Donald Trump vai jogar no ataque

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Contrariando a expectativa de alguns analistas e até de importantes líderes políticos globais, o velho e agressivo Trump das campanhas eleitorais não será tão diferente do novo Trump como presidente dos Estados Unidos.

Em discurso de posse nesta sexta-feira, Donald Trump, quadragésimo quinto presidente dos Estados Unidos, invocou o espírito nacionalista e criticou fortemente a classe política, duas grandes marcas de sua polêmica campanha eleitoral.

O novo presidente dos Estados Unidos enfatizou que vai colocar de volta os interesses de sua nação em primeiro lugar, reforçando perspectivas de revisões em alguns acordos comerciais, ameaçando o frágil processo de globalização. A posição de Donald Trump é, também, de enfrentamento ao presidente da China, Xi Jinping, que tem defendido vigorosamente o livre comércio.

Logo no primeiro dia de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, ficou claro que as relações comerciais entre as duas maiores potências globais estão se estremecendo. Não por acaso Xi Jinping tem se empenhado em marcar posição contraria as sinalizações de Trump, já que uma onda de protecionismo, puxada pelos Estados Unidos, jogaria a China em colapso, hoje a maior exportadora de bens do mundo.

Trump não só indicou que vai partir para o ataque contra a China, como também vai combater problemas internos utilizando mais fiscal para investir em infra-estrutura, conceder subsídios e aumentar as desregulamentações a fim de se criar mais empregos e impulsionar o crescimento econômico.

Conforme informação disponibilizada pelo site da Casa Branca, a nova administração terá como meta criar 25 milhões de empregos no País, além de retomar um ritmo anual de crescimento da ordem de 4% ao ano. Os números são ambiciosos e, se atingidos, podem provocar efeitos significativamente adversos.

O novo presidente dos Estados Unidos parece não ter se convencido de que o espaço para mais impulso fiscal é pequeno, já que a economia opera próxima do pleno emprego, com a inflação se ancorando no centro da meta. A insistência de Trump numa política fiscal mais expansionista poderá forçar o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) responder com mais aperto na política monetária.

Na política externa, a nova administração tem como principal objetivo erradicar completamente o terrorismo islâmico da face da Terra, palavras mencionadas pelo próprio presidente dos Estados Unidos no seu discurso de posse. Para isso, a Casa Branca confirmou posteriormente que o novo governo realizará operações militares agressivas conjuntas e de coalizão quando necessário, além de trabalhar para cortar os financiamentos de grupos terroristas, promover guerra cibernética para combater propaganda e recrutamento e expandir o compartilhamento de informações.

Uma nova proposta de orçamento será apresentada ao Congresso com objetivo de reconstruir as Forças Armadas dos Estados Unidos, com boa possibilidade de rápida aprovação, já que um orçamento militar robusto sempre foi defendido pelos republicanos, que hoje ocupam a maioria tanto na Câmara, quanto no Senado.

Apesar de nenhum plano ter sido detalhado na tarde desta sexta-feira, o discurso de posse deixou claro que Donald Trump está empenhado em seguir suas promessas de campanha, criando um ambiente de incerteza a nível global.

Por outro lado, o receio continua não contaminando o mercado, mostrando que boa parte dos players ainda preferem aguardar os desdobramentos da administração Trump para traçarem cenários de médio e longo prazo.

O clima em Wall Street segue positivo e os principais índices acionários continuam colados em suas respectivas máximas históricas.

spx

A Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano), considerada o termômetro do mercado para a política fiscal de Donald Trump, subiu ligeiramente nesta sexta-feira para 2,48%, ainda empurrada pelas últimas declarações da chair do FED, Janet Yellen.

UST10Y

O dólar contra cesta de principais moedas globais fechou em leve baixa nesta sexta-feira, trabalhando dentro de uma correção de curtíssimo prazo, sem causar ameaça à tendência principal de alta.

USD

Ainda nesta sexta-feira, a Agência Nacional de Estatísticas informou que o PIB (Produto Interno Bruto) da China cresceu 6,8% no quarto trimestre de 2016, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado veio acima do esperado, impulsionado por uma política fiscal ainda muito expansionista, com gastos governamentais considerados excessivos combinados ao aumento da circulação do crédito na economia.

No acumulado de 2016 a economia chinesa expandiu 6,7%, ficando dentro da meta a ser perseguida pelo governo (entre 6,5% a 7%). Mesmo conseguindo cumprir seu objetivo, a China registrou no ano passado o ritmo de crescimento mais lento dos últimos 26 anos.

Para 2017, a expectativa é de continuação da trajetória de desaceleração do crescimento, onde a meta a ser perseguida será possivelmente revista de uma banda entre 6,5% a 7% para 6,5%. A redução gradual do ritmo de crescimento é necessária para que as lideranças políticas consigam conter os riscos da dívida, que tem aumentado significativamente nos últimos anos.

A bolsa de Xangai reagiu para cima, reforçando a formação de fundo duplo na região dos 3k. Mercado bem armado para superar a LTB 3,3k.

SSEC

Na Europa, destaque para a reunião do BCE (Banco Central Europeu), onde as taxas de juros foram mantidas, bem como o cronograma do programa de compra de ativos, que será reduzido de 80 bilhões de euros mensais para 60 bilhões a partir de abril, com termino previsto para dezembro de 2017.

A reunião de política monetária, encerrada na última quinta-feira, foi marcada por intensa pressão para que a autoridade monetária da zona do euro respondesse à recente sinalização de aceleração da inflação. O Bundesbank (Banco Central da Alemanha) subiu suas críticas ao BCE, afirmando que as políticas tem corroído a riqueza dos poupadores e permitido economias mais fracas a fugir das reformas fiscais.

Em entrevista concedida após a reunião de Comitê, Mario Draghi, presidente da instituição, surpreendeu ao minimizar os riscos provocados pela aceleração da inflação, afirmando ainda não detectar sinais de uma tendência de alta após contabilizar o efeito do aumento dos preços do petróleo.

Draghi finalizou pedindo paciência aos mais críticos (recado dirigido especialmente ao Bundesbank), dizendo que as taxas de juros subirão na zona do euro a partir do momento em que houver aceleração no processo de recuperação do crescimento, quadro que ainda pode demorar para se materializar.

A bolsa de Frankfurt reagiu com otimismo, fechando o pregão desta sexta-feira em alta, colada na máxima histórica.

DAX

Na Inglaterra, o índice FTSE trabalha movimento técnico de alívio após o forte e impressionante rali dos últimos dois meses, responsável por jogar o mercado para elevado nível de sobrecompra.

FTSE

No Brasil, o índice Bovespa (BOV:IBOV) fechou a sexta-feira em alta, renovando a máxima de 2017 e muito próximo de testar a máxima do ano passado, aos 65,3k. Mercado segue comprado.

BVSP

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