Queda recente do dólar ante o real tem forte influência interna

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Cotado a R$ 3,06, o dólar encerrou o pregão da última quarta­-feira (15) em queda. Isso ocorreu após o fechamento em baixa no dia anterior, aos R$ 3,0940 no mercado à vista. Este foi o menor nível desde junho de 2015.

Em 2016, os contratos futuros de dólar acumularam perda de cerca de 25% e, por enquanto, apresentam a mesma tendência em 2017. O recuo da moeda já acumula 7,18% no ano, sendo que em janeiro o contrato acumulou perda de 4,11% e no mês corrente já acumula baixa de mais de 3%.

Após romper recentemente a barreira dos 3.120 pontos, o contrato acelerou as quedas. A perspectiva do mercado é que ele continue nessa trajetória descendente, mas há possibilidade de apresentar dificuldades para romper a barreira dos R$ 3.

O forte recuo da moeda norte-americana recentemente se dá pelas melhores expectativas dos investidores em relação ao cenário macroeconômico. A melhora dos indicadores econômicos, com quedas bruscas da taxa de juros e dos indicadores de inflação, aliados a uma maior estabilidade política, se comparado ao cenário de 2016, tem contribuído para a valorização do Ibovespa e forte desvalorização do dólar.

No panorama doméstico, outro acontecimento que colaborou para a queda da moeda norte-americana foi a divulgação do novo programa de repatriação do governo de Michel Temer. A notícia pode fazer com que haja novo fluxo de recursos para o país, pressionando ainda mais o dólar.

A manutenção de Moreira Franco como ministro da Secretaria Geral da Presidência também contribuiu para a baixa da moeda. A decisão de Celso de Mello do Supremo Tribunal Federal (STF) pode indicar força do governo e sugerir maior possibilidade de aprovação de medidas importantes para o equilíbrio das contas públicas, como a reforma da Previdência.

Além disso, os movimentos de abertura de capital (IPO) têm se intensificado neste ano, significando um atrativo de capital externo para o país, fato que corrobora a desvalorização cambial.

Nesse sentido, o cenário externo também trouxe notícias importantes para a cotação do dólar. A sinalização de Janet Yellen, presidente do Federal Reserve, de que há possibilidade de aumento dos juros nos Estados Unidos ajudou a moeda do país a subir ante a outras moedas.

Com a alta dos juros no país, o dólar pode apresentar tendência de alta em comparação com outras moedas, inclusive o real. Isso pode ocorrer porque os EUA ficariam mais atrativos para investidores com aplicações em outros países.

Ainda na quarta-feira, o Banco Central Brasileiro realizou swap cambial tradicional. O objetivo da operação foi fazer um leilão para rolagem dos contratos que vencem em março. Contudo, esse tipo de operação também pode visar impactar negativamente a cotação do ativo, ou seja, desvalorizá-lo. Foram ofertados 6 mil contratos totalizando US$ 300 milhões.

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