Natura faz oferta de € 1 bi por The Body Shop; mercado não gosta e ação cai 7,7%

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A fabricante de cosméticos e perfumes Natura (BOV:NATU3) anunciou hoje uma oferta de € 1 bilhão (R$ 3,7 bilhões) pela rede concorrente The Body Shop, hoje pertencente à L’Oreal. O valor equivale a 1,1 vez o total de vendas da rede de lojas em 2016 e seu financiamento já estaria garantido pela Natura.

A operação foi vista com cautela pelo mercado, como mostra a queda forte das ações no pregão de hoje da Bovespa. A ação ordinária (ON, com voto) da Natura caíram 7,73%, para R$ 29,94, a maior baixa no Índice Bovespa, que fechou também em queda, de 0,82%, aos 62.210 pontos.

Alta do endividamento

De acordo com o BB Investimentos, a Natura tinha no primeiro trimestre deste ano um caixa de R$ 617 milhões e uma dívida bruta de R$ 3,7 bilhões, o que significava um endividamento de 1,1 vez  o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida ou Ebitda). Com a operação, o endividamento subiria para 2,7 vezes, considerando o financiamento do valor total, de R$ 3,7 bilhões, segundo relatório assinado pela analista Maria Paula Cantusio.

No ano passado, a rede The Body Shop registrou € 921 milhões em vendas, equivalentes a 30% da Natura. A rede é composta por 3 mil lojas em 60 diferentes países, o que ampliaria a internacionalização da Natura. No Brasil, a rede tinha 133 unidades no fim de 2016, concentradas na Região Sudeste e em shopping centers.

Mais 16 lojas Natura

O BB destaca que a Natura está se esforçando para fortalecer suas vendas na operação local e recuperar sua fatia de mercado. Assim, cinco lojas foram inauguradas durante 2016 e outras 16 deverão ser abertas este ano. O banco acredita que, apesar de a Natura propor manter a independência da marca da The Body Shop, é possível no futuro a conversão de algumas dessas lojas em Natura  ou seu uso para a expansão da rede.

Duas preocupações

O BB admite pontos positivos na operação, mas destaca duas preocupações. A primeira, o aumento do endividamento da Natura em um cenário ainda de altas taxas de juros, que podem reduzir o lucro da companhia nos próximos meses. A segunda preocupação é a redução do foco na operação local após a fusão, uma vez que a The Body Shop opera mais no mercado externo enquanto a Natura tem como foco o Brasil, que representa 70% do Ebitda da empresa.

O banco considerou assim a operação negativa para a Natura, mas não mudou sua recomendação de manter nem o preço justo do papel, de R$ 36, aguardando para isso mais dados sobre a operação.

Longe das vendas diretas

Já o Deutsche Bank observou que o movimento da Natura está longe da sua estratégia tradicional de vendas diretas, que se tornou sua marca registrada, mobilizando milhares de representantes por todo o país.  O banco observa que a The Body Shop enfrentou dificuldades e queda de 38% em seu Ebitda de 2016 por problemas na Arábia Saudita e em Hong Kong, segundo o analista Marcel Moraes.

Emissão de ações no futuro

Considerando que a Natura financie todo o valor da compra, o endividamento da empresa subiria para 3 vezes o Ebitda de 2017, um valor elevado mesmo assumindo juros potencialmente menores em linhas internacionais. Para equilibrar o seu balanço, a Natura deve optar por uma emissão de ações no futuro, substituindo parte dessa dívida por capital, avalia o Deutsche.

A avaliação da Natura após a operação levaria a uma relação entre o valor da empresa (seu valor de mercado mais dívida, ou seja, quanto seria necessário para montar uma companhia igual) em relação ao Ebitda de 2016 de 29 vezes, ante as atuais 15 vezes o chamado EV/Ebitda.

Prós e contras

O banco alemão também diz ter sentimentos mistos sobre a operação. Ela pode permitir à Natura uma expansão significativa em sua presença de varejo mundial, abrindo espaço para alavancar sua icônica marca pela rede The Body Shop e diluindo sua exposição ao disputado mercado brasileiro de vendas diretas.

Mas o Deutsche observa que a compra acrescente complexidade ao negócio, pode diluir o valor da empresa e seus lucros e elevar seu endividamento e não soluciona a questão da disputa de mercado no segmento de vendas diretas no mercado brasileiro. “Até que tenhamos visibilidade sobre a estratégia para o ativo e suas potenciais sinergias,  reiteramos nossa recomendação de manter a ação”, diz o Deutsche, que tem um preço justo para a Natura de R$ 26,50.

Comentários

  1. MARCIO PEREIRA diz:

    Olá,
    ADVFN Brasil,
    muito good a sua pagina

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