Tendência de Queda para a Bolsa e Situação Política vai se Deteriorando

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Mercados Globais

Hoje o ministério da indústria da Alemanha divulgou as encomendas de outubro e elas subiram incríveis 4,9%, ante expectativas de alta de 0,6%. Esse dado se refletiu no PMI de outubro e pode ser um indicador de crescimento vigoroso no quarto trimestre do ano. A velocidade de alta, no entanto, deve estar caindo em novembro, segundo a leitura do PMI divulgada ontem, na qual Alemanha e França tiveram uma desaceleração da expansão da indústria. Os mercados europeus operam mixados, mas com os bancos em alta diante da perspectiva do governo italiano liberar ajuda para o banco Monte dei Paschi após a queda do Primeiro Ministro Renzi. O banco vinha causando preocupações há meses e estava à beira do colapso. O ex Primeiro ministro, engajado em um plano de redução do endividamento italiano, se recusava a promover um amplo socorro financeiro à instituição.

A melhora em relação à percepção da situação política na Itália, que poderia causar um enorme transtorno global ao sair da União Europeia, permitiu que os mercados asiáticos operassem majoritariamente em alta, em que pesam os temores em relação à evolução da política comercial dos EUA para a China. Donald Trump tem mantido seu discurso militante em torno do protecionismo, dirigindo ataques considerados ofensivos pelas autoridades chinesas. Apesar da temperatura subir, atingindo não apenas aspectos comerciais, mas também geo-políticos, os mercados asiáticos operaram em alta, exceto por Xangai.

Na Europa as bolsas estão em alta, animadas com a perspectiva de que a recomposição do governo italiano seja rápida e que possa encaminhar positivamente as políticas de ajuste fiscal e estímulo da economia.

Hoje saem os dados do PIB da União Europeia e eles serão importantes para avaliarmos a trajetória do crescimento da região. A continuidade da política de estímulo monetário do Banco Central Europeu depende desse dado. A expectativa média é de um crescimento de 0,3%.

Nos EUA, a evolução política pode indicar alguns aspectos conflitantes, pois a maioria republicana dos deputados está alarmada com os discursos agressivos de Donald Trump em direção às empresas que têm investimentos fora do país. Mas, ainda que o mercado esteja em sua lua de mel com o vencedor das eleições desse ano, a ruptura política definitiva só ocorrerá quando em seu cargo, ele começar a confirmar, ou não, os piores temores dos mercados, seja na política fiscal, seja na política comercial. Hoje será o dia de avaliar os dados de produtividade e salários do mercado de trabalho e de encomendas à indústria, O mais provável é que as bolsas continuem batendo recordes.

Brasil

A situação política mantem-se em frágil equilíbrio em direção à piora e sempre pode adotar uma trajetória mais explosiva. Atendendo ao pedido da Rede, o Ministro Marco Aurélio Mello afastou Renan Calheiros da Presidência do Senado e, o que poderia ser uma resposta positiva às demandas da mídia, do Judiciário e de alguns segmentos sociais, tornou-se um enorme pesadelo para os que esperavam rapidez na aprovação das “reformas”. A deposição de Renan Calheiros empossa seu vice, o Senador pelo Acre, Jorge Viana. Toda a crise entre os poderes, liderada, na parte legislativa, por Renan, parece uma refrega secundária se levarmos em conta que o governo pode ver freadas no Senado as suas iniciativas para a votação da PEC 55 e para a reforma previdenciária. O fato, mal percebido pelos opositores de Renan, é que o seu substituto devolve o PT ao poder; pelo menos a uma parte importante do poder. Por enquanto não se deve esperar a votação da PEC 55, em segundo turno, na próxima terça feira. Ao contrário, espera-se uma postura de oposição vigorosa a quaisquer iniciativas do governo Michel Temer no sentido de aprovar algo no Senado. Era com isso que contava Renan: o PT era a sua linha sucessória, ao menos até fevereiro, quando haverá nova eleição para a presidência da casa. Hoje, desesperados, líderes do governo estão organizando uma iniciativa para recorrer da decisão de Marco Aurélio Mello ou, no mínimo, apressar a votação do afastamento no plenário do STF para tentar reverter o cenário.

Caso Renan Calheiros volte à presidência, ao menos até fevereiro, “as ruas” continuarão a rufar tambores contra sua permanência ali? E ele continuará a liderar a votação das “10 medidas anti-corrupção” tal qual vinha fazendo, agora com apoio de Michel? O dilema levantado pela crise com o judiciário, tudo indica, vai ganhar um enorme peso. Voltando, Calheiros sairá fortalecido para aprovar o projeto de acordo com o relatório do Senador Roberto Requião. Se não voltar, irá, militar, junto a Viana, Costa e Requião na sua aprovação, de forma ainda mais ardorosa. De tal sorte que o projeto caminha para a votação e, depois disso, para a decisão sobre o veto a ser dado por Michel Temer. Em uma árvore de resultados de três ramos, o governo vê três resultados potencialmente explosivos: o retardamento das votações que eram dadas como certas; a votação das medidas do judiciário por Viana e, finalmente, a votação das medidas do judiciário por um Renan fortalecido. Sem Renan, as medidas do judiciário serão votadas e as reformas não; com Renan, as reformas serão votadas, mas ao custo das medidas do judiciário emplacarem uma derrota para a corporação judiciária. Pelo sim, pelo não, vale lembrar, adicionalmente, que o presidente do Congresso passa a ser Waldir Maranhão, aquele que, em uma tarde inspirada, votou pela suspensão do processo de impeachment.

A situação política vai se deteriorando rapidamente.

O aumento da gasolina, 8,1%, e do diesel, 9,5%, deverá ter um impacto direto, pelo ítem combustíveis no IPCA, e outros indiretos, como tarifas de ônibus e alimentos, para os quais o peso dos fretes é muito elevado por conta de seu baixo valor agregado (por exemplo, alface, tomate, etc…). Normalmente o impacto do aumento da gasolina e do diesel é elevado e se dissemina pelo IPCA ao longo de três a quatro meses.

O mercado, adicionalmente, ficará atento à Ata do Copom, a ser divulgada na manhã pelo Banco Central.

Ações: drivers macro e corporativos 

O fato macro que determinará os rumos dos mercados é, sem dúvida, a saída de Calheiros da Presidência do Senado, que tornará o pregão de hoje um evento notável. Mas, apesar da queda do petróleo no exterior, por conta de uma realização, após uma forte alta, a Petrobrás poderá ter sua queda amenizada, ou mesmo operar em alta, após a notícia do aumento dos combustíveis. Já a Vale deverá seguir o mercado externo, no qual a BHP opera em alta de 1,20% em Sidney. Elas tendem a se descolar das demais mas não devem evitar a queda, caso o pregão fique mais tenso que o normal.

Há uma tendência de alta para o dólar e os juros e de queda para a bolsa.

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