e veio em 75,7. Conforme Silvio Sales, da FGV:

“As empresas do setor de serviços seguem no movimento de revisão, para baixo, das expectativas sobre a evolução dos negócios no curto prazo. Com avaliações sobre a situação corrente em patamar historicamente muito baixo e praticamente estáveis ao longo do segundo semestre, a curva de confiança passa a apresentar tendência
de queda no último trimestre de 2016. A mensagem dos números da sondagem de serviços nesse final de ano é de que o setor deve prosseguir com fraco desempenho no início de 2017”

Essa leitura é semelhante à obtida pela pesquisa de confiança dos consumidores e dos empresários da indústria. A economia está em derretimento e as confiança, que subiu após o impeachment vem caindo novamente. Tanto o lado fiscal vai intensificando a sua piora, como a demanda privada. Ambos pressionam a percepção do mercado a esperar mais reformas e, simultaneamente, a acreditar na aceleração da queda da taxa SELIC. Veja o gráfico do Índice de Confiança dos Serviços:

Ontem o pregão da Bovespa registrou um de seus menores volumes do ano, com R$ 1,6 bilhões, frente a uma média anual de R$ 7,4 bilhões. Ainda que tenha sido resultante do feriado nos EUA, hoje ele não deve ser muito maior.

 

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