Decisão do Copom ficou em linha com expectativa do mercado financeiro de corte de 1% na Taxa Selic

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O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira, com unanimidade, cortar em um ponto percentual a taxa básica de juros da economia brasileira, que passou de 11,25% para 10,25% ao ano. A decisão do Copom não surpreendeu os analistas do mercado financeiro, que projetavam que o Banco Central reduziria a Taxa Selic em 1%.

Na última pesquisa realizada pelo Banco Central junto aos maiores especialistas do mercado financeiro brasileiro, a projeção era de que os juros básicos atingiriam o patamar de 10,25% ao ano já na quarta reunião de 2017, e que seriam reduzidos gradualmente nas próximas quatro reuniões, até encerrarem o ano estipulados em 8,50% ao ano.

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O corte de 1% na quarta reunião do ano fortalece a projeção atual dos analistas, que apostam que os juros básicos brasileiros encerrarão o ano abaixo da casa dos dois dígitos. Do patamar atual, faltam cortar 1,75 pontos percentuais nas próximas quatro reuniões para que a Selic encerre 2017 em 8,50%. São três cortes de 0,50% e um de 0,25%.

O ritmo de cortes será determinado pelo comportamento da economia, que tem que voltar a crescer neste ano. Outro fator preponderante para a definição da política monetária nas próximas reuniões será o comportamento da inflação, que vem sendo monitorada para voltar a atingir sua meta anual já este ano.

Houve analista de mercado que chegou a apostar em queda de 1,25 ponto percentual ante redução de 1 ponto percentual. Mas a avaliação dos analistas é que o BC refez seus cálculos por conta da instabilidade política criada a partir da delação premiada de Joesley Batista, um do donos da JBS, envolvendo o presidente Michel Temer. A notícia veio a público há duas semanas, derrubou o Ibovespa, fez o dólar disparar e trouxe incerteza aos mercados, por causa da possibilidade de o presidente ser removido do cargo.

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação terminou o último ano em 6,29%, o menor nível desde 2013 (5,91%).

Em razão do fraco nível de atividade, a inflação está bem comportada. Nos primeiros quatro meses deste ano, segundo o IBGE, a inflação oficial (medida pelo IPCA) ficou em em 1,1%, menor índice para o período desde o início do Plano Real. Em doze meses, somou 4,08%, o menor valor em 10 anos.

Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais, podendo chegar a 6,5%. Para 2017, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. Assim, a inflação não poderá superar 6% ao final deste ano. O mercado financeiro prevê que a inflação deve encerrar em 3,95% no final do ano

O objetivo do corte da taxa básica é estimular a economia. O índice é usado nas negociações de títulos públicos Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros do mercado. Ao aumentar o índice, o Banco Central torna o crédito mais caro e segura o excesso de demanda dos consumidores. Com juros menores, os níveis de produção e consumo em um cenário de baixa atividade econômica podem ser retomados, já que o crédito fica mais acessível, mas o controle da inflação fica enfraquecido.

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