Semana terá alta dos juros nos EUA, IGP-10, reforma da Previdência e a lista de Janot

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A semana terá como grande evento a reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que deve subir os juros nos EUA de 0,75% para 1% ao ano, retomando a normalização da taxa de juros depois da crise de 2008. A expectativa de alta aumentou na semana passada, com os dados de emprego reforçando os sinais de aquecimento da economia americana. A expectativa de que o presidente Donald Trump avance com seu plano de cortar impostos e aumentar incentivos também incentiva o Fed a aumentar os juros, até porque sua presidente, Janet Yellen, só ficará no cargo até o fim do ano que vem e não vai querer entregar o banco central “atrás da curva” da inflação.

A reunião do Fomc começa na terça-feira e termina na quarta. Os mercados já dão como certo, com 100% de chances, de o juro subir. Portanto, as atenções estarão agora no comunicado que acompanha a decisão e nas declarações de Yellen.

No Brasil, a alta dos juros americanos serve de reforço para a recuperação do dólar, que quase caiu abaixo dos R$ 3,00 no fim de fevereiro, mas se recuperou na semana passada, acompanhando os preços internacionais. Juros mais altos também reduzem a atratividade dos ativos de risco dos países emergentes e podem provocar baixa nas bolsas e nas commodities. Boa parte desse movimento já foi antecipado nas últimas semanas, mas sempre podem ocorrer movimentos atrasados.

Lista de Janot

O cenário político também pode voltar a ficar conturbado com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentando ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de abertura de inquérito de mais uma lista de políticos e empresários com base no acordo de delação premiada da Odebrecht na Operação Lava Jato. A chamada delação do fim do mundo pode envolver políticos de todos os partidos, mas a preocupação é que atinja mais integrantes do governo de Michel Temer, como o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, que está afastado por motivos de saúde, mas pode não voltar. Sua volta estava prevista para esta segunda-feira.

A “conta” de Lula

No fim de semana, novos vazamentos de delações vieram à tona. A revista Veja publicou reportagem afirmando que um executivo da empreiteira, Hilberto Mascarenhas, teria dito que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha uma conta abastecida pela Odebrecht. Com o codinome “amigo” por sua amizade com o empresário Emilio Odebrecht, Lula teria recebido recursos por sua atuação a favor da empresa junto ao governo local e a governos estrangeiros, camuflados como pagamentos de palestras. A conta teria chegado a acumular um saldo de R$ 23 milhões em julho de 2012, segundo a revista.

No fim de semana, o ex-presidente Lula afirmou que será candidato em 2018 para aliados, apostando no desgaste dos demais políticos com as denúncias da Lava Jato. O ex-presidente está em campanha pelo país e busca apoio inicialmente no Nordeste, onde sua popularidade é maior.

Reforma da Previdência

Os sinais de dificuldades do governo em aprovar a reforma da Previdência na íntegra, com o presidente da comissão especial da Câmara afirmando que vai ser preciso rever alguns pontos, podem fazer os investidores tomarem posições mais defensivas. Nesta semana, acaba o prazo para entrega das emendas dos parlamentares ao texto, e as principais mudanças devem ser nas regras de transição, no benefício por idade, que passará para 70 anos, e no tempo de contribuição, de 49 anos.

Inflação no IGP-10 e no Focus

Haverá ainda o IGP-10 de março, que vai atualizar os dados sobre a inflação, especialmente a no atacado, e que poderá influenciar os juros. A pesquisa Focus do Banco Central (BC) também ganha importância ao mostrar as expectativas dos analistas após o IPCA de fevereiro ter vindo abaixo do esperado. É provável que as projeções para março caiam e reduzam o IPCA previsto para o ano, assim como os juros.

No Reino Unido, o Banco da Inglaterra divulga os juros e, na China, saem dados de varejo, indústria e crédito.

Termina também esta semana, no dia 15, a safra de balanços do quarto trimestre. E a expectativa é que as empresas com piores resultados, que costumam adiar até o último minuto a divulgação dos balanços, mostrem seus números.

Segunda-feira, 13 de março:

O Banco Central divulga o Boletim Focus, com as projeções do mercado para juros, câmbio, PIB e inflação. A expectativa é de queda nas estimativas de inflação do IPCA após o dado de fevereiro e também para o juro Selic. Também podem ser revistas para baixo as estimativas para o PIB após a divulgação do dado do quarto trimestre. Na China, à noite, saem os dados de vendas no varejo de fevereiro, os investimentos em ativos fixos e a produção industrial.

Terça-feira, 14 de março:

São o Índice de Preços ao Consumidor na Alemanha referente a fevereiro. Na zona do euro, sai a produção industrial de janeiro e o Índice ZEW de sentimento econômico de março. Nos EUA, sai o Índice de Preços ao Produtor de fevereiro e começa a reunião do Fomc.

Quarta-feira, 15 de março:

A Fundação Getulio Vargas divulga o IGP-10 de março. A estimativa do Bradesco é de alta de 0,13%. No Japão, sai a Produção Industrial de Janeiro na zona do euro, a taxa de desemprego de janeiro. Nos EUA, o grande evento será a divulgação da decisão do Fomc, que deve elevar os juros de 0,75% para 1% ao ano. Sai ainda o Índice Empire de atividade industrial do Fed de Nova York, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de fevereiro, as vendas no varejo também de fevereiro e a confiança do construtor de março. Saem também os indicadores de estoques de janeiro e o fluxo de capitais estrangeiros do mesmo mês.

Quinta-feira, 16 de março:

A FGV divulga o IPC-Semanal e a Fiesp o emprego industrial de fevereiro. Na zona do euro, sai o IPC de fevereiro. O Banco da Inglaterra divulga sua política monetária para o mês. Nos EUA, saem dados de licenças de construção de moradias, construção de novas residências e o Índice de Atividade do Fed da Filadélfia de março.

Sexta-feira 17 de março:

A Fipe divulga a segunda prévia do IPC de março. A CNI traz a confiança do empresário industrial de março. Sai a balança comercial de janeiro da zona do euro. Nos EUA, serão divulgados a Produção Industrial de fevereiro, a utilização da capacidade instalada, o Índice de Confiança da Universidade de Michigan e os indicadores antecedentes.

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