Selic: Juros básicos do Brasil são os menores dos últimos quatro anos

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu cortar a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual, de 10,25% para 9,25% ao ano. Este é o menor nível desde agosto de 2013, quando os juros subiram de 8,50% para 9,00% ao ano. A decisão foi unânime e veio dentro do esperado pelo mercado financeiro.

Esta também foi a sétima baixa seguida da Selic. A redução dos juros começou no fim do ano passado, com dois cortes de 0,25 ponto percentual, derrubando a taxa de 14,25% para 13,75% ao ano.

A decisão mostra que o BC decidiu manter a aceleração no ritmo de redução da taxa de juros em meio às previsões de que a retomada do crescimento da economia brasileira pode demorar mais para acontecer e aos sinais de desaceleração da inflação.

Antes da crise política gerada pela delação de executivos da J&F, empresa que controla o frigorífico JBS, e que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a autorizar a abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer, parte do mercado financeiro apostava em um ritmo ainda mais intenso de corte na Selic.

Porém, com as constantes crises políticas rodeando o núcleo duro da política brasileira, os analistas ajustaram suas apostas e passaram a prever, em peso, uma redução menor, de um ponto percentual, o que vem se confirmando nas últimas reuniões.

A previsão do mercado financeiro é que a taxa básica de juros da economia continue a recuar nos próximos meses e chegue a 8,00% ao ano no final de 2017.

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O Banco Central informou nesta quarta-feira que, para a próxima reunião do Copom, marcada para o começo de setembro, a manutenção deste ritmo de corte de juros, de um ponto percentual, “dependerá da permanência das condições descritas no cenário básico do Copom e de estimativas da extensão do ciclo“.

O ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação“, acrescentou a autoridade monetária.

A instituição informou ainda que, no cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, suas projeções de inflação recuaram para em torno de 3,6% para 2017 e 4,3% para 2018. Esse cenário supõe trajetória de juros que alcança 8,0% ao final de 2017 e mantém-se nesse patamar até o final de 2018.

O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2018, é compatível com o processo de flexibilização monetária [corte de juros]“, acrescentou, indicando que o processo de redução da taxa Selic deverá ter continuidade nos próximos meses.

Mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, entre outubro de 2012 e abril de 2013, a Selic foi reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado que o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

O objetivo do corte da taxa básica é estimular a economia. A taxa Selic é usada nas negociações de títulos públicos Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros do mercado. Ao aumentar o índice, o Banco Central torna o crédito mais caro e segura o excesso de demanda dos consumidores. Com juros menores, os níveis de produção e consumo em um cenário de baixa atividade econômica podem ser retomados, já que o crédito fica mais acessível, mas o controle da inflação fica enfraquecido.

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