Última reunião do FED na gestão Obama chama a atenção dos mercados

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Mercados Globais

Hoje ocorre um dos mais esperados eventos dos últimos anos. O Federal Reserve poderá elevar a sua taxa básica de juros, os FED Funds, pela primeira vez desde o início do ano passado. O mercado irá observar atentamente o comunicado acerca da decisão, a conferência de Janet Yellen  para a imprensa e a nota com as projeções dos diretores para inflação, crescimento, desemprego e taxas de juros. Será a última reunião na gestão Obama e não se deve esperar uma posição muito clara dos diretores em relação ao que pode ser a política fiscal de Donald Trump. Essa é a principal mudança na política econômica dos EUA e, se confirmadas as propostas eleitorais do republicano, as taxas de juros mais longas deverão subir para comodar uma trajetória de endividamento mais agressiva, com consequências ainda não tangíveis para qualquer modelo. As taxas de juros de dez anos saíram de um patamar de 1,50%,  reduzidas pela política de estímulos do FED no âmbito do Quantitative Easing e estão subindo desde as eleições. Veja o gráfico dos juros dos títulos de dez anos dos EUA:

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Na política, Trump pode anunciar o CEO da Esso, REX Tillerson, como Secretário de Estado. A ideia inicial era Mitt Romney, um insider da política há décadas. A nomeação do executivo completa a série de nomeações de empresários outsiders para comandar a maior potência econômica e militar do planeta. Há quem veja essa estratégia como arriscada e fadada ao fracasso. Como o mercado é extremamente pragmático, essa indicação não deve fazer preço.

A China divulgou dados muito positivos para indústria, varejo e investimentos. A produção industrial subiu 6,2%, as vendas do varejo 10,8% e os investimentos em ativos fixos 8,3%. Esses dados mostram que, apesar da redução do ritmo de crescimento em relação ao grande ciclo de commodities, a economia chinesa mantem um ritmo satisfatório.

Hoje saíram os dados de confiança estimados pelo instituto ZEW. O índice de sentimento econômico para a Alemanha manteve-se estável, surpreendendo as expectativas que eram de ligeira alta. Já para a União Europeia ele superou as expectativas. Subiu de 15,8 para 18,1, quando o esperado era 16,5.

As moedas continuam em desvalorização em função da reunião do FED, com o euro sendo negociado a US$ 1,0614 e o yen a 115,29 yen/dólar.

O dia será dominado pelas expectativas em relação ao FED.

Brasil

 Hoje sai a Pesquisa Mensal do Varejo do IBGE de outubro e, pelas expectativas, deve apresentar uma queda de -0,7%. Iniciando o último trimestre do ano em queda, dificilmente conseguiremos ver uma reversão de tendência em novembro e dezembro. Todos os trimestres de 2016 serão de quedas dos PIBs trimestrais e o PIB anual afundará mais 3,5%. Ainda que o governo Michel Temer sinalize com propostas de estímulo, elas não darão resultados no curto prazo e o barco continuará afundando antes de ficar à deriva. Hoje as manchetes indicam que Temer pretende anunciar um pacote de estímulos na quinta feira, quando se reunirá com Meirelles, da Fazenda, e Dyogo, do planejamento. Especula-se que o governo pretende liberar R$ 30 bilhões do FGTS para que as pessoas físicas quitem suas dívidas junto aos bancos; uma medida para aumentar o teto do Minha Casa Minha Vida para R$ 6,5 mil e, talvez, mais oito propostas que estariam sendo estudadas, segundo “fontes” da Broadcast.

Porém, custa a crer em algum estímulo eficaz quando a economia afunda a essa velocidade e os principais executivos do país ainda estão tentando entender se haverá governo no Brasil nos próximos seis meses. Em cenários como esse que enfrentamos, de alta incerteza e queda dos gastos privados, dar renda para que os agentes a gastem é pouquíssimo produtivo. O ideal é que o próprio governo gaste, gerando empregos e faturamento para as empresas privadas. Mas como o mercado emparedou a capacidade de gastos do governo e, ao contrário, espera sua forte redução, não há porque esperar, no curto prazo, qualquer medida que faça a economia reduzir a velocidade de queda.

O que, de fato, é importante, é o recrudescimento da crise política que levou o governo às cordas. A primeira delação da Odebrecht ensejou apenas uma única defesa por parte do governo Temer: um veemente protesto contra o vazamento da delação. Como os agentes estão atentos ao conteúdo e não à forma, o envolvimento dos principais quadros do governo nas operações da empreiteira continuará a minar a capacidade de gerenciamento da crise. Mesmo que a imprensa deixe os ecos dessa delação morrerem aos poucos, ainda teremos mais outras sessenta e tantas a ouvir.

Com a votação da PEC do Teto hoje no Senado, em segundo turno, o mercado pode ter um respiro importante. Esse medida é vista como um enorme avanço estrutural para a economia e sua aprovação pode interromper por algumas horas o desconforto atual. Difícil imaginar os resultados se a mesma não for votada hoje.

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