Petróleo retoma movimento de baixa por receio com aumento da oferta

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Os preços do petróleo negociado no mercado internacional caíram cerca de 9% na semana passada, com investidores passando a prever que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) pode desistir de controlar a própria produção se os Estados Unidos continuarem se aproveitando disso para ganhar fatia de mercado.

No final do ano passado, a Opep e outros países produtores de petróleo que não pertencem ao bloco fecharam um acordo para limitar a produção da commodity na tentativa de elevar o preço dos barris, que operava abaixo dos US$ 50 o barril na época, afetando os resultados das empresas petrolíferas, a arrecadação das nações produtoras e os investimentos no setor.

O acordo funcionou inicialmente, com os preços voltando a operar perto de US$ 55 o barril, principalmente após a publicação de dados que mostraram adesão significativa da Opep à iniciativa, mas a valorização da commodity passou a viabilizar a produção em regiões como os Estados Unidos, onde o custo para extrair petróleo é maior.

Como não há perspectiva de recuperação sustentada nos preços, os produtores do país aumentaram a oferta para tentar lucrar com a valorização do petróleo. A demanda por barris, porém, segue fraca, o que resultou em aumentos significativos nos estoques norte-americanos.

Na semana passada, as reservas cresceram em 8,2 milhões de barris – ou mais de quatro vezes o que se previa, mantendo-se em nível recorde. Além disso, o número de plataformas de petróleo em operação no país segue uma tendência de alta desde o final do ano passado, sugerindo que a produção deve continuar forte.

Diante disso, os investidores adotaram uma postura menos inclinada ao cenário de valorização do petróleo e os preços começaram a cair. Segundo informações da Swissquote, esse movimento de ajuste pode ser longo, visto que dados da Nymex – bolsa onde se negocia o petróleo WTI, a referência de preço nos Estados Unidos – indicam que o mercado está com uma posição comprada de 387 mil contratos futuros, a maior desde pelo menos 2007.

A queda nos preços do petróleo deve fazer ressurgir os problemas vividos pelos países emergentes e empresas petrolíferas ao longo do ano passado, e também pode ter efeito sobre os países desenvolvidos, barateando os combustíveis e enfraquecendo o movimento de alta dos índices de preço locais, adiando desta forma a caminhada da inflação rumo às metas dos bancos centrais destas nações.

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