Relatório de Inflação do BC reforça corte menor dos juros, dizem analistas

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O Banco Central (BC) manteve a projeção para o crescimento da economia este ano e reduziu a estimativa para a inflação. De acordo com o Relatório de Inflação, divulgado hoje, em Brasília, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, segue em 0,5% para 2017.

Entretanto, no relatório, o BC cita as reformas propostas pelo governo, como a da Previdência e trabalhista, para que a economia se recupere este ano. “A manutenção, por tempo prolongado, de níveis de incerteza elevados sobre a evolução do processo de reformas e ajustes na economia pode ter impacto negativo sobre a atividade”.

Sobre a inflação, o Banco Central diz que “permanece favorável, com desinflação difundida inclusive nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária [definição da taxa básica de juros, a Selic]”, diz o relatório.

Redução do ritmo de corte nos juros

O relatório reafirma que está sendo discutida uma redução no ritmo de corte de juros, avalia a XP Investimentos. No entanto, indica que caso a inflação continue surpreendendo positivamente, podem surgir condições para manter o ritmo de corte de juros, mesmo com incertezas maiores em torno das reformas. Segundo o próprio BC, ‘O ritmo de flexibilização monetária continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação’.

Leitura semelhante fez o Bradesco, para quem o relatório reforçou que o ritmo de flexibilização e a extensão do ciclo continuarão condicionados aos fundamentos econômicos e ao balanço de riscos, como o de a crise política desacelerar ainda mais a economia e ao mesmo tempo puxar o dólar para cima.  Para o banco, os fundamentos econômicos permanecerão com peso relevante na definição do ciclo de corte da Selic, levando em conta essas informações e a disposição revelada pela autoridade monetária em ajustar suas próximas decisões. “Dessa forma, mantemos nossa expectativa de que a Selic chegará a 8,00% ao final deste ano”.

O BC voltou a enfatizar que, aos olhos da última reunião do Copom nos dias 30 e 31 de maio, uma “redução moderada do ritmo de flexibilização monetária […] deveria se mostrar adequada em sua próxima reunião, em julho”, diz a Guide Investimentos. A corretora afirma que, por enquanto, mantém o cenário-base, de Selic em 8,75% até o final deste ano.
Mas o relatório de hoje, no entanto, “nos leva a crer que o nível que hoje projetamos poderia ser revisado ligeiramente para baixo à frente. A corretora espera que o relatório leve os juros futuros a recuarem um pouco.

Quatro cenários

No relatório, as projeções para a inflação são apresentadas em quatro cenários. A “projeção central”, elaborada considerando as estimativas do mercado para a taxa de juros e o câmbio, indica inflação em torno de 3,8%, 0,2 ponto percentual abaixo da divulgada no relatório de março.

Para o fim de 2018, a projeção permaneceu em 4,5%. Na estimativa para a inflação em 12 meses encerrados no final do segundo trimestre de 2019, o índice cai para 4,3%.

Câmbio e inflação

No cenário com taxa de câmbio constante em R$ 3,30 e taxa Selic estimada pelo mercado financeiro, a projeção para a inflação este ano fica em 3,8% e sobe para 4,3% em 2018, abaixo do centro da meta perseguida pelo BC (4,5%).

O BC também divulgou as projeções feitas com taxa de juros inalterada no atual patamar (10,25% ao ano), mas considera essas estimativas “pouco informativas” porque a Selic está em processo de redução.

“Entretanto, no espírito de manter elevado grau de transparência, o Relatório de Inflação também reporta as projeções condicionais que supõem taxa Selic constante”, diz o BC.

No cenário com taxa de juros e câmbio constantes, a inflação fica em 3,8%, em 2017 e em 3,9%, em 2018. Por fim, no cenário com câmbio projetado pelo mercado financeiro e Selic constante, a inflação fica em 3,8%, este ano, e em 4% em 2018.

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