Gestores locais e estrangeiros aproveitam pechinchas da crise para comprar ações

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A frase “compre  ações ao som dos canhões e venda ao som dos violinos”, atribuída ao mago dos investimentos Warren Buffett, serve perfeitamente para o momento atual, em que, em meio ao pânico pela crise política, investidores locais e estrangeiros estão aproveitando a forte queda das ações para comprar. O que diferencia esses investidores dos que estão vendendo a qualquer preço suas ações é uma visão de longo prazo de que o país vai sair da crise e essas empresas vão melhorar. E eles têm tempo para comprar e esperar por essa melhora.

Um dos gestores que está aproveitando as pechinchas dos canhões é Fabio Alperowitch, fundador da Fama Investimentos. A gestora, que têm R$ 1,5 bilhão sob gestão, reduziu a parcela em caixa do fundo, de 12%, para comprar papéis com descontos de até 25% depois da crise. “Reduzimos nossa parcela em caixa para 4% comprando empresas de qualidade que vão se beneficiar mesmo em um cenário mais difícil, de restrição de crédito, com o que podemos ver com a crise”, disse. Ao mesmo tempo, são companhias que vão se sair bem em uma recuperação da economia brasileira. Entre elas estão Multiplan, Localiza e CVC . “São empresas muito boas, líquidas, e que caíram 15%, 20% sem muita justificativa econômica”, explica.

A Fama, antes conhecida por seus fundos de ações de baixa liquidez, mudou seu perfil para papéis mais líquidos e agora quer aproveitar para crescer no varejo. “As melhoras no Brasil devem levar a uma redução do juro real estrutural da economia e vamos ver uma migração para ativos de risco, como bolsa nos próximos anos”, afirma.

A ideia de Alperowitch é atrair clientes de varejo de alta renda mais sofisticados, que entendam os riscos de investir em bolsa e suportar eventuais perdas em momentos de instabilidade como o atual. Apesar das quedas das ações, ele afirma que o fundo da Fama não registrou saques dos clientes, 85% fundos estrangeiros, 10% fundos locais e 5% pessoas físicas.

Estrangeiros trouxeram R$ 1 bi após crise

Comportamento semelhante estão tendo muitos investidores estrangeiros, que aproveitam a queda das ações brasileiras para comprar. No dia 18, quando o Ibovespa caiu 8,2%, o saldo de estrangeiros ficou positivo em R$ 190 milhões e, no dia seguinte, em mais R$ 192 milhões. E as entradas continuaram, com mais R$ 698 milhões na segunda-feira.

O saldo acumulado no mês, que estava em R$ 759 milhões no dia 17, quarta-feira, véspera da repercussão das denúncias no mercado, saltou para R$ 1,840 milhões no dia 22, segunda-feira, ou seja, uma entrada de R$ 1,081 bilhão desde o início da crise, em três dias de pregão. Com isso, o acumulado pelos estrangeiros no ano está em R$ 5,352 bilhões até dia 22, segundo dados da B3.

A vantagem para os estrangeiros é ainda maior, pois eles se beneficiam também da desvalorização do real. Assim, enquanto o Ibovespa apresenta queda de 4,2% em maio em reais, em dólar, a queda é de 6,2%. O volume negociado também subiu, acompanhando a presença maior dos estrangeiros e o nervosismo do mercado de ações brasileiro, para uma média de R$ 10,2 bilhões por dia em maio, 25% acima dos R$ 8,113 bilhões de abril. No ano, a média da Bovespa está em R$ 8,411 bilhões por dia.

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