Gradual diz que operação da PF é fruto de acusações falsas; Incentivo diz que arrestou milhões no exterior

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A corretora Gradual Investimentos divulgou nota sobre a Operação Papel Fantasma, realizada hoje pela Polícia Federal (PF), que fez busca e apreensão da sede da instituição em uma investigação sobre fraude em fundos de pensão. Segundo a corretora, a operação faz parte de um “procedimento padrão” dentro de um inquérito instaurado em janeiro fruto de “falsas acusações e ações de denuncismo orquestrados nos últimos meses pela gestora de fundos Incentivo e pelo escritório de advocacia Chiarottino e Nicoletti Advogados.

Segundo a corretora, o motivo seria o fato de a Incentivo ter sido destituída da gestão de dois fundos administrados pela Gradual, o Multisetorial I e o Incentivo Multisetorial II em março. A corretora informa que “prestou todos os esclarecimentos” à PF e se colocou à disposição. E afirma ainda que a Incentivo e seus advogados são alvo de “ações cíveis e criminais” movidas pela corretora por “fraudes cometidas na gestão de fundos de investimentos de Regime Próprio de Previdência Social”.

Já a Incentivo também divulgou nota em que rebate as acusações da Gradual, afirmando que “em vez de responder às acusações da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça, do Banco Central, da CVM” e outros organismos, a corretora “investiria contra suas vítimas que, legitimamente, lutam para recuperar seus recursos desviados pela corretora”.

A Incentivo sugere ainda que a Gradual estaria ocultando valores ao afirmar que a corretora, que presta serviços de administração de fundos de pensão complementar “para mais de uma centena de municípios brasileiros”, deveria explicar como registra prejuízos seguidos no Brasil “enquanto a justiça dos Estados Unidos e Luxemburgo arrestaram milhões de dólares lá depositados sem conhecimento das autoridades brasileiras”. A Gradual afirma, porém, que não foi notificada das ações de arresto no exterior e de eventuais valores bloqueados. A Incentivo também não detalhou valores nem em que países eles teriam sido bloqueados.

A investigação da PF tem como base a venda de debêntures da empresa de tecnologia ITS a dois fundos que eram administrador pela Gradual e tinham a gestão da Incentivo. A Incentivo afirma que não autorizou a compra dos papéis da empresa, que pertencem ao marido de Fernanda de Lima, dona da Gradual. Fernanda, por sua vez, afirma que a venda foi autorizada pelo gestor e que mesmo assim, depois, a empresa procurou recomprar os papéis, o que não foi aceito pela gestora, que entrou na Justiça para impedir o pagamento. Já a Incentivo afirma que a ação contra a recompra das debêntures se deve ao fato de a Gradual estar apenas transferindo os papéis para outro fundo. A Incentivo está também movendo ações de arresto em vários países, incluindo EUA, Luxemburgo e Portugal, para bloquear bens dos sócios da Gradual.

Abaixo, a íntegra das notas da Gradual e da Incentivo:

Nota da Gradual

“A empresa de serviços financeiros Gradual Investimentos vem a público esclarecer informações sobre a Operação Papel Fantasma, realizada hoje pela Polícia Federal (PF) na sede da empresa, em São Paulo.

A operação faz parte de procedimento padrão conduzido pela PF, dentro de Inquérito Policial instaurado em Janeiro deste ano, na capital paulista. A Gradual prestou todos os esclarecimentos à equipe de investigadores e se colocou à disposição das autoridades para a elucidação dos fatos.

A Gradual ainda esclarece que esta operação é resultado das falsas acusações e ações de denuncismo orquestrados nos últimos meses pela gestora de fundos Incentivo e pelo escritório de Chiarottino & Nicoletti Advogados, em represália deste grupo pela sua destituição dos fundos Incentivo Multisetorial I e Incentivo Multisetorial II, no dia 06 de março, e do fundo Piatã, em 13 de junho, nas respectivas assembleias de cotistas.

Tanto a Incentivo, como o escritório Chiarottino já são alvos de ações cíveis e criminais ajuizadas pela Gradual por fraudes cometidas na gestão de fundos de investimentos de Regime Próprio de Previdência Social.

A Gradual reitera a seus clientes, parceiros, gestores e investidores que cumpre todas as normas e os regulamentos referentes à sua atuação no mercado de capitais e que não compactua com práticas ilícitas.”

Nota da Incentivo Investimentos

“Em vez de responder às acusações da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça, do Banco Central, da CVM e diversos outros organismos de fiscalização do mercado, a Gradual investe contra suas vítimas que, legitimamente, lutam para recuperar seus recursos desviados pela corretora. Administradora de fundos de pensão complementar de mais de uma centena de municípios brasileiros, a Gradual faria melhor se tentasse explicar como vem registrando seguidos prejuízos no Brasil enquanto a justiça dos Estados Unidos e Luxemburgo arrestaram milhões de dólares lá depositados sem conhecimento das autoridades brasileiras.”

 

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