Bradesco e Itaú revisam cenários para o Brasil após crise política; desemprego será maior

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A crise política deve postergar a aprovação das reformas, em especial a da Previdência, o que vai tornar mais difícil o ajuste fiscal, impactando a confiança do agentes econômicos, a retomada da economia, os preços dos ativos e as aplicações financeiras. A expectativa é dos dois principais bancos privados do país, o Itaú Unibanco e o Bradesco, que decidiram rever suas estimativas para a economia brasileira.

No caso do Itaú, a expectativa agora é de alta maior do dólar, que deve terminar o ano em R$ 3,50 e, no ano que vem, em R$ 3,60. Antes, as projeções eram R$ 3,25 e R$ 3,35, respectivamente.  Já a inflação do IPCA, usada pelo Banco Central (BC) nas metas, foi revista de 3,9% para 3,7% neste ano, subindo de 3,8% para 4,1% no fim do ano que vem em função da alta do dólar.

O Itaú manteve a projeção para os juros no fim deste ano, com a Selic em 8%. O próximo corte, espera o banco, deve ser de 0,75 ponto percentual em julho, o que reduzirá a taxa atual de 10,25% para 9,5%. Nas reuniões seguintes, o juro deve cair 0,5 ponto por reunião até chegar aos 8%.

A projeção de crescimento também será afetada pelas incertezas com a aprovação das reformas e a queda menor dos juros, por isso a expectativa de crescimento do PIB foi reduzida para 0,3% este ano e 2,7% par o ano que vem.

O Itaú observa que o ambiente internacional calmo e com bastante liquidez e fatores que reduzem os riscos, como reservas internacionais altas, recursos do Tesouro junto ao Banco Central, e a tendência de queda da inflação têm amortecido a reação dos mercados financeiros e dos preços dos ativos à deterioração das chances de aprovação da reforma da Previdência. “Um cenário de estresse financeiro intenso parece estar, por ora, afastado, mas a estabilidade financeira é condição necessária, mas não suficiente, para a recuperação consistente da atividade econômica, e o custo da incerteza é a estagnação”, diz o relatório do Itaú.

Desemprego maior

Um dos efeitos dessa estagnação é a taxa de desemprego, que tende a demorar mais para cair e se acentuar. O Itaú espera agora que o desemprego chegue a 14% no fim deste ano (antes era 13,8%) e 14,3% no fim de 2018, ante 13,6%. O pico do desemprego deve ocorrer em setembro de 2018, com 14,3%.

Bradesco, inflação menor

Já o Bradesco revisou suas estimativas para o PIB e para a inflação. O banco agora espera estabilidade da economia neste ano e um crescimento de 2% no ano que vem. A revisão ocorreu por causa do resultado abaixo do esperado do PIB no primeiro trimestre, com crescimento de 1% sobre o mês anterior.

Apesar desse crescimento, a alta foi quase totalmente explicada pelo setor agropecuário, com desempenhos fracos de serviços e indústria. “Somado a isso, os dados correntes apontam para uma contração do PIB de 0,4% no segundo trimestre, aumentando as dúvidas sobre a intensidade da retomada da economia no segundo trimestre”, alerta o Bradesco.

A crise política, por sua vez, elevou a taxa do risco-Brasil, mas a atuação do BC, as reservas internacionais, as exportações fortes e a grande liquidez internacional minimizaram a alta do dólar, avalia o banco. O ambiente externo favorável aos países emergentes e ao enfraquecimento do dólar devem limitar a desvalorização do real. Mesmo assim, o banco elevou suas projeções para o dólar, de R$ 3,10 para R$ 3,20 no fim deste ano, e de R$ 3,25 para R4 3,30 em 2018.

As expectativas fracas para atividade, taxa de câmbio sob controle e uma nova rodada de surpresas baixistas da inflação fez o banco reduzir sua estimativa para o IPCA deste ano, de 3,7% para 3,4%, e para o ano que vem, de 4,1% para 4%.

O banco manteve sua estimativa para a Selic, de 8% no fim deste ano.

Outro banco que cortou sua projeção para o ano foi o BNP Paribas, que reduziu a taxa de 4% para 3,5%, depois do IPCA de maio.

No caso da MCM, a projeção para a inflação foi reduzia para 4% neste ano e mantida em 4,5% no ano que vem. A do PIB foi também revista para baixo, para 0,2% de crescimento este ano e 1,8% no ano que vem. Com isso, a projeção de desemprego média para 2018 subiu para 13,5%. Para 2018, a taxa subiu para 13,8%.

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